Da Zon…

Quando me mudei cá para trás das pedras, vinha duma ligação Cabovisão com pouquíssimos problemas. Era estável, era raro falhar, e a única coisa que tenho a apontar é a nabice do serviço de apoio ao cliente, embora tenha aprendido ao longo dos anos que é um problema transversal a todos os serviços de apoio ao cliente, seja do que for.

Ainda antes de sair lá de perto do mar, fui-me informar que opções é que tinha de internet e televisão. Infelizmente, a Cabovisão não era uma das opções. A PT Multimedia tinha acabado de ser obrigada a fazer o spin-off da antiga TVCabo, e o Meo dava os primeiros passos.

Devo explicar o que é que sempre me irritou no serviço IPTV: não me podia dar ao luxo de levar uma pancada de 2 a 4 Mbits/s de cada vez que ligava a box, numa altura em que as velocidades máximas andavam pelos 8Mbits/s. Seja, então, o serviço da Zon.

Tive algumas peripécias inicias, uma sobre-facturação que demorou alguns três meses a resolver; depois, fui um dos primeiros a subscrever a novíssima Zonbox HD+DVR, que estava a transbordar de bugs, pelo que fui obrigado a devolvê-la passado um mês – embora tenha readerido mais tarde, quando ficou mais estável.

No entanto, a gota de água foi a descoberta que, apesar de ter o mesmo pacote, e consequente preço, dos restantes clientes, não tinha os mesmos serviços. Isto acontece com duas zonas do país, as servidas pelo head-end de Mirandela, o que significa toda a gente de Lamego para cima, e com o de Évora, que é, basicamente, todo o interior Alentejano. Depois de me andar a queixar durante alguns meses da falta do videoclube e dos widgets – já para não falar de bugs e particularidades que têm há anos, como os DNS completamente marados e o traffic-shaping agressivo – os nabos (lá está) do serviço de apoio ao cliente até a box me trocaram, quando deveriam estar cansados de saber que, naquela zona, eu nunca teria aqueles serviços.

… para o Meo

Analisei, então, com mais cuidado, a oferta do Meo. Para além duma superioridade ao nível dos serviços disponibilizados, sobretudo o MusicBox, que tanta água na boca me fez no Codebits (ok, o Meo Jogos também, mas considerando que eu não tenho tempo para jogar…), as velocidades disponibilizadas já conseguiam diluir a pancada da box ligada. Em meados de Dezembro, e já a levar em conta que estas coisas podem dar granel, marquei a instalação para 15 de Janeiro, 15 dias antes da cessação de serviços da Zon, cuja desactivação pedi na mesma altura (para 31 de Janeiro – entretanto cortaram-me antes, e obriguei os tipos a voltarem a ligá-la, é que ninguém ligou às datas na carta).

Anyway, hoje cá veio o técnico, de manhãzinha, instalar a tralha toda. Ficou tudo a rolar, dispensei-o sem configurar a internet, estive a brincar com a box e fui comprar um multiplicador de tomadas estabilizado e com fusível electrónico, que aquela gaita atrás da televisão já era um incêndio à espera de acontecer (de cima para baixo, router Meo, LCD de 37’’, Wii, disco externo, Media Center PC, Meobox, sistema de som, base do telefone novo, base do telefone antigo, subwoofer).

Dois routers, o dobro dos problemas

Linksys WRT54G

Depois de almoço atirei-me à expansão da minha rede. Eu tenho um Linksys WRT54G, que estava ligado ao modem da Zon, e que servia, para além do wireless, os vários aparelhos ethernet cá de casa: a minha máquina, uma impressora, a base do telefone antigo (é híbrido, VoIP e DECT) e o Media Center PC, para onde ia um cabo comprido, desde o escritório.

Esse cabo acabou por servir ao contrário, isto é, duma porta ethernet do novo router, que é um Thomson TG784, para outra porta do WRT54G. Ficava assim assegurada a ligação entre os dois routers. Desligar o DHCP deste último, atribuir um IP fixo dentro da mesma gama, et voilà. Depois de ligar o resto da tralha, entre sala e escritório, já tinha ‘Net em todo o lado. Finalmente, ainda configurei o wireless do TG784 para ser igual ao outro, e assim tinha a mesma rede wireless pela casa toda, mas com mais força.

