A ver a categoria “Internet & Tecnologia”

Categoria sobre Internet e tecnologia em geral. Notícias, novidades, algo engraçado ou alguma coisa que (re)descobri recentemente que possa ser útil ou interessante.

Melhor Pixels Camp de sempre, mas só porque foi o primeiro, ou como uma série de acontecimentos infelizes me deram a pior experiência que já tive em eventos vocês-sabem-qual.

Quando apanhei a ligação errada na Estação do Oriente, para Alcântara-Terra, e acabei perplexo num comboio vazio em Santa Apolónia, devia ter adivinhado que estes três dias não me iam correr de feição. Podia ter apanhado outro de volta, mas ia chegar atrasadíssimo e pensei, que se lixe, apanho já aqui um Uber.

Depois de quase 40 minutos para percorrer menos de 6 quilómetros (hey, Medina, bom trabalho, hein? mais valia ir a pé), a Lx Factory, que não conhecia, surpreendeu-me bastante. Nessa manhã, e nalguns momentos dos dois dias a seguir, explorei os vários espaços e a fauna que por lá anda a várias horas – muitos aspirantes a pintores nas manhãs e tardes, hipsters de vários géneros à tarde e a habitual mistura de juventude boémia à noite. Alguns bares e restaurantes com bom aspecto, um infelizmente solitário e com horário pouco amigável quiosque onde comprar tabaco e revistas e até um hostel. Devido à minha terminantemente recusa em beber café em copos de plástico, fui várias vezes a um café logo ao início do espaço onde fui impecavelmente atendido e descaradamente sobre-cobrado.

O espaço do Pixels Camp em si era engraçado. Tem algumas limitações em relação ao último espaço onde foi feito vocês-sabem-o-quê, a Sala Tejo: é mais pequeno (e se isso se notou ao tentar arranjar mesa), o chão não é alcatifa fofinha, mas sim cimento (e quem ficou lá a dormir sentiu isso no pêlo), fazia um calor terrível durante o dia e algum frio durante a noite, o isolamento acústico para quem estava a dar e a assistir às talks foi a miséria do costume (com excepção para o ano dos iglôs).

Mas era engraçado, duma forma industrial-chiq. A zona dos parceiros era arejada e bem iluminada. A área de refeições tinha um terraço fantástico. O acesso à rua era mais rápido e directo (os fumadores agradecem).

A abertura do evento foi excelente. Para além do discurso de abertura do Celso, que, bem, é o Celso, fica-se sempre com um bocado de receio de keynotes que só lá estão porque o parceiro que paga as contas tem que aparecer. Afinal, nada a recear: keynote de Cláudia Azevedo, presidente da Sonae IM, foi não só dada de forma irrepreensível como o conteúdo é muitíssimo relevante. Admito que alguns dos presentes, sobretudo os que ainda estão nos primeiros anos da faculdade, não sintam aquele paleio todo como relevante, mas é bom que abram a pestana rapidamente.

Hei-de fazer outro post com um post-mortem do meu projecto, mas este foi o principal erro que cometi. A ideia era boa (muito boa, tendo em atenção o interesse que gerou e ainda está a gerar), mas eu estava completamente fora de pé. Ainda tentei arranjar um especialista em hardware e um designer, mas só consegui encontrar este último. Nesse outro post hei-de fazer muitos mais louvores à Rosana; para já, vão cuscar o portfólio dela.

Portanto, numa área que não é, de todo, a minha, com um plano praticamente teórico, só comecei a implementar coisas a seguir às keynotes de abertura e do almoço. Afinal, o espírito do evento é esse, mas devia ter experimentado algumas coisas nas semanas antecedentes.

O meu plano funcionava, em teoria: no primeiro dia perdia as duas primeiras horas de talks da tarde para montar tudo e fazer testes preliminares, a seguir ao jantar fazia a maior parte do código, alguns testes iniciais e aproveitava para filmar o video-pitch, no dia a seguir perdia as talks da manhã para fazer a prototipagem final nas peças físicas e depois era cruise-control até à apresentação.

Correu mal. Absurdamente mal. Hardware não é a minha cena, e não funciona como o desenvolvimento de software. O hardware luta activamente contra ti. Houve coisas que eu nem sequer sonhava que pudessem interferir. Houve coisas que aprendi no dia antes. Houve coisas que aprendi no último dia às 13.30 (como que os ATMega têm um oscilador interno de 8MHz – yep, tinha-me dado jeito saber isso na semana antes). Não posso deixar de agradecer aos lagostas Luís Correia e Fernando Afonso, que me ensinaram resmas de coisas nestes três dias.

