Cá estamos de novo no Codebits – como diz na sua tagline, “são três dias, 24 horas por dia, 800 assistentes, conferências, workshops, comida e bebidas com força, competição de programação de 48 horas, quiz show, karaoke de apresentações, competição de segurança, consolas de jogos, LEGO, divertimento, uma experiência inesquecível”.

O dia começou bastante cedo para mim, que vim de comboio. Enjoado que nem um peru, com apenas duas horas de sono; doente. E, ao chegar, com fome. Para adicionar insulto à injúria, queria tirar umas fotografias ao rio junto à Parque Expo, enquanto não abria o registo, mas um nevoeiro cerradíssimo nem deixava ver a ponte.

A organização tomou uma opção manhosa, este ano, ao deixar encerrada a zona principal, forçando toda a gente a assistir à keynote; compreendo as motivações da opção, mas não consigo concordar: a rapaziada foi forçada a esperar no átrio, que se estava a tornar incomportável para tanta gente, com mochilas, casacos e sacos-cama, e, depois da keynote, parecia a corrida ao ouro pelas mesas.

A keynote de abertura foram, na realidade, duas: a primeira pelo Celso Martinho, que podem ver aqui, e a segunda por Zeinal Bava – infelizmente, não há vídeo, nem sei se haverá, o que é pena. Zeinal Bava, guiado por um conjunto de perguntas do Celso (e grande parte das grandes respostas devem-se às perguntas certas), refere várias coisas, algumas de forma bastante contundente, que deviam estar emolduradas nas universidades do nosso país. Um discurso virado para jovens estudantes, uma lição em "aguenta e faz pela vida". Não me vou alongar muito mais, que ainda tenho esperança que o vídeo venha a aparecer e isto merece um post separado.

A mesa onde fiquei tem algumas idiossincracias engraçadas... No ano passado, com o meu Windows 7, estava claramente numa minoria sob domínio do Mac OSX - este ano, com o meu Kubuntu, estou claramente numa minoria sob domínio Windows 7; go figure. Além disso, neste momento, sou o único português na mesa, com um alemão, um brasileiro dois alemães e três ucranianos. Éramos dois tugas, mas o outro relocou-se para um projecto.

Assim que consegui abancar, foi tempo de abrir a mochila das ofertas, e ver as goodies deste ano (descrição nas fotos):

Folheto Sapo Serviçes e oferta O'Reilly Bolsa para portáteis T-shirt Kit de sobrevivência Codebits Ofertas dos parceiros

À tarde começaram as talks...

The CSS revolution. Modern ways of frontend development

A premissa era baseada no desenvolvimento de CSS usando SASS e Compass em Ruby on Rails, framework (e linguagem) em que não tenho grande interesse. No entanto, tenho interesse em SASS e Compass, e assumi que a talk iria ser mais baseada nisso, e que o RoR que aparecesse pelo meio fossem apenas snippets rápidos sobre a integração no processo da geração de CSS.

Well, não foi bem assim. Ao fim de cerca de 20 minutos, tinha apresentado os pontos fortes do SASS e Compass, nada que não se veja, até em vídeos, nas respectivas páginas oficiais, e seguiu, quase em exclusivo, para a maneira como se podia integrar no RoR.

Levantei-me discretamente (felizmente era no palco principal, escuro, grande) e saí...

Building worlds

Apresentada pelo Filipe Varela, esta talk sobre a geração de mundos foi muito boa, abordando, embora algo ao de leve, por vezes, todos os grandes tópicos com ele relacionados. Foi especialmente esclarecedora a maneira como se lida com a quantidade brutal de dados, e como optimizar as imagens apresentadas em relação ao zoom aplicado.

Ainda passou pela iluminação – momento de pânico generalizado quando mostrou as equações relativas aos cálculos da luz resultante dos vectores de incidência, normal e ponto de vista – e pela geração de efeitos atmosféricos.

Muito bom.

Dados.gov - Transforming government into a huge open data platform

Esta talk assemelhou-se mais ao pitch de um produto do que a uma abordagem tecnológica, que foi quase inexistente. O que não quer dizer que tenha sido uma má talk, pelo contrário. Se fosse um produto comercial, sinceramente, era capaz de ficar um bocado aborrecido, mas como, ainda por cima, é de uso gratuito, e qualquer coisa que façamos está a contribuir, directa ou indirectamente, para a qualidade da nossa administração pública, óptimo.

