A ver posts de Novembro de 2012

Codebits VI

Inexplicavelmente, ontem esqueci-me de assinalar a The Art of Readable Code, de Pedro Morais, uma talk que devia ser obrigatória em qualquer nível de ensino relacionado com a programação. Muito boa talk.

Depois de uma noite mal dormida (como sempre no Codebits), arranquei logo de manhã para Fast relational web site construction with PHP, de Nelson Gomes. As minhas aspirações foram ligeiramente defraudadas, em parte pelo cansaço, em parte por ter extrapolado mais da descrição do que o que lá estava. Como dizem os namorados americanos nos filmes, it's not you, it's me.

O foco da talk foi quase em exclusivo no motor ORM Doctrine e no motor de templating Smarty, quando eu tinha esperado que fosse mais sobre motores de ORM e templating em geral e depois algumas considerações sobre estas em particular. Não havia rigorosamente nada na descrição que levasse a esta minha conclusão (acabei de verificar novamente) e não sei de onde a fui tirar. Não tenho grande interesse no Doctrine (usamos a nossa própria framework no trabalho) e conheço Smarty de trás para a frente (este site, por exemplo, usa-o). A talk é boa para iniciantes, ou para quem esteja no processo de escolher motores, mas não é o meu caso. O cansaço também não ajudou – fechei os olhos várias vezes.

À tarde, a Move fast & break things, do inenarrável Miguel Gonçalves, era imperdível. Como sempre, o dinanismo é esfuziantemente contagiante, o discurso motivacional é o correcto mas... a crowd é errada. Ele apanhou algum calor na parte de perguntas e respostas, porque esta rapaziada já é a que tem o mindset correcto (não estaríamos cá se não fosse esse o caso). Algumas pessoas levaram a mal o trabalhar mais, trabalhar melhor, o que é compreensível quando estamos a falar de pessoas que já estão em frente a um computador mais de 12 horas por dia. A esmagadora maioria percebeu que o problema não está em nós, e que o principal nem é a quantidade do trabalho, mas sim a motivação com que o fazes; não obstante, o discurso poderia ter sido ligeiramente adaptado, tendo em atenção as características muito específicas da audiência. No entanto, não deixa de ser sempre uma talk imperdível. E foi.

Depois de uma talk menos conseguida no ano passado, Diogo Antunes volta a estar em grande forma com It works on your computer but does it render fast enough. Como alguém que passou as últimas duas semanas a optimizar o rendering de um projecto profissional, estava especialmente ansioso por mais um truque ou outro que pudesse aplicar. Infelizmente, acabei por aprender que já estou a usar todos os truques aplicáveis, mas foi muito interessante ver explicado decentemente aquilo que tive que aprender, às vezes de forma incompleta, nas últimas semanas.

Com especial destaque para as operações de reflow e redraw dos motores de rendering dos browsers, esta talk é especialmente informativa e dada de forma quase irrepreensível (nota-se que o inglês não é a língua nativa).

No final desta talk ainda tive a oportunidade de debater os meus dilemas com o tal projecto profissional com o Diogo e com o sempre disponível André Luís, que só confirmaram o que eu já temia: há um limite para a optimização que um webdev pode fazer; há certos dispositivos que não estão preparados para certas cargas, ponto.

A fechar a tarde, The Yin-Yang of web authentication, de Nuno Loureiro, parte da equipa de segurança do Sapo, e João Poupino, da nova CloudPT. Alguns dos vectores de ataque foram novos para mim (os baseados em timings são especialmente assustadores) e alguns dos métodos de defesa também. Sem dúvida uma das talks com melhor taxa de material aprendido por minuto... ;)

Por exemplo, ao fim destes anos todos, aprendi que CAPTCHA, na realidade, é um acrónimo para Completely Automated Public Turing testes to tell Computers and Humans Apart. Wow.

O plano nocturno foi o sempre hilariante The Amazing Codebits Quiz Show. Eu não sei onde raio o Quiz Master vai buscar certas perguntas (e certas respostas) que não lembram ao demónio. Quanto é um ångström? A sério? Qual é o país com a maior bebida standard? Os países têm uma bebida standard?

Durante grande parte do dia e da noite, fui seguindo alguns projectos de malta conhecida e ajudando no que podia.

Um grupo de estudantes do Técnico resolveram fazer uma aplicação Android que funcionasse como um shout georeferenciado, o que é uma ideia interessante. Pormenor: nenhum deles sabia programar Android. Fui passando várias vezes por lá, a orientá-los pelos vários pitfalls que o Android SDK tem (a última foi aquele problema irritante de não se poder instalar a mesma app quando se muda o namespace).

O KTachyon, que é um programador competentíssimo e de certeza que não precisa da minha ajuda, está com uns colegas a fazer uma aplicação que junte os vários serviços de alojamento de ficheiros, Dropbox, Google Drive e agora o CloudPT. A meio da madrugada, a API do CloudPT estava a dar-lhe um bocado de luta e estivemos a debater durante um bocado o que poderia estar a correr mal. Eu fiquei sem saber muito bem, mas aparentemente ele conseguiu desbloquear a coisa.