Acabei por não ver nenhuma talk; nem no primeiro dia, nem em nenhum outro. O projecto absorveu-me completamente e lutei contra ele durante três dias. Cheguei ao final intelectualmente esgotado, com uma cena coxa e cheia de workarounds que funcionava mais ou menos quando lhe apetecia. Antes da apresentação final, só queria que aquilo acabasse depressa, para eu poder vir para casa, e desligar o cérebro com um Você na TV ou algo do género.

Mas não foi tudo. Tinha uma talk para dar no segundo dia. Chego antes da hora, ligo o portátil e… sem sinal. O portátil reconhecia que estava lá outro ecrã, com as dimensões correctas, mas a televisão insistia em dizer que não tinha sinal. Decididamente, aquele portátil está em fim de vida. Muitas trocas de cabos depois, e tenho que usar o portátil do David Oliveira que, sendo o Microsoft-lover que é, nem tem o Libre Office instalado. Acabo por dar a talk com mais de 20 minutos de atraso, em PDF, a toda a velocidade, sem tempo para Q&A porque o próximo speaker já lá estava e não tinha culpa nenhuma.

Várias pessoas gostaram da talk e quiseram conversar comigo no final da talk, no que foi um dos poucos highlights da minha experiência este ano. Aliás, conversar com pessoas é sempre a melhor parte destes eventos.

Outro highlight que não posso deixar de salientar é o sempre hilariante Quiz Show, onde fui indecentemente rasteirado na última pergunta da minha série. Só posso sugerir veementemente que as pessoas participem nestes side quests do Pixels Camp: antes de ir para lá estava no limite das minhas capacidades – fui, sentei-me a ver tudo, participei na minha série, sentei-me a ver o resto; quando voltei, estava bastante mais relaxado e foi aí que consegui implementar alguns workarounds para colocar o projecto a fazer, pelo menos, uma sombra do que tinha planeado.

Ao final do último dia, completamente esgotado, só pensava que, na volta, estou a ficar velho para isto. Agora, passado uma semana, depois de ter descansado, pesando todas as coisas, só penso na edição do próximo ano. Mas sem projecto, ou, pelo menos, com algo que seja mais a minha praia.

Ainda tenho mais coisas para escrever, mas são notas mais concretas e isoladas. E carradas de talks que queria ver e não vi, para assistir no YouTube (obrigado por isto!).

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »
Entrada de escola
A partir desta foto de João Ornelas – Creative Commons BY-NC-SA 2.0

Conhecem a GIAE? Não? E se for a Gestão Integrada para Administração Escolar, ring a bell (pun oh-so-much intended)? Trocado por miúdos (vou tentar que este seja o último trocadinho deste post), é o sistema que gere os cartões de identificação dos putos nas escolas. Numas escolas é este, noutros é o SIGE (Sistema Integrado de Gestão de Escolas). Desconheço se há mais. Estes sistemas são implementados e (presumo) mantidos por empresas privadas.

Este post é sobre o GIAE, que é o usado na escola frequentada pela minha filha mais velha.

A coisa é conceptualmente interessante: serve para pagamentos dentro da escola (sujeito a pré-carregamento), controla as entradas e saídas e dispõe de um portal online onde os alunos e os encarregados de educação podem consultar os dados pessoais do aluno e dos encarregados de educação, saldos, consumos e registo de entradas¹. Até dá para comprar a senha da cantina (e ver as ementas da semana).

Portanto, o ano escolar iniciou-se no dia 15 de Setembro. Não sei porque raio, mas os cartões para alunos novos só vieram parar à mão da canalha no dia 10 de Outubro. Quase um mês, quando as listas de estudantes, turmas e tudo isso está feito há que tempos, mas pronto - sei lá, podem ter ficado sem smart cards em stock, ou assim.

No dia 10, em vez de darem logo os códigos aos alunos, não - ainda têm que se deslocar ao gabinete de apoio ao aluno para os pedir. Como agora os miúdos nem furos têm¹, isto foi por si só uma aventura; entre falta de tempo, e falta da pessoa responsável nas vezes em que lá foi, a minha filha só conseguiu pedir o código hoje. Pediram-lhe o cartão para confirmar a identidade (o cartão tem fotografia), e gastaram uma folha A4 inteirinha com uma tabela de duas linhas com o número do cartão, o nome dela, o código para consultas presenciais e as duas senhas para acesso online, aluno e encarregado de educação.

Os problemas começaram à tarde. Tínhamos uma reunião marcada com a directora de turma² e, enquanto esperávamos, sem saber que a nossa filha já tinha o código, resolvemos pedi-lo também.

