A ver posts de Abril de 2014

Codebits VII

Durante o Codebits é sempre possível encontrar algumas empresas, associações e pessoas muito interessantes. Outras nem por isso. Isto não pretende ser uma lista exaustiva – aliás, dada a quantidade de pessoas, empresas e organismos interessantes presentes, seria uma lista para vários posts; estas são apenas as que me foram mais marcantes este ano (por boas ou, mais raro, más razões).

Topo #1 – os construtores: Hipnose e Artica

Apesar de não ser visível, é virtualmente impossível dar dois passos sem tropeçar no trabalho destas duas empresas. A decoração, a imagem e som… quase todo o ambiente de fundo que nem damos conta. Os palcos secundários são excelentes. O som é excelente. O grafismo projectado é excelente. É um óptimo trabalho. Já mencionei Pong em ecrã gigante? ;)

Já agora, é uma óptima oportunidade para mostrar o fantástico timelapse criado pelo Pedro Moura Pinheiro da montagem do Codebits:

Bee The First da Beeverycreative

Topo #2 - Beeverycreative

Esta tinha que vir perto do topo da lista, por vários motivos.

Em primeiro lugar, porque são da minha zona, e eu sou um tipo um bocado bairrista. Nascidos na incubadora da Universidade de Aveiro, já são independentes e instalaram-se na Gafanha de Aquém, Ílhavo, of all the places.

Depois, e talvez mais importante, porque é provável que tenham colocado o pé na porta na altura certa para as impressoras 3D. A Bee The First é, neste momento, a mais bonita impressora 3D do mercado. Apesar de já existirem a algum tempo, as impressoras 3D disponíveis até agora no mercado ficariam sempre muito deslocadas fora duma geek cave – esta é a primeira que uma esposa não-geek aceitaria no escritório lá de casa ou até na cozinha.

Isto é muito relevante e poderá mesmo ser um dos principais factores para a explosão do segmento de consumo (isso e a potencial baixa de preço, que, por quase 2.000€, ainda é puxadito).

Topo #3 - Phold

Mais uma empresa nascida na incubadora da UA, com um produto “como-é-que-não-me-lembrei-disto-antes”. É um suporte/arejador para portáteis em cartão inteligentemente dobrado. É leve, desmontável – fica plano, pronto a arrumar – e incrivelmente resistente, tendo em consideração que é só cartão, devido ao engenho com que as dobras e encaixes foram implementados.

Pessoalmente, nunca fui grande fã destes arejadores de portáteis; sempre me pareceram muito peso e espaço ocupado para poucos benefícios. Depois de usar este durante dois dias, estou absolutamente rendido, até porque, basicamente, salvaram-me as costas. Vai passar a andar sempre junto com o portátil.

Projecto RiftCycles de The Arcade Man

Topo #4 - The Arcade Man

Luís Sobral de seu nome, mas muito mais conhecido pelo seu alias, já nos habituou às suas fantásticas recuperações de arcades, mas este ano ultrapassou-se de largo.

Light cycles do filme Tron (na realidade são do Tron: Legacy)? Porreiro. Implementação, pela Overflow Interactive, de um jogo a condizer, embora simples? Ok, ninguém estava à espera de jogar o original dos anos 80 em cima daquelas motas fantásticas. O que falta? Ah, claro, ligar uns Oculus Rift para jogar em realidade virtual. The Arcade Man, ganhaste um lugar de destaque no panteão geek.

Deve ter sido, de longe, a atracção mais concorrida, não só da Hardware Den, mas de todo o Codebits (com a provável excepção do refeitório…).

Topo #5 - Sapo Labs

Sapo Labs traz sempre coisas interessantíssimas para mostrar e esta ano não foi excepção. Duas coisas chamaram-me especialmente a atenção: o Bussaco Digital e a Grande Área.

Bussaco Digital foi desenvolvido para a Fundação Mata do Bussaco e pretende ajudar no esforço de reflorestação da Mata do Buçaco, atingido por um ciclone no início de 2013. Depois de se registarem, plantar uma árvore custa entre 0,50€ e 2,00€ e colocar uma dedicatória àquela pessoa especial numa das árvores mais notáveis da Mata custa 20,00€ por ano. O mais interessante deste projecto, a nível tecnológico, é a geo-referenciação das árvores plantadas pelos utilizadores. Tem a sua pinta visitar a lindíssima zona do Luso e poder dizer “esta árvore em particular fui eu que plantei” (ou que paguei, vá…).

