Secretárias escolares
A partir desta foto de DQmountaingirl – Creative Commons BY-NC-SA 2.0

Durante o meu percurso escolar, tive uma dúzia de professores francamente maus (científica ou pedagogicamente, nalguns casos, em simultâneo), a esmagadora maioria era meh e uma dúzia deles muito bons.

Numa altura em que anda para aí toda a gente excitada com a luta dos professores, aproveito para escrever algo que andava há que tempos nos meus planos: uma série sobre os professores que me marcaram pela positiva. Isto não é sobre a luta dos professores – tenho uma opinião sobre isso, como, aliás,  qualquer pai devia ter, mas este post não é sobre isso e essa opinião ficará para outros locais.

É só um arremedo de homenagem aos melhores professores que tive.


A meio da primeira classe pedi ao meu pai para me trocar para a turma do professor Jaime. Quando um catraio de 7 anos pede para trocar de turma, podem ver o calibre da professora que eu tinha (eu disse que não ia falar sobre maus professores e logo a abrir já me desbronquei – em abono da senhora, ela não andava bem de saúde; ouvi dizer anos mais tarde que tinha metido baixa psiquiátrica até à reforma).

Professor da velha guarda, era, na altura, o director da escola (numa altura em que os directores de escola não tinham grilhetas burocráticas e ainda podiam dar aulas). Tinha uma mui respeitável cana-da-índia a que dava muito uso1, uma grossíssima régua de madeira a que dava ligeiramente menos e, em não tendo nada à mão, também não se coibia de distribuir uns tabefes…

… como daquela vez em que copiámos todos um problema de matemática pelo Joel que, quis o destino, estava errado, e correu-nos a todos ao estalo (menos a Dulcineia) antes de nos mandar para o recreio pensar sobre o assunto (e esfregar as bochechas).

Mas também vinha jogar futebol no intervalo. E ensinava-nos a fazer aviões de papel que voavam mais tempo.

Já não me lembro se nos ensinava bem ou mal (já foi há mais de um quarto de século, porra!), mas tenho uma vaga ideia que só chumbaram três ou quatro tipos na quarta classe (sim, a rapaziada chumbava mesmo na primária), por isso presumo que nos tivesse ensinado bem.

Mas o que ficou dessa altura foi respeito (não confundir com medo, que também lhe tínhamos um bocadito), rectidão e responsabilização por actos próprios.


1 Devido ao uso intensivo da cana-da-índia, volta e meia, estava partida, mas nunca passava muito tempo até aparecer outra. Certo dia, num desses interregnos sem cana, o nosso colega Garcia, cujos pais tinham uma quintinha, traz uma cana novinha em folha para oferecer ao professor. Está bom de ver que foi o primeiro a roer com ela nos costados, passado umas horas...

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