Problema #1: o sistema não avisou o responsável que o código já tinha sido pedido (e o responsável também não deu conta que era a segunda vez naquele dia que lhe pediam os códigos daquele cartão).

Problema #2: o responsável não confirmou a nossa identidade. Chegámos, dissemos a turma e o nome, e ele passou-nos o papel para a mão. Aliás, ainda mais grave, imprimiu o papel para a secretaria e eu fui lá buscá-lo. Nem confirmou se éramos encarregados de educação da criança. É assim, à papo-seco.

Problema #3: ao chegar a casa, o receio que eu tinha confirmou-se logo: o código e as senhas eram os mesmos no papel da minha filha e no que eu tinha. Isto quer dizer que as senhas estão guardadas no sistema de forma recuperável. Nunca, ever, em qualquer circunstância se guardam senhas em sistemas online. Guardam-se hashes, com salt. Isto é um processo irreversível. É possível confirmar que a senha introduzida está correcta, mas é impossível³, tendo-se acesso à hash e ao salt, recuperar a senha original. Da forma como está feito, se algum dia o sistema for comprometido, existem milhares de senhas de alunos e encarregados de educação por aí à solta, com acesso aos nomes completos, moradas, o que é comeu, a que horas entra e sai... E, dado o interesse suficiente, qualquer sistema é comprometido. A questão não é se, mas sim quando.

Problema #4: o procedimento padrão cá em casa quando se recebem códigos de algum lado, é mudá-los imediatamente. Entra-se na plataforma online e as condições para as senhas é serem alfanuméricas (A-Z, a-z e 0-9) e terem 8 caracteres. Não é até 8 ou no mínimo 8. É 8. Ponto. Isto é facilitar ainda mais o trabalho a um ataque brute force. E como quem cometeu estes erros até aqui provavelmente nem sabe o que é uma comparação XOR de tempo constante, palpita-me que tinha senhas nas mãos numa noite com um ataque de análise temporal.

São os sistemas que temos.


¹ Qualquer dia escrevo mais sobre o assunto, mas as escolas agora parecem presídios: controlo de entradas, os furos já nem são furos, que os miúdos têm aulas de substituição, os funcionários têm que andar sempre atrás deles... Porra, no meu tempo íamos para trás do ginásio jogar ao bate-pé!

² Felizmente, a nossa filha não dá problemas. O que me levou lá, e qualquer dia também escrevo mais sobre isto, é a insistência que a administração pública tem em usar tecnologias Microsoft sem qualquer alternativa. Isto é um problema de princípio para mim, até porque existe legislação nacional nesse sentido (Lei n.º 36/2011 e Resolução do Conselho de Ministros n.º 91/2012).

³ Impossível é uma palavra muito forte. Bastante improvável será mais o caso. De facto, é impossível calcular a senha original, mas é possível construir rainbow tables de todas as combinações de hashsalt possíveis e extrapolar uma senha que dê origem à mesma hash. O tempo e espaço necessários para esta construção com algoritmos recentes (recentes - nada de MD5, por favor) são impraticáveis.

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Se há coisa de que não podem acusar a cultura geek é de não ser divertida. Podemos não nos divertir da forma mais convencional, é certo, mas apreciamos uma boa gargalhada tanto como o poeta, o historiador ou o desportista. Mesmo que não seja uma gargalhada, adoramos a nossa quota-parte de insólito e surpreendente.

Estas são as 5 coisas que eu achei mais interessantes, engraçadas ou surpreendentes. Não estão incluídas as que já referi em posts anteriores, como o Pong em ecrã gigante ou as RiftCycles, por exemplo.


Quadcopter no exterior

1. Objectos voadores

Quadcopter na hardware den

Começou logo de manhã, enquanto esperávamos para entrar: um quadcopter equipado com uma GoPro fez várias passagens sobre a Sala Tejo.

Entretanto, cá em baixo, já se discutia as implicações da proliferação destes aparelhos, nomeadamente ao nível da legislação cavalgante que assola não só o nosso país, como a União Europeia. Expressava-se preocupação com um eventual esforço regulador; alguns pontos serão mais ou menos consensuais - vista a facilidade com que estes aparelhos transportam equipamento fotográfico e vídeo, a privacidade e o direito à imagem são uma preocupação muito real - outros, nem por isso, como a obrigatoriedade de se ter licença (a licença de aeromodelismo não é obrigatória… ainda).

Durante o evento, o Luís Correia tinha o seu tricopter sempre à mão, assim como um monstruoso quadcopter - eu tive o desprazer de ficar debaixo dele durante alguns segundos numa das noites e aquela brincadeira faz uma ventania incrível apenas a pairar.

