O logótipo “Sapo Blogs”, assim como a palavra “Sapo”, neste contexto, são marcas registadas da PT Comunicações.

Se o título vos parece comprido, apertem os cintos de segurança, que esta posta vai ser tão atribulada como comprida. Antes de mais nada, algum enquadramento…

Como nem tudo na vida é Internet, tecnologia, programação e quejandos, tenho uma listinha de sites e blogs que me obrigo a visitar quase diariamente (para além dos dois jornais “em papel” diários – o JN e o Record, se querem mesmo saber), para não perder a conexão com a life out there. Devo confessar que o que começou, já há alguns anos, como uma necessidade para não perder o comboio da informação, se transformou rapidamente numa espécie de vício: até tenho sintomatologia de desmame se fico mais do que um dia sem notícias nacionais.

Logo Sapo Blogs

Sendo a política um dos temas que não dispenso, existem, além dos meios de comunicação normais, quatro blogs políticos que sigo com maior ou menor assiduidade: o Blasfémias, maioritariamente para me rir um bocado, e depois o 31 da Armada, o Arrastão e, finalmente, o Jugular. Acaba por ser neste último que arroto algumas postas de pescada, quando me sobra tempo – o que é raro, por sinal.

Blogs do Sapo

Para quem não sabe, quando se comenta alguma coisa em blogs da plataforma de blogs do Sapo, recebe-se um e-mail de cada vez que alguém responde a um comentário nosso, se tiverem preenchido o vosso endereço de e-mail no formulário de resposta. Só que o remetente do e-mail, quando a resposta foi colocada por alguém sem endereço ou por alguém do painel de autores do blog, é um endereço dummy, no caso, algo como no-reply@sapo.pt. No corpo do e-mail virá o nome do comentador, excepto quando é um anónimo. Quando é um dos autores do blog, não tenho a certeza em que condições, mas sei que volta e meia acontece, o nome é do autor original da posta, e não do autor do comentário de resposta.

Na quinta-feira, a propósito desta posta – que vale a pena ler com atenção, assim como as subsequentes (e ainda hei-de falar sobre uma situação que esta me lembrou, exemplo de como excelentes professores podem ser umas belas bestas) – apareceu um caramelo a quem aconteceu precisamente isto. Só que em vez de “ah e tal, aconteceu-me aqui uma coisa estranha e a bota não bate com a perdigota”, não: entra em troll mode e toca a desancar por ali abaixo:

De Miguel Braga

Quando quiser responder a alguma coisa não se esconda atrás de outra pessoa... Não se esqueça que o email não mente...

(…)

De f.

desculpe?!

De Miguel Braga

Não sabe ler? Aqui aparece o comentário como tendo sido feito por f. (que na lista do blog é identificado como Fernanda Câncio). No meu email, o mesmo comentário, aparece: «Shyznogud, deixou um comentário».

Alguma coisa não anda a funcionar bem, ou alguém anda a usar identidade de outro...

Ora, eu não gosto, nem deixo de gostar, de Fernanda Câncio (por acaso, até gosto, apesar de discordar muitas vezes – mas a escrita dela apela-me ao sentido literário, que raio), nem fui nomeado defensor oficial, mas um palerma destes merece um correctivo rápido e eficaz, que lhe dei assim que foi possível:

De Marco

Miguel, é de bom senso não tomar a incompetência por malevolência. E também é de bom senso não se acusar as pessoas baseado apenas na sua própria ignorância.

Acontece que os blogs do Sapo enviam o e-mail usando como remetente o e-mail do comentador ou, se este não existir ou for alguém do painel do blog (que é o caso), usando um remetente inexistente, normalmente, no-reply@sapo.pt.

Quando isto acontece, como o Sapo não sabe quem é quem, usa, como identificação do remente, o criador original da posta como criador do comentário.

Percebeu? Agora, menos...

Como é habitual nestes trolls que pululam pelas caixas de comentários, o fulano nem se deu ao trabalho de ler a minha resposta com atenção e puxar um bocado pela cabeça:

De Miguel Braga

Não vou citar o mesmo que me disse a mim, porque cada um bebe do veneno que quiser. Está a fazer confusão. Não é o endereço de email. É no conteúdo do email que se faz referência a quem fez o comentário. Vá lá, vá ler! Lei-a o email todo que eu coloquei exactamente para não deixar dúvidas aos mais sábios... vai ver que consegue chegar lá sem ser preciso dicionário...

