Como já disse aqui, tenho um servidor Gentoo Linux numa máquina virtual. Era uma instalação bastante simples, apenas o essencial a um servidor web privado, isto é, sem interface gráfica.
Mas, na sequência de ter arranjado um Mac baratucho (se é que alguma coisa da Apple possa ser chamada de baratucha – pronto, baratucho por standards Apple), comecei a sentir a falta da GUI também no Linux, quanto mais não fosse para me ser mais familiar nalguns projectos dos próximos tempos.
No início desta semana, decidi-me, portanto, instalar o KDE no meu Gentoo. Para começar, precisava da base X11 da coisa (sim, nem isso me dei ao trabalho de instalar inicialmente), que é a fundação do sistema de janelas – usado tanto em Linux como no MacOS, e existem implementações também para Windows, normalmente clientes, e não servidores. Para começar, isto entreteve-me durante uma hora, a rever todas as opções possíveis antes de fazer o emerge do pacote (já falei sobre o Gentoo Portage anteriormente); depois, entreteve a máquina virtual durante três horas, a compilar e instalar.
Eu já estava a ver a tenda armada: está certo que é uma máquina virtual, com apenas um core e 1GB de RAM atribuídos, mas, caramba! tanto tempo…
Seguiu-se o KDE. Apesar de ser possível instalar pacotes mais leves, eu resolvi ir all-in e atirei ao pacote kde-meta que, como podem ver aqui, contém todos os pacotes e mais alguns, desde jogos, multimédia, ferramentas educativas, de sistema e de desenvolvimento, tudo e um par de botas.
Como é lógico, a quantidade de opções de instalação é maior que eu sei lá o quê, e demorei um ror de tempo até encontrar um conjunto delas que fosse, ao mesmo tempo, útil para mim, e que me deixasse fazer o emerge sem tropeçar numa dependência qualquer que ainda não tivesse visto. Quando finalmente acertei com tudo, lá começou a saga download-compilar-instalar, felizmente em processo automatizado. Dos 392 pacotes que me foi indicado que seriam necessários, ao fim de uma hora já estavam… cerca de 20! Fui dormir, e deixei o bichano a ronronar toda a noite…
No dia seguinte, como descargo de consciência antes de sair para o trabalho, fui dar uma vista de olhos: nem podia acreditar! Ao fim 70 pacotes, tinha ocorrido um erro na ligação à ‘Net, e o processo tinha abortado num download. Geez, obrigadinho, NetCabo. Coloquei a coisa a rolar outra vez (com menos pacotes – ao menos isso!), e fui à minha vida.
No final do dia, finalmente – finalmente! – tinha ficado tudo instalado. Mais uma hora para colocar o KDE a arrancar ao iniciar a máquina virtual, criar um utilizador extra-root (sim, entrava como root, e quê?), e cá o tinha. Lindo.
Cerca de 4 horas de configurações várias, e para aí 16 horas de compilações e instalações. E ainda me perguntam o que é que eu vejo no Windows?