Grande Área é um projecto de big data sobre futebol; ainda não está disponível – ficará público no início do Mundial – mas será um repositório interactivo de dados relacionados com equipas e jogadores, com uma linha do tempo e grafismo muito interessante e claro. Será uma ferramenta extremamente interessante para jornalistas desportivos e aficionados futebolísticos.

Topo #6 - MafraLab

Ok, estes não estavam oficialmente representados no Codebits, mas eu tinha que os referir nalgum lado. Eu conheço o Diogo Alves, aka @killercode, do Portugal-a-Programar já há alguns anos e encontro-o uma vez por ano no Codebits, onde apresenta quase sempre (este ano foi a excepção) projectos marados envolvendo muito hardware hacking. Desde a última vez, tinha esta novidade: a fundação de um hackerspace em Mafra. Em Mafra! Eu moro numa capital de distrito, bolas, e o hackerspace mais próximo fica-me a 80 km. Os mafrenses têm um hackerspace só para eles. Custos de viver na província…

Fundo #1 – Nescafé Dolce Gusto (ou as meninas da Nescafé Dolce Gusto)

Como é habitual, o café é uma constante no Codebits. Este ano, em vez de uns balcões incaracterísticos, onde meninas e meninos genéricos despachavam cafés à geekalhada, a Nescafé resolveu formar parceria com o evento e colocar à disposição a sua gama Dolce Gusto. Fartei-me de emborcar Buondis, que é das marcas de café que mais gosto e que é tão, tão difícil de encontrar em cafés normais.

Como bónus, o balcão principal estava tripulado por duas simpatiquíssimas meninas, que nos tratavam, como há 4 anos genialmente colocou o Marco Santos, “como Brad Pitts do teclado”. E aqui está o meu problema: três dias, das 10 da manhã às 11 da noite… duas meninas.

Pronto, eu sei que a Sapo não tem nada a ver com isto, nem, na realidade, a Nescafé; as meninas seriam de uma daquelas agências de trabalho temporário, ou algo do género. De qualquer forma, terei sido o único a reparar na brutalidade de horas que as mesmas duas raparigas ali estiveram de pé, os três dias?

Fundo #2 – Microsoft

É um apontamento muito curto: para a dimensão que a Microsoft tem, não deveria estar melhor representada? Eu explico: salvo por breves períodos, quem normalmente estava no stand eram meros promotores, dificilmente os interlocutores adequados para os participantes de um evento desta natureza. Não seria possível dispensar meia dúzia de geeks lá dos escritórios durante 3 dias?

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Antes de continuar a escrever o que tenho planeado sobre o Codebits, tenho que dar aqui um salto para o final e para a entrega de prémios.

Este ano, pela primeira vez (pelo que é, também, uma novidade), participei de pleno direito num projecto – tenho participado noutros, mas por pouco mais do que apoio moral e carro-vassoura para quando a rapaziada se atola um bocado, e sempre de maneira oficiosa. Pessoalmente, gosto da liberdade que isso me dá: a liberdade de poder ajudar vários projectos (o que tem acontecido), a liberdade de poder ver as talks todas que me apetece sem sentir o peso do trabalho por fazer, o desprendimento – nunca total, porque acabamos por ter sempre favoritos – com que assisto às apresentações…

Este ano, no entanto, foi diferente; e foi diferente porque quem estava a precisar de ajuda era o brilhante Peter Bouda, que respeito muitíssimo desde que o vi implementar o Lego Coding em 2011. Estávamos sentados relativamente perto, e fomos trocando impressões logo desde o início da tarde de quinta-feira, quando ele ainda nem sabia o que ia fazer. Quando finalmente se decidiu pelo que veio a ser o Spelling Loom, vi logo que estávamos perante mais uma das suas fantásticas ideias. Ao final da tarde, fiquei mortificado quando me apercebi que o Peter não estava a conseguir encontrar um elemento fundamental para a sua equipa, um músico.

Fiquei em conflito comigo mesmo. Sou um compositor bastante medíocre, para não dizer pior, e já não compunha nem um compasso há mais de cinco anos – no entanto, deveria chegar. Mas… e a minha liberdade, o meu desprendimento, as 20 mil coisas que há para fazer no Codebits e que não ia consegui fazer? Além disso, a ideia era mesmo boa, para além da estrelinha que sempre parece acompanhar o Peter…

Acabei por arranjar uma solução de compromisso com a minha consciência e com ele: se até ao final da noite não conseguisse arranjar ninguém, eu atirava-me a isso na sexta-feira logo de manhã. Não conseguiu. Depois de ler algumas coisas durante a madrugada, experimentar alguns softwares de edição musical (lá está, não compunha à que anos e nunca tinha sequer composto em Linux, que é o que uso agora), atirei-me à composição mal cheguei à Sala Tejo na sexta-feira. Afinal, eram só quatro compassos, quanta asneira poderia eu fazer em tão pouco espaço? Parece que ainda alguma… De qualquer forma, para o que é, bacalhau basta, e a coisa acabou por sair menos mal a meio da tarde.