De Marco

Como parece que está com falta de visão (ou de cérebro), volto a colocar aqui parte do meu comentário, com notas adicionais para ver se entra duma vez:

"Quando isto acontece (isto é, quando o endereço do rementente é o tal no-reply@sapo.pt), como o Sapo não sabe quem é quem (no caso concreto de ser alguém do painel do blog), usa, como identificação do remente (isto é, no corpo do e-mail), o criador original da posta (Shyznogud, caso estivesse distraído), como criador do comentário."

É uma limitação dos blogs do Sapo, que existe há anos. Entre muitas outras, diga-se de passagem.

Um pedido estranho

O que parecia ter ficado arrumado, com desaparecimento, pelo menos temporário, do troll, é ressuscitado, algumas horas mais tarde, com um pedido que eu achei estranho:

De Jonasnuts

Quais outras, já agora? Esta parte interessa-me particularmente, para além do que já me ri com os comentários que tenho lido por aqui :)
Se preferir o meu mail para não poluir os comentários com um tema off topic, é jonas arroba co.sapo.pt :)

A primeira coisa que me passou pela cabeça foi “deve estar a brincar, não tenho mais nada que fazer do que estar emitir pareceres técnicos a estas horas, só para satisfazer uma curiosidade mórbida sobre as limitações do Sapo”. Não conhecia Jonasnuts de lado nenhum – quer dizer, já tinha visto por aí nalguns comentários, mas não fazia ideia de quem seria. Mas aquele endereço de e-mail parecia-me bizarro. Antes de chutar definitivamente para canto, concedi-me algum tempo para investigar isto.

Um parecer

Ups! O pedido tinha vindo, no less, da coordenadora da equipa de Blogs do Sapo. Se calhar até não era mal pensado responder, ajudar a melhorar o serviço, a alguém que, efectivamente, tem o poder para fazer alguma coisa; ou mandar fazer, vá. Vai daí, seguiu um e-mail, cujo conteúdo adapto, sobre as limitações da plataforma de Blogs do Sapo (que, pelo caminho, descubro que é, afinal, uma adaptação do LiveJournal).

Introdução

Em primeiro lugar, devo dizer-lhe que, profissionalmente, sou webdev, pelo que deve levar as minhas rants com isso em consideração. Deve levar também em consideração que não tenho, nem nunca usei como autor, os blogs do Sapo, pelo que algumas das coisas podem ser configuráveis pelo autor e eu não saber. Em segundo, se vou dar um parecer à coordenadora da plataforma de blogs do Sapo, espero ser pago condignamente... ;)

Sobre bugs e funcionalidades da caixa de comentários

Um dos meus pet peeves é a caixa de inserção de comentários, e respectivo motor. O componente NicEdit é medonho, sobretudo no Firefox – e estamos a falar de um browser com cerca de 30% de quota de mercado, já não é propriamente coisa de maluquinhos. Nesta imagem, podemos ver o que acontece:

Caixa de comentários do Jugular

Repare atentamente na posição do cursor: está a meio duma letra. E agora, o caracter seguinte a ser inserido é antes ou depois? E este texto foi cortado e colado; quando se está a inserir manualmente e se volta atrás para corrigir, é habitual existir um skew de bastante mais de meio caracter – o máximo que me aconteceu foram dois caracteres a menos do cursor até ao ponto real de edição. Implementar um componente mais amigável, como o TinyMCE, seria uma melhoria de várias ordens de magnitude.

Outra melhoria seria a possibilidade de pré-visualização do comentário. Again, o TinyMCE tem isso; penso que o NicEdit não tem. Teria evitado, por exemplo, o meu comentário ao qual respondeu, cheio de tags de itálico que inseri à mão (nota: o comentário a que me estou a referir está acima, é o meu segundo; corrigi o problema das tags aqui para o DreamsInCode, mas ainda se pode ver com a formatação original no Jugular) – tem uma boa explicação: estava a chegar de um blog cujos comentários aceitam as tags, e como as escrevo mais depressa do que vou lá com o rato, nem me lembrei que não funciona assim na grande maioria dos blogs.