O que é o Dados.gov? Basicamente, pretende ser um repositório central de toda a informação da administração pública, desde números sobre criminalidade até históricos meteorológicos. Os conjuntos de dados disponíveis ainda são relativamente poucos (cerca de 90), mas estão a ser inseridos mais todos os dias. Afinal, o portal ainda não abriu, tendo sido cedida uma entrada para os participantes no Codebits.

Os dados já existiam e, em muitos casos, estavam até publicamente disponíveis. No entanto, essa disponibilidade era distinta em muitos dos portais (uns tinham API, outros não, uns em XLS, outros em PDF), enquanto agora passará a ficar disponível de forma consistente.

Bastou-me brincar cerca de 10 minutos com os datasets existentes para ter algumas boas ideias de mashups e pequenas apps de informação. O Estado a fazer coisas simpáticas e bem feitas é raro, por isso é de aproveitar.

Node.js in the real world: step out of the buzzword cloud and get things done!

Isto foi... enganador. Não havia nenhum real world nesta talk. Vantagens do Node.js, cuidados a ter, problemas comuns, repositórios de bibliotecas úteis, empresas e marcas que andam a contribuir para a coisa. Um exemplo start to finish, nem vê-lo.

Nem é uma questão de má preparação do speaker (Tiago Miguel Cavaco Rodrigues), ou falta de à vontade, nem nada do género - pura e simplesmente, não era o que o título (e o descritivo) me deram a entender.

Pocket Knife JS

Outra talk que me deixou meio desiludido. O tema era bom – micro-frameworks javascript para tudo e um par de botas – mas o speaker, Diogo Antunes, estava nervoso ou doente; é estranhíssimo, porque foi dele uma das talks que mais gostei no ano passado.

Queimou uma data de tópicos a correr, perdia as palavras, atrapalhava-se. Enfim, todos temos os nossos dias não. O ponto positivo é o conjunto bastante alargado de micro-frameworks abordadas, que pode servir como ponto de partida para investigações mais aprofundadas.

Outras coisas

Sapo Panoramas

O Sapo Fotos Panoramas, o novo projecto da Sapo, é porreiro por si só, mas conjugado com um Kinect e um ecrã com 25 por 4 metros, é simplesmente espectacular. Controlar a posição só com as mãos, no cimo da cabeça de um bot e ver aquela enormidade mexer à nossa frente é incrível.

Tal como me queixei no ano passado, a luz continua a ser demasiado fraca para se trabalhar convenientemente. Sério, aumentem aí mais uns 50%, que já ficava melhor (mesmo que baixassem a partir das 2h, para a malta dormir).

O bar está separado da área principal, o que tem vantagens e desvantagens: obriga a malta a fazer um bocadinho de exercício antes e depois de almoço – lembrei-me logo da Secretaria dos Passos Anafados do Marco Santos (onde é que andas esta ano?) – mas também nos obriga a largar o que estamos a fazer muito mais vezes: ir, vir, parar para fumar um cigarro, depois encontra-se uns tipos com um projecto interessante e fica-se a conversar, e por aí fora. Productivity killer.

A sala, e também o bar, está quente, muito quente. O alemão aqui ao meu lado está de t-shirt e a suar. Eu estou muito quente, também, mas como estou doente, não me atrevo a tirar a camisola. Ontem ainda ouvi um segurança a pedir, pelo rádio, para baixar um bocadinho a temperatura, mas não notei diferença nenhuma.

Stand LEGO

A presença da LEGO é mais um passo na direcção do ultimate geekiness do Codebits. A quantidade de gente que se lançou em projectos LEGO-based é impressionante (logo a começar pelo alemão aqui ao lado - depois faço um post sobre isso, porque é mesmo fixe), e ainda mais gente está sempre lá no stand a montar várias coisas. É bom saber que não estou sozinho na paranóia dos LEGO.

Também o Kinect está a ter uma adesão bastante grande nos projectos, a que não é alheio o facto da Microsoft ter disponibilizado um SDK oficial, desde o lançamento, no ano passado. Ontem à noite passei um bom pedaço a falar com o killercode, que me explicou algumas das potencialidades do aparelho; é, efectivamente, um fantástico aparelhinho.

Há mais outras coisas, mas é melhor deixar para outro post, que ainda não estive a vê-las com olhos de ver...

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