O Killercode, que tem sempre ideias muito maradas envolvendo hardware (no ano passado era controlar a MeoBox com o Kinect) anda ali de volta de um Arduino controlado via bluetooth por um Android. Eu disse que era marado.

Passei algumas horas da madrugada com o KTachyon e alguns amigos a discutir um monte de coisas, desde o ainda aftershock da talk do Miguel Gonçalves, o estado do nosso país, o estado da nossa educação (entre os participantes, um professor de biologia, que, a meio da carreira, decide que afinal quer ser é programador - awsome!), dificuldades e oportunidades na nossa área, old school gaming e se os porcos têm ou não asas.

Estamos no último dia. Hoje é que é a doer para muitos participantes. Boa sorte a todos!

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Codebits VI

RaspberryPiUltimakerDepois de mais um ano de preparação, um excruciante processo de selecção e, para muitos de nós, uma viagem mais ou menos longa, começou um novo Codebits. Não sei como é que conseguem, mas o geek level aumenta sempre. Se no ano passado a parada foi subida com a presença da LEGO, este ano conseguiram trazer não só uma presença oficial das impressoras 3D, através de Erik de Bruijn, da Ultimaker, como também do RaspberryPi, através de Rob Bishop, da RaspberryPi Foundation.

Mas começemos pelo princípio.

A keynote de abertura foi conduzida pelo Celso Martinho, como é habitual, cabendo a Abílio Martins, administrador da PT, a maior fatia, face à indisponibilidade de Zeinal Bava. Vários serviços apresentados (Meo Kanal no iOS – Android, para variar, é mato – API Meo Kanal, novas inovações dos Sapo Labs, mais Sapo Services), mas com uma recepção relativamente morna, no máximo.

CloudPT

Coube à Jonas dar a notícia que obteve a maior reacção da plateia: depois de apresentado o serviço CloudPT, com a disponibilização imediata do serviço para os participantes do Codebits – que, afinal, até nem era segredo desde há alguns dias – revela que, como early adopters do serviço, os 16 GB oferecidos pela plataforma seriam estendidos, para sempre e sem contrapartidas, para 50 GB. A reacção foi estrondosa. A aceitação do serviço, pelo que tenho visto por aqui e no Twitter, tem sido muito positiva. Infelizmente, a integração com Linux restringe-se ao Ubuntu, para já, e eu fiquei um bocado no gelo com o meu Kubuntu (teoricamente, podia puxar as 50 mil dependências do Gnome mas... prefiro não o fazer). Ainda não tive tempo para usar a interface web, que tem muito bom aspecto, por sinal.

A keynote derrapou no horário violentamente – já tinha começado atrasada, e só piorou – e as talks começaram de forma mais ou menos caótica, com muita gente ainda a tentar almoçar. De qualquer forma, ainda consegui apanhar a parte final de RaspberryPi: Past, Present and Future, por Rob Bishop.

Entre conhecer pessoas e discutir projectos com vários grupos, não podia perder Bits to business, how to sell your software, de Brian Suda, que, como é habitual, ofereceu uma talk fascinante, dinâmica e bem humorada sobre criação (e manutenção) de empresas tecnológicas, com temas tão díspares como o controle do tempo de trabalho útil e quando gastar dinheiro da empresa (antes de pagar os impostos, como qualquer contabilista saberá).

Ao final da tarde dirigi-me ao workshop do RaspberryPi. Tenho o meu encomendado, mas era conveniente ter alguém que soubesse o que está a fazer por perto na primeira vez que lhe metesse as unhas. Correu razoavelmente bem, embora a linguagem usada no workshop (Python) não seja exactamente das minhas linguagens preferidas.

Já tinha tido a oportunidade de conversar com o Rob Bishop sobre alguns projectos que tenho em mente para esta plataforma, mas durante a noite ainda os discuti também com Filipe Valpereiro, da InMotion, que, aliás, é quem os está a vender cá. As perspectivas são boas, sobretudo depois do Filipe ter revelado que está a contar comercializar o resto do hardware necessário (touch screens para ligar o Pi).

Indie Game – The MovieAo final da noite, foi projectado o documentário Indie Game – The Movie (vencedor do festival Sundance), que segue o antes, durante e depois de três jogos indie e dos seus developers. Não é um documento técnico, mas extremamente humano, com o enfoque na motivação das pessoas que o fazem, como os seus jogos reflectem as suas falhas e aspirações. Eu recomendo vivamente que comprem este filme – custa apenas $9,99 e está disponível na Amazon, Steam e iTunes por download (sem DRM) ou stream.

Durante as primeiras horas da madrugada cirandei por aí, a conversar sobre os projectos de vários grupos, fui atacado com nerf e fui finalmente arrochar umas horas.

O Codebits segue dentro de momentos.

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