Entrada

Com alguns dias de atraso, aparecem finalmente as notas do 3º dia de Codebits V. Tal como no ano passado, o dia da partida e os dias seguintes são demasiado preenchidos e cansativos para isto aparecer mais rápido – a gerência pede desculpa.

À noite ocorreu uma situação que eu não tinha previsto: como estive acordado até bastante mais tarde do que no dia anterior, a quantidade de malta que já tinha construído o ninho era bastante maior, tendo usado a quase totalidade dos bean bags existentes. Depois de duas voltas ao recinto, encontrei apenas um livre, e tive que me desenvencilhar. Isto é, as minhas costas e traseiro tiveram que lidar com o chão duro o melhor que puderam; apenas duas horas de sono e directamente no chão não foi propriamente a minha experiência ideal de vida.

De qualquer forma, acordei um bocado atrasado, e depois de tratar dos afazeres matinais (vá lá, Sapo, uns vestiários – eu já nem peço uns chuveiros; é que trocar de roupa na casa de banho dá uma trabalheira do demónio) e do pequeno-almoço, incrivelmente, ainda cheguei a tempo de apanhar as talks que queria ver ao vivo. Provavelmente, algum atraso deve ter jogado a meu favor.

The future of programming languages

Depois de já ter visto uma talk sobre a história das linguagens de programação, esta era precisamente o inverso, um olhar sobre o que o futuro nos reserva, através dos exemplos que temos das novíssimas linguagens actuais.

O speaker, Alcides, sabe rodos daquilo, falou de algumas linguagens que eu nem remotamente sabia que existiam, e acaba com uma conclusão relativamente surpreendente: apesar de tudo, o C, o C++ e o Java não vão desaparecer num espaço de dez anos. A antiguidade, e consequente maturidade, destas linguagens, a quantidade de developers que nelas trabalham e a existência de imenso legacy code (que tem de ser mantido ainda por alguns anos) garantem que assim aconteça.

How I'm building my bi-copter with Arduino and Android

Como não podia deixar de ser, eu tinha que assistir a uma talk com coisas voadoras. Quando vi o título da talk, fiquei extremamente curioso – só existem três tipos de bi-copters e dois deles são normalmente chamados simplesmente de helicopters. Intuí logo que tipo de bi-copter é que estava a fazer e já esperava o falhanço: os helicópteros de dois rotores em linha são dos mais instáveis que existem, e quando, ainda por cima, são basculantes, pior. Pensem V-22 Osprey (usado pela Marinha e Força Aérea dos EUA). Um heli com rotor vertical de cauda, apesar de mais complexo ao nível do controlo das pás do rotor principal, é consideravelmente mais estável do que este; e se formos para um sistema de contra-rotores no mesmo eixo (como muitos Mil e Kamov), ainda mais simples se torna.

É verdade que o aparelhinho não voa, mas está bastante mais estável do que eu esperava. As unidades inerciais usadas também não são das melhores do mundo para este tipo de projecto (foram escavacadas de comandos Wii). Aparentemente, os controladores de velocidade dos motores também não são apropriados, visto que um deles cortou o motor durante a demonstração (o speakerLuis Correia, chamou a atenção para este erro que ele cometeu, para que outros não o cometam). Finalmente, a ligação com o Android parecia estar bastante evoluída, apesar de não ter sido possível observar ao pormenor o comportamento do bi-copter realmente controlado, em voo, pelo smartphone.

Os projectos

Entre o final das talks e o início das apresentações dos projectos havia um intervalo considerável no horário, que se tornou ainda maior na prática. Durante esse tempo, aproveitei para cirandar mais um bocado, a apreciar mais projectos. Além do meu projecto preferido, que já mencionei em passagem aqui, estava a seguir também o Meo|Kinect, uma forma de controlar a Meobox por gestos, usando o Kinect, do killercode, e vi mais alguns in-the-works, nomeadamente o The Grid, uma forma de aceder aos dados do Facebook através do sistema de ficheiros, de que gostei bastante, como prova de conceito.