Ainda os comentários, mas sobre o motor

A ordenação dos comentários deve ser uma opção de backoffice, mas como já vi, inclusivamente no Jugular, queixarem-se da mesma... Uma ordenação cronológica é mais intuitiva ao ser humano, mesmo que se perca o quem respondeu a quem (para isso se usa o formato @user nas respostas, se for mesmo necessário).

Para finalizar a parte de usabilidade e apresentação, temos a apresentação dos links, que eu desconfio que também seja uma opção do backoffice do blog. Mas que não é agradável ver o caminho sem link e desenquadrado das palavras que linkamos no comentário, não é. Sobretudo quando essas palavras são, precisamente, o caminho do link. Eu sei que é uma questão de segurança, mas se calhar mais valia não permitir links, de todo, do que ter esta salganhada. Na mesma página do seu (e do meu) comentário:

A resposta é-lhe dada pelo seu amigo Miguel Vale de Almeida: http://jugular.blogs.sapo.pt/1804441.html (http://jugular.blogs.sapo.pt/1804441.html)

É preciso sentido de humor...

Reparei agora que esta citação é do mesmo troll anterior – é que é preciso pontaria, caraças!

Depois, temos a fragilidade do motor em si. Veja este comentário. Se procurar por “irreparable invalid markup” no... Google... vai encontrar a referência a vários blogs no Sapo. Eu sei que o conteúdo é verificado antes de ser mostrado (via HTML Tidy?) mas, ao acontecer, no mínimo, é não mostrar o comentário e notificar o autor do mesmo ou da posta. Mostrá-lo naqueles preparos – e deixar o Google indexá-lo – é que não. Mais uma vez, uma função de pré-visualização talvez evitasse estas coisas.

Algumas considerações sobre o peso e velocidade da página

Que é, até, extremamente actual.

A página inicial de um blog (no caso, ainda o Jugular) ter quase 1 Mb (955.6 Kb, neste momento), é um disparate, mesmo nesta era da banda larga. Eu sei que há coisas que o Sapo Blogs não controla, como a quantidade de imagens e tralha variada que os bloggers colocam, mas podiam começar por tomar algumas medidas bem básicas, como output comprimido em Gzip (que não está) e datas de expiração realistas – o Prototype, que até está desactualizado, fale aí com a rapaziada para ir a prototypejs.org actualizá-lo, é daquelas coisas que muda tão raramente, e que tem um peso tão grande (92.7 Kb), que pode ter uma data de expiração de meses, ao invés de ser no dia seguinte como está agora.

Bugs e problemas com o envio de e-mails

  1. A questão do username do comentário. Além de induzir em erro os comentadores (que foi o caso, embora o fulano fosse desagradável), para quem percebe disto é um bocado cómico: então a plataforma sabe de quem é o comentário para apresentar no blog, visto que está correcto, mas já não sabe para enviar no mail? Eu deduzo que isto só aconteça com comentários inseridos por autores do blog, provavelmente inseridos pelo backoffice ou algo que o valha, mas é desagradável;
  2. Disparo da notificação antes da aprovação do comentário. Só me aconteceu uma vez, pelo que poderá ter sido um comentário aprovado e depois eliminado, embora duvide que isso aconteça no Jugular. Mas também não comento assim tanto, nem vejo constantemente os meus mails pessoais de modo a apanha-los mal alguém me responda;
  3. O e-mail do destinatário. Isto é uma falha de segurança gravíssima. Quando eu comento alguém, esse alguém recebe um mail da plataforma cujo remetente é o meu e-mail! Ná, ná! Eu estou a cedê-lo ao blog, para comentar, e não às pessoas às quais estou a responder. Para mim, este ponto tinha carácter de urgência, antes que tenham problemas com a CNPD;
  4. A formatação do e-mail é horripilante. Ou melhor, é inexistente. Aquilo parece um plain-text, mas sem as vantagens respectivas, visto que é, na verdade, HTML mail. Não sei se os autores podem configurar o template de mail ou não, mas devia estar, pelo menos, pré-formatado. É que nem um logozito do Sapo

A resposta e o convite

Sinceramente, não estava à espera de resposta. Não conhecia – nem conheço – Jonasnuts de lado nenhum, e depois de saber quem era, conhecendo grandes empresas como eu conheço, estava à espera de zero feedback. O mais provável, para mim, seria olharem para aquilo, “ah, ok” e “Zé Manel, vê lá se tratas desta gaita”. Se alguns dos pontos que nomeei fossem corrigidos, já me dava por contente.

