A ver posts de Outubro de 2010

And yet again, é mais uma falha do e-book, ou dos comerciais, da EarthShine Electronics que me leva a escrever esta posta. Um dos tutoriais era sobre um sensor de temperatura, e a lista de componentes, o esquema e o código reportam-se ao sensor LM35DT. No entanto, o sensor que está a ser enviado nos kits é o LM335Z, que é diferente a vários níveis:

  1. Logo a começar pela calibragem, que é linearmente proporcional em graus Celsius no primeiro e em graus Kelvin no segundo;
  2. O primeiro trabalha a 5V e o segundo a 3V (ligeiramente menos, pela datasheet, mas não é por aí);
  3. O primeiro tem um pino com o sinal de saída, o segundo funciona mais como um divisor de voltagem, sendo o terceiro pino para calibragem.

Posto isto, e depois de ter estudado atentamente a datasheet do LM335Z, enjorquei o seguinte circuito:

Continuando as experiências básicas com o Arduino – e aproveitando para aprender como se coloca um vídeo no YouTube (sim, nunca tinha colocado um vídeo no YouTube, e quê?) – aqui fica um irritante tocador de música, ao nível daqueles que vêm nos (irritantes) postais musicais.

O que é um cristal piezo-eléctrico?

Um cristal piezo-eléctrico é um tipo de cristal, natural ou sintético, capaz de gerar electricidade a partir de uma força mecânica que o deforme e o inverso, isto é, deformar-se ao ser-lhe aplicado uma corrente eléctrica. No caso concreto, vamos aplicar corrente ao bicho, obrigando-o a deformar-se. Essa deformação gera um click muito rápido. Se o conseguirmos colocar a deformar-se várias vezes por segundo, conseguimos gerar um ruído numa dada frequência, fazendo as nossas notas musicais.

Quem me conhece sabe que tenho imensas áreas de interesse, desde a música até à fotografia, física e religião, ténis e aeronáutica, e por aí fora; um coca-bichinhos, portanto. Como consequência, não sou realmente bom em nenhuma delas, tirando duas ou três onde invisto mais tempo e esforço.

Uma das áreas onde sempre quis investir mais foi na electrónica digital, mas nunca tive tempo, nem do outro tempo (€€), que a coisa ainda sai ligeiramente dispendiosa. Só a dificuldade em encontrar quem vendesse circuitos de portas lógicas seria complicado.

Na sequência deste post, ainda não tinha ficado plenamente satisfeito com a tipografia do DreamsInCode — o tamanho da letra parecia-me exageradamente pequeno e as linhas demasiado compridas para a leitura ser confortável.

Este era, aliás, um dos meus maiores dilemas, e já não é de agora. Sempre fui um grande combatente da causa dos designs líquidos: parece-me extremamente ineficiente termos todo o espaço de um monitor de 19, 20 ou 22 polegadas, com até 1920 pixels, e aproveitar apenas uma magra fatia de cerca de 950... No entanto, o que parece ser uma boa ideia na generalidade — mais espaço para passar a mensagem — falha redondamente na prática; como tão bem sabem os tipógrafos, há um limite de conforto para os tamanhos das linhas, onde os olhos conseguem mudar de linha sem perder o fio à meada.

Posto isto, tinha mesmo de abandonar o meu adorado design líquido e passar para um design fixo, e aumentar de novo o tipo de letra. Já que estava com o malho quente, resolvi também redesenhar o site inteiro. Ainda há por aí um ou outro pormenor por afinar mas, de um modo geral, estou satisfeito com o resultado. O maior tamanho de letra deu mais ar ao design, o bokeh lateral e as datas bonitas (de que falarei qualquer dia) até pode levar a pensar que eu sou um designer razoável (coisa que qualquer pessoa que conheça minimamente o meu trabalho poderá desmentir) e até os separadores ficam mais leves com o abandono do pontilhado escuro.

Havia duas frameworks, uma de JavaScript e outra de CSS, que eu queria experimentar há muito, e que tinham vindo a ser adiadas porque não tinha tempo nem paciência para andar a trocar tudo; com a alteração no design, já que tinha que passar pelos templates quase todos,  atirei-me às duas ao mesmo tempo (o que, e vendo o tempo que demorei, na volta, foi idiota — ou então não, assim ficou já despachado).

Do lado do JavaScript, o jQuery (e o jQueryUI) andava-me a fazer água na boca há que tempos; o motor de selectores (o Sizzle) era bastante mais rápido do que o do Prototype (aparentemente, a próxima versão também irá usar o Sizzle), a forma como a execução inicial era deferida até a DOM estar completamente disponível (via ready), a integração com o jQueryUI mais suave do que a que o Prototype tem com o Scriptaculous, o ThemeRoller, que é fantástico para se mudar o design do pé para a mão, enfim, um monte de pormenores.

De entre as coisas que mais me impressionaram, destaca-se a forma como é possível criar botões a partir de qualquer tag HTML. Os botões na zona de login, ali em cima, foram feitos assim. Uma consulta à documentação oficial explica a facilidade da coisa, mas qualquer dia também coloco um post sobre isso.

Do lado das CSS, nunca tinha usado frameworks; a minha primeira experiência foi relativamente recente, com a YUI 3 CSS, e a maneira como estas frameworks ultrapassam as inconsistências inter-browser agarrou-me à primeira vista. No entanto, esta em particular, metia-me alguma confusão, com as suas classes com nomes bizarríssimos (o que é que faz a classe yui3-b?).

Outra que tinha andado a namorar tinha sido a Blueprint CSS, mas tinha abandonado a ideia porque, lá está, não suportava designs líquidos. Como a teoria tipográfica me veio dar dois milhos nas beiças, não havia nada que me impedisse de a usar. Com o seu sistema de grelha com nomes de gente, a facilidade com que se implementa um protótipo funcional é fantástica. Um design básico com cabeçalho, duas colunas e rodapé faz-se com cinco div e zero CSS costumizada. Os nomes intuitivos, como span-5, prepend-2 e por aí fora ajudam bastante.

Uma nota adicional sobre a Blueprint CSS: quando fui buscar o link para colocar aqui, dei conta que, desde que comecei o redesign do DreamsInCode, foi lançada uma nova versão. Eu até estava com algum receio que fosse abandonware, visto que a última versão estável tinha sido há mais de um ano... Como tal, por aqui ainda se usa a versão anterior, mas vou fazer uns testes para ver se não rebento com nada e hei-de actualizar.

Já agora, que falo de frameworks, eu uso um misto de framework/CMS PHP meu (da empresa, vá, embora esta versão do DreamsInCode já esteja bastante remexida — é onde normalmente faço testes antes de fazer alterações em sites críticos) com algumas coisas do PEAR, outras da ZF, para além do motor Wordpress que alimenta o blog. Até há bem pouco tempo, não me sentia confortável em usar outra framework, já para não falar noutra CMS. No entanto, experimentei recentemente a Yii Framework e fiquei muito fã. Embora continue a desaconselhar o uso de CMS pré-feitas (como a nódoa do Joomla), a minha posição em relação às frameworks, em particular esta Yii, está bastante mais suavizada, e é provável que haja mais novidades nos próximos tempos neste campo.

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