A ver posts de Maio de 2011

Não me vou alongar muito, vou só despejar uns gráficos do que propuseram dois dos candidatos e tirar a conclusão mais ou menos óbvia no fim. Cada um que tire quaisquer outras que quiser.

Há apenas uma pequena nota: os deputados dos círculos da Europa e Resto do Mundo são sempre quatro (dois para cada círculo) e, normalmente, não mudam grande coisa. Como tal, ignorei-os completamente, nem sequer os desenhando. Como tal, os gráficos têm sempre menos quatro deputados do que o real ou proposto.

Imagem geral da aplicação

Para além das tarefas mais comezinhas numa aplicação deste tipo (tralha de bases de dados, eventos dos botões e por aí), há duas áreas com algum interesse: o processo do método d’Hondt e o desenho dos assentos coloridos da representação da Assembleia.

Como disse no primeiro post desta série, encontrei esta página com os resultados eleitorais de 2009. Nessa página, descobri que os resultados são carregados via AJAX, e que o resultado do pedido (via, se não me engano, url rewrite, que não sei até que ponto coise…) é uma string JSON. Melhor que isto, nem na farmácia.

Daí a descobrir quais os números que variam de distrito para distrito (de 010000 a 180000 nos continentais, 300000 para a Madeira, 400000 para os Açores) foi um saltinho, e depois era questão de se fazer umas chamadas (eu usei cURL, mas há mais maneiras do gato ir às filhoses), uns ciclos, aproveitar os campos que queríamos, et voilá, resultados prontos a serem inseridos numa base de dados.

Como bónus adicional, estes dados trazem também os resultados de 2005, o que é ainda mais porreiro, pá.

Toda a gente já deve ter ouvido falar do método d’Hondt, sobretudo nesta altura do campeonato, onde se tem falado tanto de obter maiorias absolutas no parlamento sem maioria absoluta de votos (por acaso, mas só por acaso, não é o método d’Hondt que isto, mas sim a conjugação desse método com os círculo plurinominais – mas adiante).

Porque é que o método d’Hondt é usado, quando a bela da média aritmética, tão mais fácil de entender, distribuía os deputados que era um instante. Bem, porque, e apesar de tanta gente encher a boca com a representatividade dos partidos, na realidade ninguém quer um saquinho de gatos no lugar do parlamento; verão, mais adiante, como o uso da média aritmética, em conjunto com círculo único nacional, teria espetado no parlamento com 12 partidos em 2009 e 8 partidos em 2005 (e teria retirado a maioria absoluta ao PS).

Quando acabei de ler o programa eleitoral do PSD, fiz este comentário no Facebook:

Algumas coisas suscitam-me dúvidas (os 181 deputados podem reduzir representatividade devido ao método de Hondt, a redução a metade dos custos do TGV afigura-se-me impossível), mas registe-se que é preciso ter uns tomates de aço para apresentar um programa destes.

Nota: desde que tenho consciência política que a minha posição no diagrama de Nolan é algures por ali a meia altura do lado direito; por isso, sim, foi isto que me saltou à vista, e não outras propostas que os populistas e/ou socialistas consideram “chocantes”, “ultra liberais” e outros mimos.

Em relação aos custos do TGV, não me é possível tirar grandes conclusões sem um conjunto considerável de extrapolações – embora alguém conhecedor me garanta que sim, é possível, se forem construídas linhas de “velocidade alta” (250 km/h), em detrimento das linhas de “alta velocidade” (320 km/h).

Já quanto ao número de deputados, sempre tive esta ideia do perigo da redução de representatividade; o que é certo, é que nunca vi as continhas feitas, uma demonstração de como seria o panorama no parlamento, com alterações. Mas, na verdade, não custaria assim tanto – afinal, alguém teve de fazer contas semelhantes em 1974/75, e sem computador (vá, com umas máquinas de calcular binárias, se tanto).

JugularPonto prévio: o Jugular é dos poucos blogues que conheço que tem pré-moderação. Eu compreendo e aceito o conceito, e até adivinho a quantidade de spam e má educação que por lá passa num dia. Em teoria, sempre preferi a pós-moderação, mais transparente e responsabilizadora, sobretudo se tiver como condicionante um registo – que não é garante de nada, mas sempre é dissuasor – mas admito que me fosse, também, impossível de aturar toneladas de disparates o dia inteiro. Posto isto…

Entre as várias pessoas que escrevem nesse blogue, conta-se um distinto spinner deputado do PS, João Galamba, economista, se não estou em erro, e cujos spins posts versam, na maioria das vezes e como é bom de ver, sobre economia. Nos últimos tempos, vá-se lá saber porquê, sentiu a necessidade de efectuar um conjunto de spins posts sobre alguns temas que marcam a actualidade eleitoral. No entanto, e acredito piamente que é por servir os interesses do partido mera distracção, tem alguns erros e omissões, que fiz questão de apontar.

anonymity2Volta e meia, alguém se lembra de resmonear contra os “anónimos” da web. Normalmente, quando não se concorda com os tais “anónimos”, ou quando se está sob ataque dos mesmos. Se estiverem muito sossegadinhos, já não há problema nenhum. Se meter política, e partindo do princípio que para aí metade (estimativa extremamente optimista) dos comentadores políticos online não percebe a dinâmica, a cultura e a filosofia da web para além do espacinho dos blogs políticos portugueses, aparecem rants completamente absurdas para quem acompanhou o crescimento da cultura web.

Até ver, o mais prolífico tem sido o deputado José Pacheco Pereira, o que é engraçado, porque deve ter sido dos primeiros políticos a ter um blog, tendo a obrigação e os anos disto suficientes para já compreender a filosofia da coisa – o que não o impede de escrever coisas destas. Mas há para aí mais.

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