Pelo menos desta vez, a realidade veio bater à porta do meu cinismo natural, e foi com alguma surpresa que abri o e-mail de resposta…

Olá Marco,

Antes de mais, obrigada pelo feedback :)

(…)

Não sou técnica, nem designer, pelo não apanhei 90% das coisas que referiu, mas há uma coisa que eu percebo bem, é a qualidade das críticas que são feitas. Devo-lhe, no mínimo, um almoço num sítio à sua escolha :) Percebo também que é a opinião e o input de alguém com competências técnicas acima da média, mas acho que a plataforma só tem a ganhar se conseguir agradar a muitos públicos.

Vou encaminhar este mail para a mailing list dos Blogs e tenho a certeza que todas as suas sugestões serão implementadas (palavra que não existe, bem sei), umas mais rapidamente que outras, mas serão.

Obrigada e, se quiser publicar esta missiva com identificação da interlocutora, esteja à vontade, eu acredito que as críticas e os debates sobre problemas e melhorias da plataforma devem ser públicos :)

Mª João Nogueira

P.S.: Não estou a brincar acerca do almoço, escolha o sítio, a hora, os convidados e o SAPO paga :)

A recusa com justificação

(foi enviado para Jonasnuts, com o respectivo link para esta posta)

Não vou aceitar o convite para almoçar (era consigo, Jonasnuts? talvez com alguns tech heads aí do departamento? umas trocas de opiniões sobre websites de alta performance, gestão e avaliação de conteúdos? argh, tenho de parar, que ainda mudo de ideias!!), por vários motivos.

Em primeiro lugar, daqui de trás das pedras é complicado ir a Lisboa almoçar… Em segundo, porque o Sapo nasceu na UA, com qual eu tenho uma certa afinidade, apesar de nunca ter estudado lá. Em terceiro e último, e mais importante (retirado da espécie de FAQ aqui do DreamsInCode):

Fora da minha vida profissional (tenho que comer, ?), eu acredito que o conhecimento deve ser partilhado sem limitações. Partilhar engrandece a alma; e se um dia eu vir escrito nalgum lado que fui eu que inspirei / ensinei / ajudei alguém importante, também faz bem ao ego.

Obviamente que um site destes tem alguns custos residuais, assim como o tempo que eu perco a escrever posts e a programar podia ser usado para projectos comerciais ou, em última instância, para me deitar debaixo dum pinheiro com a minha família. No entanto, nunca – marquem bem, nunca – verão neste site publicidade paga, tipo Google AdSense. O que aparecerá aí de lado nos próximos tempos será um botãozinho para doar uns trocos via PayPal, para quem quiser ajudar com os custos do servidor. Não é obrigatório, nunca vai ser e eu nunca vou distinguir entre quem doar e quem não doar. Cada um sabe de si.

Basicamente, e como eu costumo dizer aos meus amigos – e alguns dizem que eu não bato bem da bola – it’s not about the money. Note-se que eu não sou um daqueles fanáticos pró-GNU, ou pró-GPL, ou pró-[inserir aqui acrónimo de licença livre à escolha]; acredito que se deva pagar principescamente por suites de produtividade como o Creative Suite da Adobe, ou o Visual Studio da Microsoft, assim como espero uma remuneração justa pelo meu trabalho profissional. Mas, no meu tempo livre, quero, e vou continuar a fazê-lo, embora o tempo livre seja escasso, retribuir à comunidade o que a comunidade me dá a mim, todos os dias, via Google: conhecimento livre e ilimitado.

Mas aceito, sei lá, uns convites para umas palestras ou um livre passe para o Codebits… :) Mas isto sou eu a pensar alto…

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jonasnuts

Então fica combinado que quando as sugestões que nos deu forem lançadas é feita a creditação com link para este Blog.

It's not about the money, bem sei, mas para tanto e tão bom feedback, um simples "obrigada" pareceu-me pouco, muito pouco :)

Pode contar com um livre passe para o Codebits, está assegurado. E convites para palestras também, e se um dia estiver em Lisboa e quiser conhecer as entranhas do SAPO, o datacenter e os geeks que por lá andam a debater se o zero é par ou ímpar, e essas coisas, é só dizer.

 

Porque "obrigada" continua a parecer pouco :)

 

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