Gravar o vídeo de apresentação do projecto, e continuar a implementação furiosamente. Entretanto perdemos o Pedro Manha, o outro developer, que teve de ir embora ao início da noite.

No sábado, o projecto estava alinhavado, a preocupação passou para a apresentação final de 90 segundos e para a “ensaboadela” prévia frente ao júri. Fomos chamados, e lá fomos, eu praticamente como apoio moral, mas cujo papel me dava jeito para poder apreciar as reacções dos jurados enquanto o Peter apresentava o projecto e respondia às perguntas. Felizmente, aqueles 8 verdadeiros monstros da tecnologia não são tão durões como querem aparentar, e deixaram transparecer o seu agrado (foi épico quando o @poingg respondeu pelo Peter a uma pergunta com rasteira de outro jurado).

Saí relativamente confiante da sala. Excepto se houvesse muitos projectos realmente muito bons, mesmo que a apresentação corresse muito mal e fossemos esmagados no voto do público, teríamos qualquer coisa como um quarto ou quinto lugar do júri.

Durante as apresentações, houve alguns projectos bons, outros muito bons (o ToBITas foi épico), mas houve um que simplesmente colou a plateia: o NeLo. Espécie de joelheira inteligente que fica rígida ou solta consoante a intenção do paciente, para doentes de poliomielite, é tudo o que um projecto Codebits deve ser: tecnologia, oportunidade de negócio e a resolução de um problema de pessoas reais. A votação foi absolutamente esmagadora. É nestes momentos que me sinto orgulhoso de pertencer a uma comunidade que até pode parecer um bocado anti-social, mais preocupada com as suas maquinetas do que com as pessoas “lá fora”, mas que sabe reconhecer um problema da vida real quando o vê e premiar uma boa solução para este.

NeLo
Do site do NeLo

No final das apresentações, o meu tempo estava-se a acabar. Ainda tinha de voltar ao meu poiso nocturno apanhar as malas e saltar para o comboio, que não espera. Mas alguém me forçou a repensar os planos. Se calhar devia ficar até ao fim, já que nunca tinha conseguido (o Codebits arranja sempre maneira de acabar mais tarde do que o último comboio que me proponho apanhar)… Especialmente este ano, deveria ficar…

Fui convencido. Voltei para baixo e informei o Peter que ia a correr buscar as malas durante o intervalo e que ia tentar voltar, sem promessa de conseguir. Dei cabo dos meus gémeos pelo Parque das Nações abaixo e acima. Quando cheguei, já tive que ficar à porta e perguntei a dois rapazes à minha frente “o que é que eu perdi?”. A entrega dos prémios já tinha começado, e estava nos “laterais”, por assim dizer: Nuclear ChilliQuizz Show e semelhantes. Começam os prémios do público.

Sobe ao terceiro lugar o Telephone Operator as a Service (boa ideia, boa implementação e também uma boa apresentação). No segundo lugar ToBITas (que, como já disse, também era o máximo – pequeno robô operado remotamente com um BITalino). Neste momento, comento em voz alta, para ninguém em particular: “nenhuma surpresa, e agora ganha o NeLo”. Um dos rapazes vira-se para trás e diz “ou então o do tear, também teve bué da votos”. Eu rio-me e digo “esse é o nosso, mas se não ganha o NeLo, perco a fé na humanidade” (daí o título do post).

Deste album de Portugal Telecom

Quando é anunciado o Spelling Loom como vencedor do público, arranco por ali fora com sentimentos contraditórios. Que raio, claro que gosto de ganhar, mas… e o NeLo? A ideia era melhor, a implementação era melhor, até o caso de uso era mais nobre! Vejo o Peter subir ao palco enquanto navego por entre os puffs que abundam no corredor central. A Jonas atira-me uma boca quando lhe passo à frente (“não tinhas um comboio para apanhar?”). Subo ao palco e sussuro ao Peter “I'm still here…”. Pegamos nos prémios e saímos da sala. Dividimos as coisas à pressa e enfio as minhas às três pancadas na mala. Prometo ficar em contacto. Castigo ainda mais os gémeos até à Gare do Oriente, a mente dividida entre o comboio que eu tinha receio de perder e o NeLo que eu tinha visto perder…