Na Hardware Den havia vários, incluindo este aqui em cima. O piloto estava a testá-lo no meio da sala e eu pedi-lhe para tirar algumas fotos em voo; a resposta dele foi “cuidado, que o controlo de estabilidade não está em condições e ele está um bocado errático”. Ia ficando sem cabelo várias vezes…


Trono de teclados

2. Trono de Teclados

Codebits meets Game of Thrones. E como só uma pessoa podia ser o Rei do Codebits, a equipa do Celso Martinho ofereceu-lhe este magnífico trono. Não há muito a dizer; momento hilariante logo na keynote de abertura.

Como menção honrosa relacionada, o Celso viajante, onde uma variedade de pessoas usou as máscaras de Celso do última edição para as fotografar pelo mundo inteiro. Não é por acaso que #celsada já é uma tag comum durante o Codebits


Massagens OutSystems

3. Massagens OutSystems

A passear pelo recinto e de repente… quê? Massagens?

Eu percebo a ideia a transmitir: somos uma empresa tão preocupada com o bem estar dos nossos funcionários que até temos massagens; os profissionais da tecnologia têm vidas muito stressantes, o mínimo que lhes podemos oferecer é este miminho.

Pois bem, isto para mim tem um nome: aliciamento. Mas, por favor, continuem com aliciamentos destes… ;)


Algodão doce

4. Algodão doce

Já me ofereceram muita coisa no Codebits, desde ovos moles até castanhas assadas. Agora algodão doce… definitivamente, não estava à espera desta.

Pontos extra para a criatividade das fatiotas das meninas e os seus chapéus de algodão.


5. Mulheres

De ano para ano, a quantidade de participantes femininos têm vindo a aumentar, mas este ano o salto foi muito visível. A proporção ainda é muito baixa (a olho pareceu-me andar à volta de 1/6), mas ainda assim pareceu-me muito maior que noutros anos.

Eu sou absolutamente contra paridades por decreto, como fazem os partidos políticos - se provam alguma coisa, é a incapacidade que os alvos têm de contornar o problema por si; ao não existirem paridades forçadas, podemos ter a certeza que as mulheres que encontramos num evento destes são, no mínimo, tão competentes como os homens. E isso é óptimo.

Para além de designers (o que é expectável, visto que as mulheres trabalham melhor com cores do que os homens, fruto dos dois cromossomas X), andavam por lá mulheres ligadas às mais variadas valências.

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Codebits VII

Durante o Codebits é sempre possível encontrar algumas empresas, associações e pessoas muito interessantes. Outras nem por isso. Isto não pretende ser uma lista exaustiva – aliás, dada a quantidade de pessoas, empresas e organismos interessantes presentes, seria uma lista para vários posts; estas são apenas as que me foram mais marcantes este ano (por boas ou, mais raro, más razões).

Topo #1 – os construtores: Hipnose e Artica

Apesar de não ser visível, é virtualmente impossível dar dois passos sem tropeçar no trabalho destas duas empresas. A decoração, a imagem e som… quase todo o ambiente de fundo que nem damos conta. Os palcos secundários são excelentes. O som é excelente. O grafismo projectado é excelente. É um óptimo trabalho. Já mencionei Pong em ecrã gigante? ;)

Já agora, é uma óptima oportunidade para mostrar o fantástico timelapse criado pelo Pedro Moura Pinheiro da montagem do Codebits:

Bee The First da Beeverycreative

Topo #2 - Beeverycreative

Esta tinha que vir perto do topo da lista, por vários motivos.

Em primeiro lugar, porque são da minha zona, e eu sou um tipo um bocado bairrista. Nascidos na incubadora da Universidade de Aveiro, já são independentes e instalaram-se na Gafanha de Aquém, Ílhavo, of all the places.

Depois, e talvez mais importante, porque é provável que tenham colocado o pé na porta na altura certa para as impressoras 3D. A Bee The First é, neste momento, a mais bonita impressora 3D do mercado. Apesar de já existirem a algum tempo, as impressoras 3D disponíveis até agora no mercado ficariam sempre muito deslocadas fora duma geek cave – esta é a primeira que uma esposa não-geek aceitaria no escritório lá de casa ou até na cozinha.

Isto é muito relevante e poderá mesmo ser um dos principais factores para a explosão do segmento de consumo (isso e a potencial baixa de preço, que, por quase 2.000€, ainda é puxadito).