Também durante este tempo, tive um pequeno sobressalto com as análises do júri da competição – estavam a chamar alguns dos projectos para uma segunda visita ao confessionário, e o meu primeiro pensamento foi que esses projectos suscitavam dúvidas ou estariam em causa por algum motivo; um desses projectos era o tal por que eu puxava. Claro que não podia estar mais errado; o júri estava precisamente a chamar os projectos mais promissores, para confirmar que não se teriam enganado à primeira e para decidir quem seriam os vencedores.

A hora marcada das apresentações veio e passou, e eu a ver a vida a andar para trás, que tinha viagem marcada e não estava a ver a coisa a mexer. As equipas ainda faziam testes ao equipamento, para ter a certeza que estava tudo pronto no palco; acertar a ordenação de apresentação... Com quase uma hora de atraso, finalmente começaram.

Depois de alguns problemas iniciais – o site para votação crashou e estava lento como tudo, depois as cores dos votos no ecrã gigante estavam trocadas – a coisa entrou nos eixos e foi sempre a aviar. Felizmente, consegui ver quase todas as apresentações cujos projectos me tinham despertado a atenção (a MeoInstantShare foi das que tive mais pena de perder).

Existem duas notas que quero assinalar em relação às apresentações.

A primeira é relacionada com o meu projecto preferido, que, se ainda não adivinharam, era o Lego Coding. Estando sentado ao lado do Peter Bouda, e tendo assistido à concepção da ideia e as várias fases por que passou, tendo trocado impressões, tive tempo de assimilar a grandeza e alcance do conceito. Além disso, tendo duas filhas, e sendo a minha esposa Educadora de Infância, tenho, talvez, uma predisposição circunstancial para ver o que estava subjacente. Depois, já o projecto estava finalizado, falei durante algum tempo na madrugada de Sábado com o Pedro Leite, cuja visão de mercado contrastava com a visão técnica do Peter, o que também me ajudou a visualizar o potencial comercial.

Agora, como se passam todas estas valências numa apresentação de 90 segundos? Eu acho que, para este projecto em concreto, não é possível. Penso até que a apresentação dada pelo Pedro é a melhor possível, nas circunstâncias, mas para o público-alvo errado. Para uma audiência de 800 geeks, não é a falar do tamanho do mercado de brinquedos educativos que vamos lá. Para vender o conceito a uma distribuidora? Sem dúvida.

A segunda é relacionada com o grande vencedor da votação do público, o Nuclear Taco Sensor Helmet Gameshow. Eu sou um grande fã do conceito (e da implementação) de collective intelligence. Penso que, em média, a collective intelligence dá melhores resultados do que qualquer outro método de apoio à decisão. No entanto, em situações muito concretas, este conceito pode dar lugar ao bastante pior collective dumbness, e foi isso que aconteceu com este projecto.

Não me interpretem mal: a apresentação foi hi-la-ri-an-te! Eu chorei de tanto rir. Quando chegou a altura de votar, o botãozinho vermelho ficou debaixo do meu dedo, como é lógico. O projecto em si não tinha interesse comercial absolutamente nenhum; o interesse cómico é praticamente restrito às pessoas que frequentam o Codebits; e inovação tecnológica foi coisa que não existiu – qualquer pessoa que já tenha trabalhado com um Arduino sabe que ler três sensores, fazer umas contas e controlar um servo é trivial e croquetes. A ideia em si é boa mas, como já disse, bastante restrita ao contexto. Não percebo como é que a collective intelligence não vê isto, e vota baseada em exclusivo na apresentação.

Tive bastante pena de não acompanhar o resto dos projectos, mas o comboio não espera e tive que sair.

Qual não é a minha surpresa, e contentamento, quando vejo na edição online do Público que o projecto vencedor tinha sido, precisamente, o Lego Coding. Só prova que o júri tem pestana para a coisa. Agora vamos lá ver o que conseguem fazer com o conceito (o conceito tem muito mais alcance do que os Lego, ou do que programação – pensem no Scratch, mas com objectos físicos).

Ainda tenho várias apresentações que quero ver no Sapo Vídeos, cerca de uma centena de notas para resumir, abandonar ou investigar em profundidade, e mais dois posts um post para fazer nesta série: um com as notas finais, resumidas destes três posts, das minhas notas, dos vários apontamentos nas redes sociais que fui fazendo e do inquérito, que já respondi, sobre o evento; o outro, tal como no ano passado, um mini-repositório da matéria dada, para minha referência de investigação futura.

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