Mas, claro, três dias muito cansativos e duas correrias não tinham deixado muitos neurónios a funcionar devidamente, mesmo com a imensa quantidade de cafeína ingerida. Enquanto espero ordeiramente para entrar na carruagem, penso “os prémios do júri!”. Desato a empurrar as pessoas. Devem ter pensado que eu era louco. Desgrenhado, vermelho que nem um pimento, a pingar água por todos os lados, duas malas a rebentar pelas costuras e a murmurar entre dentes “desculpe, desculpe”, só queria chegar ao meu lugar rapidamente e sacar do tablet. Atiro a mala da roupa lá para cima, quase despejo a outra mala em cima do banco para o tirar. Navego rapidamente até ao Sapo Vídeos e já só vejo uma sala a esvaziar-se. Salto rapidamente para o Twitter e suspiro de alívio.

timeline #codebits estava cheia de felicitações ao NeLo.

Deste album de Portugal Telecom

Era óbvio, se eu não estivesse tão burro das ideias, que os jurados quereriam premiar eles mesmos este projecto, independentemente da votação do público. Ainda para mais, tendo uma impressora 3D Beeverycreative para oferecer, e que é crucial ao projecto (o NeLo tem dentro umas peças impressas em 3D).

Eu ganhei alguma coisa. Mas fico muito mais contente pelo meu país poder contar entre os seus pessoas como o Basílio Vieira, o Pedro Leite e a Ana Carolina (e ouvi dizer que o Carlos Morgado também ajudou - mas esse seria sempre épico, pelo seu papel como Quizz Master).

Vós sois os maiores!

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Depois de um longo interregno de sete meses, só haveria uma coisa a forçar-me a escrever por aqui novamente: uma nova edição do Codebits!

Este ano está a ser mais complicado arranjar tempo para escrever, por vários motivos; como tal, decidi mudar a estrutura dos meus posts. Em vez de um (ou mais) posts por dia, vou separar por pinceladas largas, aproveitando o facto de estar a escrevê-los praticamente depois do evento.

Without further ado, isto é o que há de novo este ano...

Pong

Cortesia da Artica, os participantes foram recebidos na área do palco principal com um gigantesco jogo de Pong. As pás eram controladas pelos participantes sentados de cada lado, usando reconhecimento de cores dos cartazes que estavam nas cadeiras.

Mas explicado não tem piada nenhuma. Este pequeno vídeo é bastante auto-explicativo (por Filipe Barreto):

Eu vejo isto a ser usado por grandes empresas naqueles eventos chatérrimos a que obrigam os funcionários a ir...

Covilhã UCodebits

Este ano vai ser realizado o primeiro UCodebits, evento especificamente direccionado às universidades. A decorrer no datacenter da Covilhã, terá apenas dois dias, e também terá uma hackathon; o interessante para os melhores participantes dessa será o ingresso na competição regular do Codebits, frente-a-frente com os projectos de cá.

Durante o anúncio – em directo da Covilhã em ecrã gigante – tive um pequeno flashback de Steve Jobs a apresentar Bill Gates como salvador da Apple em 1997...

MEO Wallet

Ok, não era exactamente novidade (já andava por aí discretamente), mas é bastante perto. Uma Google Wallet portuguesa, suportada pelo maior grupo de tecnologia e comunicações do país? Check. Depois de ver a funcionar em vending machines aparentemente normalíssimas, e de ver o jeitaço que poderá dar – até de formas disruptivas, com contas merchant a poderem receber pagamentos muito rapidamente – tenho o palpite que deverá explodir relativamente rápido.

A única coisa que me preocupa – porque, lá está, me afecta directamente – é a qualidade dos dispositvos que andam para aí. O tablet que tenho comigo (Galaxy Tab2 10.1) não permitiu instalar a app (versão do Android, talvez?) e, mesmo que desse, a câmara é tão ranhosa que não tenho a certeza que lesse os QR Codes.

MEOCloud Linux GUI

Pronto, isto só é grande para meia dúzia de malucos. Aliás, o Celso Martinho salientou exactamente isso quando o anunciou. Mas, bolas, era algo que me estava mesmo a fazer muita falta...

MEOCloud “traz um amigo também”

Continuando com novidades MEOCloud, existe agora um programa de referrals que permite que se ganhe mais espaço (até um total de mais 16 GB) convidando amigos. Portanto, a 512 MB de cada vez, rapidamente se fica com uma cloud de 32 GB (66 GB para early adopters).


Mantenham-se atentos aos próximos posts. É já a seguir. Ou então não.

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