Topo #3 - Phold

Mais uma empresa nascida na incubadora da UA, com um produto “como-é-que-não-me-lembrei-disto-antes”. É um suporte/arejador para portáteis em cartão inteligentemente dobrado. É leve, desmontável – fica plano, pronto a arrumar – e incrivelmente resistente, tendo em consideração que é só cartão, devido ao engenho com que as dobras e encaixes foram implementados.

Pessoalmente, nunca fui grande fã destes arejadores de portáteis; sempre me pareceram muito peso e espaço ocupado para poucos benefícios. Depois de usar este durante dois dias, estou absolutamente rendido, até porque, basicamente, salvaram-me as costas. Vai passar a andar sempre junto com o portátil.

Projecto RiftCycles de The Arcade Man

Topo #4 - The Arcade Man

Luís Sobral de seu nome, mas muito mais conhecido pelo seu alias, já nos habituou às suas fantásticas recuperações de arcades, mas este ano ultrapassou-se de largo.

Light cycles do filme Tron (na realidade são do Tron: Legacy)? Porreiro. Implementação, pela Overflow Interactive, de um jogo a condizer, embora simples? Ok, ninguém estava à espera de jogar o original dos anos 80 em cima daquelas motas fantásticas. O que falta? Ah, claro, ligar uns Oculus Rift para jogar em realidade virtual. The Arcade Man, ganhaste um lugar de destaque no panteão geek.

Deve ter sido, de longe, a atracção mais concorrida, não só da Hardware Den, mas de todo o Codebits (com a provável excepção do refeitório…).

Topo #5 - Sapo Labs

Sapo Labs traz sempre coisas interessantíssimas para mostrar e esta ano não foi excepção. Duas coisas chamaram-me especialmente a atenção: o Bussaco Digital e a Grande Área.

Bussaco Digital foi desenvolvido para a Fundação Mata do Bussaco e pretende ajudar no esforço de reflorestação da Mata do Buçaco, atingido por um ciclone no início de 2013. Depois de se registarem, plantar uma árvore custa entre 0,50€ e 2,00€ e colocar uma dedicatória àquela pessoa especial numa das árvores mais notáveis da Mata custa 20,00€ por ano. O mais interessante deste projecto, a nível tecnológico, é a geo-referenciação das árvores plantadas pelos utilizadores. Tem a sua pinta visitar a lindíssima zona do Luso e poder dizer “esta árvore em particular fui eu que plantei” (ou que paguei, vá…).

Grande Área é um projecto de big data sobre futebol; ainda não está disponível – ficará público no início do Mundial – mas será um repositório interactivo de dados relacionados com equipas e jogadores, com uma linha do tempo e grafismo muito interessante e claro. Será uma ferramenta extremamente interessante para jornalistas desportivos e aficionados futebolísticos.

Topo #6 - MafraLab

Ok, estes não estavam oficialmente representados no Codebits, mas eu tinha que os referir nalgum lado. Eu conheço o Diogo Alves, aka @killercode, do Portugal-a-Programar já há alguns anos e encontro-o uma vez por ano no Codebits, onde apresenta quase sempre (este ano foi a excepção) projectos marados envolvendo muito hardware hacking. Desde a última vez, tinha esta novidade: a fundação de um hackerspace em Mafra. Em Mafra! Eu moro numa capital de distrito, bolas, e o hackerspace mais próximo fica-me a 80 km. Os mafrenses têm um hackerspace só para eles. Custos de viver na província…

Fundo #1 – Nescafé Dolce Gusto (ou as meninas da Nescafé Dolce Gusto)

Como é habitual, o café é uma constante no Codebits. Este ano, em vez de uns balcões incaracterísticos, onde meninas e meninos genéricos despachavam cafés à geekalhada, a Nescafé resolveu formar parceria com o evento e colocar à disposição a sua gama Dolce Gusto. Fartei-me de emborcar Buondis, que é das marcas de café que mais gosto e que é tão, tão difícil de encontrar em cafés normais.

Como bónus, o balcão principal estava tripulado por duas simpatiquíssimas meninas, que nos tratavam, como há 4 anos genialmente colocou o Marco Santos, “como Brad Pitts do teclado”. E aqui está o meu problema: três dias, das 10 da manhã às 11 da noite… duas meninas.

Pronto, eu sei que a Sapo não tem nada a ver com isto, nem, na realidade, a Nescafé; as meninas seriam de uma daquelas agências de trabalho temporário, ou algo do género. De qualquer forma, terei sido o único a reparar na brutalidade de horas que as mesmas duas raparigas ali estiveram de pé, os três dias?

Fundo #2 – Microsoft

É um apontamento muito curto: para a dimensão que a Microsoft tem, não deveria estar melhor representada? Eu explico: salvo por breves períodos, quem normalmente estava no stand eram meros promotores, dificilmente os interlocutores adequados para os participantes de um evento desta natureza. Não seria possível dispensar meia dúzia de geeks lá dos escritórios durante 3 dias?

