anonymity2Volta e meia, alguém se lembra de resmonear contra os “anónimos” da web. Normalmente, quando não se concorda com os tais “anónimos”, ou quando se está sob ataque dos mesmos. Se estiverem muito sossegadinhos, já não há problema nenhum. Se meter política, e partindo do princípio que para aí metade (estimativa extremamente optimista) dos comentadores políticos online não percebe a dinâmica, a cultura e a filosofia da web para além do espacinho dos blogs políticos portugueses, aparecem rants completamente absurdas para quem acompanhou o crescimento da cultura web.

Até ver, o mais prolífico tem sido o deputado José Pacheco Pereira, o que é engraçado, porque deve ter sido dos primeiros políticos a ter um blog, tendo a obrigação e os anos disto suficientes para já compreender a filosofia da coisa – o que não o impede de escrever coisas destas. Mas há para aí mais.

Vamos lá a ver se eu percebo aqui uma coisa: estes críticos partem do princípio que eu tenho de conhecer toda a gente pelo nome, ou do princípio que só figuras públicas podem ter blogs, pelo menos blogs políticos? Só para dar alguns exemplos dos blogs políticos que leio, sei lá quem é aquela gente toda do Jugular, à excepção de Fernanda Câncio, Inês de Medeiros, Irene Pimentel, João Galamba e Miguel Vale de Almeida. Sei lá quem é o pessoal do Arrastão, à excepção de Pedro Sales, Daniel Oliveira e Pedro Vieira. Sei lá quem é o pessoal do Albergue Espanhol, à excepção de Carlos Abreu Amorim. Acho que já perceberam o conceito.

Para mim, toda esta gente é “anónima”. Não sei quem são, onde vivem e o que fazem. E, sinceramente, não quero saber. A única coisa que me preocupa é a existência de contraditório, garantida logo pela imensidade da web, e que as pessoas ou colectivos por trás de um nome sejam coerentes e imutáveis. Se estou a ter uma discussão com pessoa Alpha, eu quero ter a garantia que a pessoa Alpha se responsabiliza, no que à discussão diz respeito, pelo que disse anteriormente. Não me interessa se essa pessoa é José Alberto ou ReallySexyPolitician1972. Para mim, vai dar ao mesmo, que não conheço nenhum José Alberto.

O Valupi, do Aspirina B, deve ter sido o maior alvo das críticas nos últimos anos. Incrivelmente, deu-se ao trabalho de se encontrar com alguns dos seus críticos para provar que é uma “pessoa a sério”. Aparentemente, aparece regularmente em público em algumas iniciativas relacionadas com a blogosfera. Mas continuam a soprar-lhe ao cangote. Go figure.

Faz-me muito mais confusão os “anónimos” Anónimos, que aparecem por aí na web, mas apenas por este motivo: a páginas tantas, já não se sabe a quem se está a responder e quem disse o quê.

E metam uma coisa na cabeça: não existe anonimato absoluto na web. Alguém, algures, sabe quem é quem. Com as motivações (por exemplo, na investigação de um crime) e recursos certos, é possível descobrir toda a gente, inclusivamente por trás de um proxy.

Adenda:

Ando para acabar isto desde Novembro, mais especificamente desde isto, mas foi a recente promoção do Vega9000 (isto é, mais um “anónimo”) a blogger do Aspirina B que me relembrou deste rascunho. O crédito onde é devido.

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