Vista geralO dia começou bastante bem, atendendo às circunstâncias – os dois bean bags aguentaram-se no sítio sem me deixarem cair (em grande parte por ter evitado mexer-me desde que me deitei, incluindo durante os 30 minutos que habitualmente demoro a adormecer), a manta que mafiei à minha esposa é muito melhor que aquela coisa estranha que a TMN ofereceu no ano passado, não dormi mais do que o esperado (até acordei antes do despertador, what about that?) e as únicas coisas más foram as do costume: ter que fazer uma gincana terrível para trocar de roupa na casa de banho e ter acordado com o nariz completamente entupido (não estou a ficar melhor, não). Até tive tempo para o meu ritual matinal do costume (cigarro » pequeno-almoço » café » cigarro) antes de começarem as talks...

My language is better than yours

Uma talk interessante, por Artur Ventura, que foi uma espécie de passeio agradável pela história das linguagens de programação, com um narrador nem por isso isento – o que é perfeitamente válido neste contexto, e até informativo. Por cada linguagem abordada, eram dados alguns exemplos, focados pontos fortes e fracos e o que o speaker pensava sobre ela, baseado na sua experiência (nalguns casos, superficial) e nesses pontos.

A única coisa que eu não compreendi foi a não inclusão do PHP e do Python, tendo em conta o ranking das duas, tanto no Tiobe, como em percentagem de tópicos no StackOverflow. Bem sei que ambas são bastante semelhantes a várias outras das abordadas, but still.

The development of the new Free/Opensource Portuguese Citizen Card Middleware

Uma viagem pela tecnologia do nosso Cartão de Cidadão, incluíndo algumas espreitadelas para o sistema de mais baixo nível. No entanto, o foco principal foi no novo middleware, desenvolvido pela Caixa Mágica e Mr. Net.

Por uma vez (quer dizer, só neste Codebits já foram duas), o Estado está a fazer a coisa correcta, da forma correcta, ao fazer um contracto para uma coisa pública que inclui uma vertente open-source. Inclusivamente, a Caixa Mágica está a oferecer um prémio para quem encontrar bugs no código-fonte que eles próprio disponibilizam, e que será parte integrante da próxima geração do software do CC.

Informação muitíssimo interessante, tanto ao nível conceptual (as potencialidades oferecidas pelo cartão e ainda não exploradas são imensas), como ao nível prático (exemplos de acesso ao middleware, para fazer... bem, muitas coisas).

Not so blind SQL Injection

Como em todas as coisas que li ou vi sobre o tema da segurança, depois desta talk vim a correr testar uns poucos de projectos para acalmar o ritmo cardíaco, que pode, ou não, ter sido acalmado. O speaker, Francisco G. T. Ribeiro, é alguém a quem eu não confiaria um tamagochi, muito menos um telemóvel ou o meu portátil; e isso, neste contexto, é um elogio.

Já vi e li várias coisas sobre SQLi ao longo dos anos, e esta deve ter sido das mais entendíveis, dada a facilidade de comunicação, a qualidade dos exemplos (incluíndo exemplos live – que medo!). O ponto principal era, como o nome indica, ataques blind SQLi, que é uma técnica que eu não conhecia e... digamos que a ignorância é uma benção. Acho que vou ter pesadelos hoje...

Outras talks

Assisti ainda a outras talks menos interessantes (não que fossem desinteressantes, per se, mas porque eram menos técnicas ou mais esotéricas, ou com pouca aplicabilidade, pelo menos, para mim).

Notavelmente, a talk Mission Possible: Inspire Young People With Technology, sobre a FIRST LEGO League, uma competição para equipas de até 10 crianças entre os 9 e os 16 anos e, pelo menos, um mentor adulto, para construir um robô autónomo para resolver problemas reais, e aprender muitas coisas pelo caminho. A FLL tem, inclusivamente, um conjunto de valores fundamentais, e nenhum deles passa pela competição em si, mas sim pela aprendizagem, companheirismo e fair-play, diversão e respeito. Eu achei o projecto fantástico, e vou publicitá-lo activamente junto dos pais dos colegas da minha filha mais velha (que ainda está fora da faixa, mas há-de lá chegar).

Fora esta, a que assisti completamente, assisti ainda a várias em regime de time-sharing, passeando por aqui devagarinho - nenhuma foi chamativa o suficiente para ficar de pé a ouvir (sim, porque as poltronas é só para quem chega adiantado), mas apontei algumas para ver em deferido no Sapo Vídeos.

