Melhor Pixels Camp de sempre, mas só porque foi o primeiro, ou como uma série de acontecimentos infelizes me deram a pior experiência que já tive em eventos vocês-sabem-qual.

Quando apanhei a ligação errada na Estação do Oriente, para Alcântara-Terra, e acabei perplexo num comboio vazio em Santa Apolónia, devia ter adivinhado que estes três dias não me iam correr de feição. Podia ter apanhado outro de volta, mas ia chegar atrasadíssimo e pensei, que se lixe, apanho já aqui um Uber.

Depois de quase 40 minutos para percorrer menos de 6 quilómetros (hey, Medina, bom trabalho, hein? mais valia ir a pé), a Lx Factory, que não conhecia, surpreendeu-me bastante. Nessa manhã, e nalguns momentos dos dois dias a seguir, explorei os vários espaços e a fauna que por lá anda a várias horas – muitos aspirantes a pintores nas manhãs e tardes, hipsters de vários géneros à tarde e a habitual mistura de juventude boémia à noite. Alguns bares e restaurantes com bom aspecto, um infelizmente solitário e com horário pouco amigável quiosque onde comprar tabaco e revistas e até um hostel. Devido à minha terminantemente recusa em beber café em copos de plástico, fui várias vezes a um café logo ao início do espaço onde fui impecavelmente atendido e descaradamente sobre-cobrado.

O espaço do Pixels Camp em si era engraçado. Tem algumas limitações em relação ao último espaço onde foi feito vocês-sabem-o-quê, a Sala Tejo: é mais pequeno (e se isso se notou ao tentar arranjar mesa), o chão não é alcatifa fofinha, mas sim cimento (e quem ficou lá a dormir sentiu isso no pêlo), fazia um calor terrível durante o dia e algum frio durante a noite, o isolamento acústico para quem estava a dar e a assistir às talks foi a miséria do costume (com excepção para o ano dos iglôs).

Mas era engraçado, duma forma industrial-chiq. A zona dos parceiros era arejada e bem iluminada. A área de refeições tinha um terraço fantástico. O acesso à rua era mais rápido e directo (os fumadores agradecem).

A abertura do evento foi excelente. Para além do discurso de abertura do Celso, que, bem, é o Celso, fica-se sempre com um bocado de receio de keynotes que só lá estão porque o parceiro que paga as contas tem que aparecer. Afinal, nada a recear: keynote de Cláudia Azevedo, presidente da Sonae IM, foi não só dada de forma irrepreensível como o conteúdo é muitíssimo relevante. Admito que alguns dos presentes, sobretudo os que ainda estão nos primeiros anos da faculdade, não sintam aquele paleio todo como relevante, mas é bom que abram a pestana rapidamente.

Hei-de fazer outro post com um post-mortem do meu projecto, mas este foi o principal erro que cometi. A ideia era boa (muito boa, tendo em atenção o interesse que gerou e ainda está a gerar), mas eu estava completamente fora de pé. Ainda tentei arranjar um especialista em hardware e um designer, mas só consegui encontrar este último. Nesse outro post hei-de fazer muitos mais louvores à Rosana; para já, vão cuscar o portfólio dela.

Portanto, numa área que não é, de todo, a minha, com um plano praticamente teórico, só comecei a implementar coisas a seguir às keynotes de abertura e do almoço. Afinal, o espírito do evento é esse, mas devia ter experimentado algumas coisas nas semanas antecedentes.

O meu plano funcionava, em teoria: no primeiro dia perdia as duas primeiras horas de talks da tarde para montar tudo e fazer testes preliminares, a seguir ao jantar fazia a maior parte do código, alguns testes iniciais e aproveitava para filmar o video-pitch, no dia a seguir perdia as talks da manhã para fazer a prototipagem final nas peças físicas e depois era cruise-control até à apresentação.

Correu mal. Absurdamente mal. Hardware não é a minha cena, e não funciona como o desenvolvimento de software. O hardware luta activamente contra ti. Houve coisas que eu nem sequer sonhava que pudessem interferir. Houve coisas que aprendi no dia antes. Houve coisas que aprendi no último dia às 13.30 (como que os ATMega têm um oscilador interno de 8MHz – yep, tinha-me dado jeito saber isso na semana antes). Não posso deixar de agradecer aos lagostas Luís Correia e Fernando Afonso, que me ensinaram resmas de coisas nestes três dias.

Acabei por não ver nenhuma talk; nem no primeiro dia, nem em nenhum outro. O projecto absorveu-me completamente e lutei contra ele durante três dias. Cheguei ao final intelectualmente esgotado, com uma cena coxa e cheia de workarounds que funcionava mais ou menos quando lhe apetecia. Antes da apresentação final, só queria que aquilo acabasse depressa, para eu poder vir para casa, e desligar o cérebro com um Você na TV ou algo do género.

Mas não foi tudo. Tinha uma talk para dar no segundo dia. Chego antes da hora, ligo o portátil e… sem sinal. O portátil reconhecia que estava lá outro ecrã, com as dimensões correctas, mas a televisão insistia em dizer que não tinha sinal. Decididamente, aquele portátil está em fim de vida. Muitas trocas de cabos depois, e tenho que usar o portátil do David Oliveira que, sendo o Microsoft-lover que é, nem tem o Libre Office instalado. Acabo por dar a talk com mais de 20 minutos de atraso, em PDF, a toda a velocidade, sem tempo para Q&A porque o próximo speaker já lá estava e não tinha culpa nenhuma.

Várias pessoas gostaram da talk e quiseram conversar comigo no final da talk, no que foi um dos poucos highlights da minha experiência este ano. Aliás, conversar com pessoas é sempre a melhor parte destes eventos.

Outro highlight que não posso deixar de salientar é o sempre hilariante Quiz Show, onde fui indecentemente rasteirado na última pergunta da minha série. Só posso sugerir veementemente que as pessoas participem nestes side quests do Pixels Camp: antes de ir para lá estava no limite das minhas capacidades – fui, sentei-me a ver tudo, participei na minha série, sentei-me a ver o resto; quando voltei, estava bastante mais relaxado e foi aí que consegui implementar alguns workarounds para colocar o projecto a fazer, pelo menos, uma sombra do que tinha planeado.

Ao final do último dia, completamente esgotado, só pensava que, na volta, estou a ficar velho para isto. Agora, passado uma semana, depois de ter descansado, pesando todas as coisas, só penso na edição do próximo ano. Mas sem projecto, ou, pelo menos, com algo que seja mais a minha praia.

Ainda tenho mais coisas para escrever, mas são notas mais concretas e isoladas. E carradas de talks que queria ver e não vi, para assistir no YouTube (obrigado por isto!).

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