Pixels Camp 2017

Depois de ver as reverse pitchs dos sponsors, houve três que retive: as duas da Siemens, de partilha de bicicletas e monitorização de qualidade do ar nas cidades, e a da Mercedes, a API do smart.

Como disse anteriormente, eu ia mais ou menos decidido a não participar em nenhum projecto este ano, devido à terrível experiência que tive no ano passado. Eu sabia que me tinha atirado completamente para fora de pé – hey, mas se resultou para aprender a nadar, também podia ter resultado neste contexto – mas também tinha o receio que, na volta, estava a ficar demasiado velho para este tipo de loucura.

Portanto, foi mais por curiosidade que fui dar uma vista de olhos nos stands da Siemens e da Mercedes, ver o que eles tinham como base para trabalhar. Na Siemens tinham pouco mais que conceitos e mock data; na Mercedes, tinham mesmo lá um smart prontinho a ser conectado e testado, para além de uma API que pareceu mais sólida e documentada.

Com o que eu não contava era com a insistência e entusiasmo contagioso do Carlos. Mal acabou a keynote de abertura, já estava a perguntar “e então, o que é que vamos fazer?” Eu ri-me e encolhi os ombros: “para já, vou dar uma vista de olhos à Siemens e almoçar”.

Eu mantinha a Rosana debaixo de olho porque, em caso de projecto, ela é, mas assim de longe, uma das melhores designers e ilustradoras que eu conheço.

Portanto, quando a insistência do Carlos levou a melhor sobre mim (inclusivamente já tinha ido buscar a documentação da Mercedes e inscrito o projecto), perguntei-lhe como era com designer. Ele estava acompanhado pela Joana Rijo, que é precisamente designer, e eu não estava em posição de argumentar a favor da Rosana. Afinal, o meu plano até era não participar…

Não quero com isto menorizar a Joana. Como explicarei a seguir, ela foi competentíssima e fiável durante todo o projecto. Só que aconteceu uma coisa inacreditável: uma designer incrível como a Rosana ficou sem projecto. E, caramba, se alguns projectos, como se viu na apresentação final, tinham lucrado bastante com o trabalho dela.

Durante a tarde do primeiro dia, entre várias apresentações que todos queríamos ver, fomos conversando ao de leve sobre que conceito queríamos. Ao mesmo tempo, entretivemos a ideia de fazer um smart contract de roleta na blockchain, para ir buscar mais uns EXP para investir no projecto.

Depois de jantar – e ao jantar não se fala de trabalho, fala-se de séries de televisão, de música, da qualidade da comida (lá irei, lá irei), mas de trabalho não – alinhavámos finalmente a ideia: visto que a API era para o smart, e sendo o smart um carro da iGeneration, malta nova e altamente conectada, queríamos uma app que nos desse o estado do carro, seja o nível do combustível, o estado da bateria, se as portas estavam fechadas e trancadas, e que desse para o localizar (via GPS para localização geral, e ligando os piscas para o localizar num parque, por exemplo).mysmart logo

Quando estava para atacar a construção da app, ao final da noite, a API da Mercedes deu o badagaio. Os engenheiros já tinham desaparecido, e eu decidi fazer o mesmo. Despedi-me da rapaziada, e recolhi ao hotel a horas ainda bastante decentes (por padrões Pixels Camp – era para aí uma da manhã), porque já sabia que isto na segunda noite ia ser a doer.

Já tínhamos conversado sobre o design e decidido que tudo seria em SVG, para garantir a responsiveness com qualidade em qualquer ecrã. Isto colocou um peso incrível em cima da Joana, que basicamente teve que desenhar um smart de raiz, incluindo portas e bagageira em separado (eu queria aquilo a mexer quando se abrisse a porta fisicamente); tirando todo o resto do trabalho de design, desde cores, logótipo, botões da interface…

No segundo dia, mal cheguei, fui falar com os engenheiros da Mercedes, que já tinham identificado e corrigido o problema. Mostraram-nos os logs da API para demonstrar a carga a que tinha estado sujeita e que levou ao crash, numa demonstração de transparência e disponibilidade que caiu muito bem não só connosco, mas com outros grupos com projectos relacionados.

Durante o dia ainda alinhavei toda a ligação à API, entre todas as coisas que há para fazer, incluindo uma apresentação que tinha para dar, e as minhas participações no Chasing Ghosts (onde consegui uma pontuação mais alta na qualificação, que me tinha apurado para a final, do que na semifinal em si) e no QuizShow (onde acho que eu e o Carlos conseguimos menos pontos do que no ano passado).

mysmart app

Por volta da meia-noite, estava pronto a atacar o frontend da app. A Joana tinha concluído todo o design e estava completamente esgotada. Disse-lhe para dormir um bocado e ela, que já estava embrulhada numa manta, literalmente rolou da cadeira para o chão e acho que adormeceu antes de lá chegar. O Carlos, que tinha andado o dia todo a azucrinar todos os angels que lhe aparecessem à frente, para além de andar envolvido na caça ao tesouro das camisolas (dava 50.000 EXP, era uma ajuda valente para o nosso projecto), não estava em muito melhor estado. Ainda tentou resistir ao cansaço, mas estar sem fazer nada a olhar para mim também não ajuda, e acabou também por colapsar ali ao lado.

E aconteceu uma coisa que já não me acontecia há muito tempo. Por volta das 4 da manhã – depois de ter ido fumar um cigarro onde demorei meia-hora porque um casal holandês estava particularmente interessado em saber o que se estava a passar ali – entrei in the zone; mesmo, mesmo in the zone. Estava completamente alheado do que se passava à minha volta. Às 8 a app estava completa. Ainda antes de acordar os meus parceiros, fui apanhar um bocadinho de ar, e quando voltei, o Carlos já tinha ido para a fila da banhoca e a Joana estava com ar de zombie sentada no chão.

“A app está pronta. Vou ao hotel tomar banho e trocar de roupa. Está tudo controlado. Volto daqui a uma horita.”

O resto da manhã foi mais soft. O Carlos tratou da apresentação, eu gravei um vídeo com a Joana a abrir as portas do smart para colocar lado a lado com a app a funcionar, conversámos com os angels que passaram pelo nosso estaminé para se inteirarem do progresso. Tínhamos tudo controlado.

Mas eu não estava muito confiante. Já levo anos suficientes disto para perceber que faltava wow factor ao nosso projecto. Não era sexy que chegue. Tinha repetido isto várias vezes nos dois dias antes à equipa, juntamente com “isto este ano tinha de ser uma app com blockchainaugmented realitymachine learning” (nem de propósito, o projecto que ganhou tinha AR e ML). A seguir ao almoço, perguntei, meio a brincar, se conseguíamos chegar ao top 10. O Carlos, com o entusiasmo que lhe é característico, respondeu de calcanhar que era 5.º lugar, no mínimo.

E foi.

Pixels Camp 2017 Trophy

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