Outras coisas

Meo MusicBoxMeo JogosPT InovaçãoImpressora 3DVárias áreas do grupo PT fizeram-se representar forte e feio, como o serviço MusicBox e Meo Jogos, a PT Inovação, com demonstrações de novas funcionalidades, os Sapo Labs, com alguns projectos, nomeadamente ao nível da interpretação e visualização de dados (tinham algumas visualizações muito interessantes sobre a maneira como uma dada personalidade estava ligada a outras, analisando o conteúdo de notícias).

Outros parceiros, como Microsoft, mais uma vez dando grande destaque ao Kinect e a BioDevices com o seu VitalJacket (isto também é tecnologia brutal, peças de roupa com capacidade de monitorização e envio de dados vitais), também marcam presença. Em repetição do ano passado, a InMotion, desta vez acompanhada pelo AltLab (é um hackerspace), estão cá com os seus vários gadgets electrónicos (incluindo, novamente, a magnífica impressora 3D que podem ver aí ao lado).

Como não podia deixar de ser, o evento cronológico de 11-11-11 11:11 foi assinalado, e foi-o com um même: a música do Nyan Cat. Que medo. Ah, e um comboinho, que, como sabem todos os que alguma vez tenham estado comigo num baile, num casamento ou, em geral, qualquer ajuntamento com mais de dez pessoas e música fatela, é coisa que abomino. Mas pronto, não me vieram chamar, o que já não é mau, e serviu para distrair...

Este ano houve Nuclear Tacos outra vez e, numa reacção muito pavloviana, mantive-me prudentemente afastado dessa manifestação de belzebu em forma de comida. O mesmo não se pode dizer de um pobre jovem que encontrei, a quem a Jonas estava a aplicar o seu instinto maternal: ninguém o avisou de forma veemente (porra, aquilo tem um disclaimer, pá!) dos efeitos nefastos. Com um corpo franzinito e tendo-se atirado ao nível 3 (yep, este ano tinha níveis - o nível 1 era ligeiramente inferior aos do ano passado, o nível 2 já era acima e o 3 pertence a uma estação de tratamento de resíduos tóxicos e não a uma cozinha), a coisa caiu-lhe que nem uma bomba no estômago, e o refluxo ácido deve ter feito das suas. Aparentemente, foi assistido por um médico (pega lá uns comprimidos e aguenta-te à bronca) e passou um mau bocado. Now you know.

Antes do Amazing Codebits Quiz Show, ainda tivemos direito a uma guloseima, a visualização do episódio piloto de uma nova série de televisão portuguesa, Capitão Falcão. O negócio ainda não está fechado quando à emissão da primeira temporada, mas diz que está bem encaminhado. E bem merece: a série é um misto do disparatado da série Batman & Robin, a teatralidade de Duarte & Cia. e o desvio de valores associado ao Estado Novo. Sim, é um super-herói português, ao serviço de Salazar. As situações de physical comedy são recorrentes, o que não é, de todo, mau; o contexto histórico fornece o resto do potencial cómico, ao ver o Capitão Falcão declamar as suas melhores linhas com uma cara de pau impressionante. Ah, o Puto Perdiz (o inevitável sidekick) vestido com uma nada descarada cópia do fardamento da Mocidade também é hilariante.

O Quiz Show é outro poço aparentemente sem fundo de comicidade, e ainda dá para aprender algumas coisas (umas úteis, outras... not quite). O quizmaster é meio génio, meio louco, com um toque de você-é-o-elo-mais-fraco e, em suma, é um bom espectáculo.

Acabei a noite (sort of, ainda estou a escrever isto) a discutir sistemas de patentes, open source, rentabilidade, pitching de produtos e mais uma porrada de tópicos associados com o parceiro de projecto (português) do alemão que está ao meu lado (já disse que o projecto é espectacular? o projecto é espectacular!). Eu não sei se posso falar sobre o projecto publicamente, pelo menos para já, mas é espectacular (já tinha dito isso?).

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Comentários Comentários Imagem do Feed RSS

Marco

Não apanhei o nome dele; também, ele não estava em grandes condições de dizer o nome... :p

O dia 3 é capaz de demorar um bocadito - depois de um intervalo em Aveiro, só cheguei agora aqui atrás das pedras.

jonasnuts

Opá.....estava mesmo com pena do puto.... Ricardo, não era?

 Nice review :) Fico à espera da do dia 3 :)

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