Na eventualidade de alguém vir cá ter a partir do Google à conta desta última frase, fiquem a saber este pormenor: a configuração tem de ser igual, ponto por ponto, excepto nos canais. Deixem algum espaço entre os canais de transmissão – eu configurei um no canal 11 (2.462GHz) e outro no canal 3 (2.422GHz). E mesmo que não tenham dois routers, configurem o wireless do TG784 à mão: é facílimo calcular a chave WPA por defeito a partir do SSID. Depois não se admirem de ter vizinhos às cavalitas da vossa ligação.

Thomson TG784

Ok, voltando à estorinha: estava eu muito satisfeito com a configuração de rede (bem, quase, o idiota do TG784 não deixa configurar manualmente o filtro de MAC Address, tem de ser com aquela brincadeira do Wi-Fi Protected Setup), quando a televisão se começa a comportar duma forma estranhíssima: para aí a cada 20 segundos, a imagem parava; ficava ali, congelada, durante um minuto ou dois. Ligar e desligar os equipamentos, resets em barda, verificar todas as conexões relevantes – nada fora do sítio. Estava na hora de ligar para o serviço de apoio ao cliente…

Uma hora e meia, e quatro assistentes depois, com dezenas de resets e upgrades de firmware pelo meio, a conclusão era a deslocação de uma equipa técnica cá a casa. Na segunda-feira. Marcação pendente, haviam de me ligar (que ainda não fizeram). E tinha acabado de gastar uma pipa de massa, a 30 cêntimos por minuto, alguns 30 euros. Crap.

Depois do jogo do Sporting (já disse crap? Crap…) e do jantar, resolvi voltar à carga: , isto deve ser algo que eu tenho para aqui, que liguei depois da instalação, que me está a atrofiar a coisa. Não me podia esquecer que a box, apesar de tudo, é um equipamento de rede. Primeiro passo: desligar tudo do TG784, excepto a box. Bang, sem falhas. Hmmm

Começar a ligar as coisas, uma-a-uma: base do telefone novo, esperar uns minutos, check; base do telefone antigo, check; media center, check; ligação ao WRT54G, freeze. Google com força, pesquisas e mais pesquisas, nada de solução. Picar as configurações, uma a uma. Do lado do ethernet, tudo ok; no wireless, idem. Configurações avançadas: routing avançado, forwards e triggers, DMZ, certo, certo, certo. QoS… hmmm…

Será que o quality of service estava a amordaçar a ligação puxada da box? Por via das dúvidas, desligar. Nunca tenho aparelhos a comer a largura de banda toda, apenas em casos pontuais, e posso viver com isso. O que é certo, é que a box bloqueava muito menos.

Já em desespero, comecei a pensar, ok, o que é IPTV? Basicamente, é grande depósito de água, de onde saem tubos para todos os clientes. O feed de vídeo é todo convertido para streams MPEG-2 ou MPEG-4 e sai para todos os clientes ao mesmo tempo. Chama-se a esta técnica multicasting.

Ora, multicasting… onde é que eu já vi isso? Pois, lá estava, no WRT54G, separador Security, sub-separador Firewall: Filter Multicast – não seleccionado. Seleccionar, ligar a box, assistir ao Eixo do Mal durante um quarto de hora – bingo!

O que eu acho que estava a acontecer – e isto é um assupônhamos – é que este router estava a apanhar o multicast emitido, e a comer a largura de banda destinada à box. Isto, associado ao QoS, levava às paragens. Ao filtrar os pacotes multicast na firewall do router, estamos a dizer ao stream “olha lá, que essa porcaria não é para mim; procura lá um equipamento que te aceite isso, e entrega tudo lá”.

Tecnologias à parte, a Meobox funciona que é uma maravilha…

Partilhar no Sapo Links Partilhar no del.icio.us Partilhar no Digg Partilhar no Twitter Partilhar no StumbleUpon Partilhar no MySpace Partilhar no Facebook

Comentários Deixar um comentário

 Categorias
 Arquivo
 Projectos em Destaque
 Últimas Postas no Blog
 Últimos Comentários do Blog