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Antes de continuar a escrever o que tenho planeado sobre o Codebits, tenho que dar aqui um salto para o final e para a entrega de prémios.

Este ano, pela primeira vez (pelo que é, também, uma novidade), participei de pleno direito num projecto – tenho participado noutros, mas por pouco mais do que apoio moral e carro-vassoura para quando a rapaziada se atola um bocado, e sempre de maneira oficiosa. Pessoalmente, gosto da liberdade que isso me dá: a liberdade de poder ajudar vários projectos (o que tem acontecido), a liberdade de poder ver as talks todas que me apetece sem sentir o peso do trabalho por fazer, o desprendimento – nunca total, porque acabamos por ter sempre favoritos – com que assisto às apresentações…

Este ano, no entanto, foi diferente; e foi diferente porque quem estava a precisar de ajuda era o brilhante Peter Bouda, que respeito muitíssimo desde que o vi implementar o Lego Coding em 2011. Estávamos sentados relativamente perto, e fomos trocando impressões logo desde o início da tarde de quinta-feira, quando ele ainda nem sabia o que ia fazer. Quando finalmente se decidiu pelo que veio a ser o Spelling Loom, vi logo que estávamos perante mais uma das suas fantásticas ideias. Ao final da tarde, fiquei mortificado quando me apercebi que o Peter não estava a conseguir encontrar um elemento fundamental para a sua equipa, um músico.

Fiquei em conflito comigo mesmo. Sou um compositor bastante medíocre, para não dizer pior, e já não compunha nem um compasso há mais de cinco anos – no entanto, deveria chegar. Mas… e a minha liberdade, o meu desprendimento, as 20 mil coisas que há para fazer no Codebits e que não ia consegui fazer? Além disso, a ideia era mesmo boa, para além da estrelinha que sempre parece acompanhar o Peter…

Acabei por arranjar uma solução de compromisso com a minha consciência e com ele: se até ao final da noite não conseguisse arranjar ninguém, eu atirava-me a isso na sexta-feira logo de manhã. Não conseguiu. Depois de ler algumas coisas durante a madrugada, experimentar alguns softwares de edição musical (lá está, não compunha à que anos e nunca tinha sequer composto em Linux, que é o que uso agora), atirei-me à composição mal cheguei à Sala Tejo na sexta-feira. Afinal, eram só quatro compassos, quanta asneira poderia eu fazer em tão pouco espaço? Parece que ainda alguma… De qualquer forma, para o que é, bacalhau basta, e a coisa acabou por sair menos mal a meio da tarde.

Gravar o vídeo de apresentação do projecto, e continuar a implementação furiosamente. Entretanto perdemos o Pedro Manha, o outro developer, que teve de ir embora ao início da noite.

No sábado, o projecto estava alinhavado, a preocupação passou para a apresentação final de 90 segundos e para a “ensaboadela” prévia frente ao júri. Fomos chamados, e lá fomos, eu praticamente como apoio moral, mas cujo papel me dava jeito para poder apreciar as reacções dos jurados enquanto o Peter apresentava o projecto e respondia às perguntas. Felizmente, aqueles 8 verdadeiros monstros da tecnologia não são tão durões como querem aparentar, e deixaram transparecer o seu agrado (foi épico quando o @poingg respondeu pelo Peter a uma pergunta com rasteira de outro jurado).

Saí relativamente confiante da sala. Excepto se houvesse muitos projectos realmente muito bons, mesmo que a apresentação corresse muito mal e fossemos esmagados no voto do público, teríamos qualquer coisa como um quarto ou quinto lugar do júri.

Durante as apresentações, houve alguns projectos bons, outros muito bons (o ToBITas foi épico), mas houve um que simplesmente colou a plateia: o NeLo. Espécie de joelheira inteligente que fica rígida ou solta consoante a intenção do paciente, para doentes de poliomielite, é tudo o que um projecto Codebits deve ser: tecnologia, oportunidade de negócio e a resolução de um problema de pessoas reais. A votação foi absolutamente esmagadora. É nestes momentos que me sinto orgulhoso de pertencer a uma comunidade que até pode parecer um bocado anti-social, mais preocupada com as suas maquinetas do que com as pessoas “lá fora”, mas que sabe reconhecer um problema da vida real quando o vê e premiar uma boa solução para este.

