Há algum tempo que o Windows me andava a irritar com pequenas coisas: ou era um compilador de C++ que não jogava muito bem com o sistema, ou a obrigatoriedade de ligar uma virtual machine de cada vez que queria trabalhar em webdev, e até algum peso que já começava a sentir na minha instalação do Windows 7. A decisão de instalar uma distribuição de Linux andava a criar raízes, apesar duma experiência muito má com uma distro Caldera, há 14 anos.
Os meus requisitos de escolha de uma distro eram claros e objectivos: ser activamente desenvolvida; ter uma base de utilizadores desktop de tamanho considerável; ter uma instalação seguida de zero a desktop (isto é, nada como o meu conhecido Gentoo); e que o sistema de desktop fosse o KDE (o Gnome dá-me nervos, e o Unity, então, deixa-me catatónico). Não existem assim tantas distros com todos estes requisitos, e o principal factor de desempate acabou mesmo por ser o tamanho da base de utilizadores – com mais de 50% de share em desktop e em 4º lugar (a subir rapidamente) em servidor, o vencedor era claramente o Ubuntu, na sua variante KDE, o Kubuntu.
Escolhi, ainda por cima, ao mesmo tempo a pior e a melhor semana para o fazer: quando me decidi a instalar, a versão disponível era a 11.04, e poucos dias depois saiu a 11.10. É bom ter uma versão nova para actualizar, se a actualização não me partisse tudo. Por outro lado, é chato ter de passar pelo processo de actualização, a menos que resolva um ou outro problema, o que acabou por acontecer.
Anyway, ao sentar-me para começar o processo de instalação do Kubuntu 11.04, pensei que estivesse despachado ao fim de 2 ou 3 horas. Oh, não podia estar mais enganado...
xorg.confTenho dois monitores; são iguaizinhos (LG W2243S), comprados no mesmo dia, os números de série são quase seguidos. No entanto, logo ao instalar, pressenti que iam ser um problema – o instalador não tinha detectado a resolução correcta. No final da instalação, o desktop sofria do mesmo mal. As definições do ecrã mostravam-me um monitor reconhecido correctamente, deixando-me definir a resolução correcta deste, e outro como monitor genérico, deixando-me avançar apenas até 1280x1024.
Como ainda não tinha instalado nada, e preferia ter tudo detectado correctamente em vez de andar a martelar definições manuais no xorg.conf, troquei uns cabos e reinstalei; mudei as entradas dos monitores e reinstalei; liguei só com o faltoso e reinstalei; liguei só com o correcto e reinstalei e, finalmente, o instalador tinha a definição correcta, assim como o desktop. Assim que liguei o outro, ficou outra vez errado (ainda por cima, salta sempre para a menor resolução detectada).
Acabei por chegar à conclusão que o monitor faltoso só podia ter uma pequena avaria: não envia o EDID para a gráfica, impedindo a sua correcta detecção. Tive que morder a bala, e fazer alterações – várias alterações – manuais no xorg.conf, o que é sempre uma aventura de evitar. Além disso, esse ficheiro de configuração já estava bastante remexido, o que nos trás ao problema seguinte, que foi bastante entremeado com este...
Eu tenho uma gráfica NVIDIA, uma 8800 GT - infelizmente, os drivers são proprietários, pelo que o Kubuntu vem "equipado" com um driver open source, o Nouveau. Também infelizmente, esse driver é uma bela bosta: aceleração 3D é mito, e mesmo a aceleração 2D é na categoria dos corta-relvas. Felizmente (ya, felizmente), o Kubuntu tem uma aplicação para Drivers Adicionais, onde deixa instalar – entre ameaças de Inferno, Medusas e Pandoras – alguns drivers proprietários devidamente testados pelos developers.
Depois de tentar as primeiras soluções mais óbvias para o meu enigma dos monitores, tentei actualizar os drivers da minha gráfica, na esperança que fosse apenas uma má detecção "à chegada". Como o driver proprietário disponível no tal Drivers Adicionais não resolveu o problema, saquei a última das versões para Linux do site da NVIDIA, e tentei instalar. Como deveria ter previsto, a coisa não correu de feição, e acabei por ficar completamente sem KDE. Não arrancava, ponto. Conseguia aceder à consola, tentava arrancar com o X, e nada – ou melhor, erros em barda.
Modificações no xorg.conf a trouxe-mouxe, tentiva de reinstalar o driver proprietário anterior, até voltar ao Nouveau, nada resultava de forma satisfatória. Esporadicamente, conseguia chegar ao KDE, mas no boot seguinte, lá ficava eu a olhar para a consola de novo. Só depois de me convencer que o problema do monitor não podia ser do driver é que me deixei ficar com o proprietário testado, e deixar que a última versão acabe por entrar no repositório oficial a seu tempo. Depois de reinstalar... outra vez.
A minha placa de som é integrada, como quase todas hoje em dia, uma Intel HD Audio, implementação do codec Realtek ALC 890. Como não podia deixar de me acontecer, não era reconhecida correctamente, mas sim como ALC 889A. O problema: não tinha áudio nas saídas frontais.
O meu primeiro passo foi andar a mexericar no alsa-base.conf, nomeadamente acrescentar a linha options snd-hda-intel model=intel-x58 para forçar a detecção explícita, mas o máximo que consegui, depois de vários disparates, foi ficar sem som, de todo. Não tendo aprendido a máxima não invocarás o driver proprietário em vão com a aventura da gráfica, voltei a fazer a mesma asneira: descarreguei o driver para Linux do site da Realtek, instalei-o e... fiquei sem som outra vez. Além disso, devolvia uma porrada de erros de cada vez que tentava aceder ao sistema de som. Tentar desinstalá-lo só não piorou, porque já não havia por onde piorar.
Eventualmente, o problema ficou parcialmente resolvido apenas quando instalei a mais recente distro do Kubuntu, a 11.10, o que também deu vários problemas, por outros motivos.
Mas isso fica para outro post...