NeLo
Do site do NeLo

No final das apresentações, o meu tempo estava-se a acabar. Ainda tinha de voltar ao meu poiso nocturno apanhar as malas e saltar para o comboio, que não espera. Mas alguém me forçou a repensar os planos. Se calhar devia ficar até ao fim, já que nunca tinha conseguido (o Codebits arranja sempre maneira de acabar mais tarde do que o último comboio que me proponho apanhar)… Especialmente este ano, deveria ficar…

Fui convencido. Voltei para baixo e informei o Peter que ia a correr buscar as malas durante o intervalo e que ia tentar voltar, sem promessa de conseguir. Dei cabo dos meus gémeos pelo Parque das Nações abaixo e acima. Quando cheguei, já tive que ficar à porta e perguntei a dois rapazes à minha frente “o que é que eu perdi?”. A entrega dos prémios já tinha começado, e estava nos “laterais”, por assim dizer: Nuclear ChilliQuizz Show e semelhantes. Começam os prémios do público.

Sobe ao terceiro lugar o Telephone Operator as a Service (boa ideia, boa implementação e também uma boa apresentação). No segundo lugar ToBITas (que, como já disse, também era o máximo – pequeno robô operado remotamente com um BITalino). Neste momento, comento em voz alta, para ninguém em particular: “nenhuma surpresa, e agora ganha o NeLo”. Um dos rapazes vira-se para trás e diz “ou então o do tear, também teve bué da votos”. Eu rio-me e digo “esse é o nosso, mas se não ganha o NeLo, perco a fé na humanidade” (daí o título do post).

Deste album de Portugal Telecom

Quando é anunciado o Spelling Loom como vencedor do público, arranco por ali fora com sentimentos contraditórios. Que raio, claro que gosto de ganhar, mas… e o NeLo? A ideia era melhor, a implementação era melhor, até o caso de uso era mais nobre! Vejo o Peter subir ao palco enquanto navego por entre os puffs que abundam no corredor central. A Jonas atira-me uma boca quando lhe passo à frente (“não tinhas um comboio para apanhar?”). Subo ao palco e sussuro ao Peter “I'm still here…”. Pegamos nos prémios e saímos da sala. Dividimos as coisas à pressa e enfio as minhas às três pancadas na mala. Prometo ficar em contacto. Castigo ainda mais os gémeos até à Gare do Oriente, a mente dividida entre o comboio que eu tinha receio de perder e o NeLo que eu tinha visto perder…

Mas, claro, três dias muito cansativos e duas correrias não tinham deixado muitos neurónios a funcionar devidamente, mesmo com a imensa quantidade de cafeína ingerida. Enquanto espero ordeiramente para entrar na carruagem, penso “os prémios do júri!”. Desato a empurrar as pessoas. Devem ter pensado que eu era louco. Desgrenhado, vermelho que nem um pimento, a pingar água por todos os lados, duas malas a rebentar pelas costuras e a murmurar entre dentes “desculpe, desculpe”, só queria chegar ao meu lugar rapidamente e sacar do tablet. Atiro a mala da roupa lá para cima, quase despejo a outra mala em cima do banco para o tirar. Navego rapidamente até ao Sapo Vídeos e já só vejo uma sala a esvaziar-se. Salto rapidamente para o Twitter e suspiro de alívio.

timeline #codebits estava cheia de felicitações ao NeLo.

Deste album de Portugal Telecom

Era óbvio, se eu não estivesse tão burro das ideias, que os jurados quereriam premiar eles mesmos este projecto, independentemente da votação do público. Ainda para mais, tendo uma impressora 3D Beeverycreative para oferecer, e que é crucial ao projecto (o NeLo tem dentro umas peças impressas em 3D).

Eu ganhei alguma coisa. Mas fico muito mais contente pelo meu país poder contar entre os seus pessoas como o Basílio Vieira, o Pedro Leite e a Ana Carolina (e ouvi dizer que o Carlos Morgado também ajudou - mas esse seria sempre épico, pelo seu papel como Quizz Master).

Vós sois os maiores!

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Depois de um longo interregno de sete meses, só haveria uma coisa a forçar-me a escrever por aqui novamente: uma nova edição do Codebits!

Este ano está a ser mais complicado arranjar tempo para escrever, por vários motivos; como tal, decidi mudar a estrutura dos meus posts. Em vez de um (ou mais) posts por dia, vou separar por pinceladas largas, aproveitando o facto de estar a escrevê-los praticamente depois do evento.

Without further ado, isto é o que há de novo este ano...

Pong

Cortesia da Artica, os participantes foram recebidos na área do palco principal com um gigantesco jogo de Pong. As pás eram controladas pelos participantes sentados de cada lado, usando reconhecimento de cores dos cartazes que estavam nas cadeiras.

Mas explicado não tem piada nenhuma. Este pequeno vídeo é bastante auto-explicativo (por Filipe Barreto):

Eu vejo isto a ser usado por grandes empresas naqueles eventos chatérrimos a que obrigam os funcionários a ir...

Covilhã UCodebits

Este ano vai ser realizado o primeiro UCodebits, evento especificamente direccionado às universidades. A decorrer no datacenter da Covilhã, terá apenas dois dias, e também terá uma hackathon; o interessante para os melhores participantes dessa será o ingresso na competição regular do Codebits, frente-a-frente com os projectos de cá.

Durante o anúncio – em directo da Covilhã em ecrã gigante – tive um pequeno flashback de Steve Jobs a apresentar Bill Gates como salvador da Apple em 1997...

MEO Wallet

Ok, não era exactamente novidade (já andava por aí discretamente), mas é bastante perto. Uma Google Wallet portuguesa, suportada pelo maior grupo de tecnologia e comunicações do país? Check. Depois de ver a funcionar em vending machines aparentemente normalíssimas, e de ver o jeitaço que poderá dar – até de formas disruptivas, com contas merchant a poderem receber pagamentos muito rapidamente – tenho o palpite que deverá explodir relativamente rápido.

A única coisa que me preocupa – porque, lá está, me afecta directamente – é a qualidade dos dispositvos que andam para aí. O tablet que tenho comigo (Galaxy Tab2 10.1) não permitiu instalar a app (versão do Android, talvez?) e, mesmo que desse, a câmara é tão ranhosa que não tenho a certeza que lesse os QR Codes.

MEOCloud Linux GUI

Pronto, isto só é grande para meia dúzia de malucos. Aliás, o Celso Martinho salientou exactamente isso quando o anunciou. Mas, bolas, era algo que me estava mesmo a fazer muita falta...

MEOCloud “traz um amigo também”

Continuando com novidades MEOCloud, existe agora um programa de referrals que permite que se ganhe mais espaço (até um total de mais 16 GB) convidando amigos. Portanto, a 512 MB de cada vez, rapidamente se fica com uma cloud de 32 GB (66 GB para early adopters).


Mantenham-se atentos aos próximos posts. É já a seguir. Ou então não.

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

LikeFriendsNo ano passado, por volta desta altura, lancei um pequeno brinquedo social, o LikeFriends. Depois do lançamento, nunca mais me preocupei com ele.

De alguns meses para cá, começaram-me a chegar queixas que não estaria a funcionar correctamente – não mostrava quaisquer likes em comum. Infelizmente, não tive vida pessoal nem profissional que me deixasse abordar este problema, para além da confirmação que, sim, estava partido.

Para quem não se interessa por questões técnicas, a única coisa que interessa é esta: está de novo a funcionar. Ide brincar. Quem estiver interessado, que fique por cá mais alguns minutos (e depois pode ir brincar).

Boa tarde,

O meu nome é ****** e sou uma web editor de argumentos sobre poker e jogos online.

Entrei em contato anteriormente mas não obtive resposta.

Tive a oportunidade de visitar o vosso site e gostaria de saber se poderiam estar interessados numa colaboração editorial.

Agradecendo antecipadamente a vossa atenção, apresento os meus melhores cumprimentos,

******

E porque será que não obteve resposta?

Porque, como editora de conteúdos, deveria dar mais atenção aos conteúdos. Eu falo em Poker no DreamsInCode exactamente uma vez (aqui), e é, claramente, de raspão. Não falo em jogos online de todo.

Porque sou, como é trivial de verificar, apenas uma pessoa, pelo que é absurdo - e mais uma vez denota que o trabalho de casa não foi feito - falar em "vosso site", "poderiam estar interessados" e "vossa atenção".

Porque fala numa "colaboração editorial" e não diz nem com quem, nem em que moldes. Não há absolutamente nada no seu e-mail que identifique em nome de quem se apresenta, não dá um único exemplo dessas tais colaborações editoriais, nem quais as vantagens das mesmas.

Porque, enfim, eu tenho mais que fazer do que responder ao que tem todo o aspecto de ser spam (tanto no sentido tecnológico do termo, como na acepção de fiambre enlatado, desenxabido e gorduroso). Excepto, claro está, quando a insistência já pede uma abordagem mais pedagógica.

Como esta.

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Codebits VI
Como já é  habitual, a semana a seguir ao Codebits é bastante caótica; este ano, por motivos profissionais, essa semana transformou-se rapidamente em quase três meses. Durante esse tempo, este post foi sendo escrito em quatro dispositivos, por três zonas do país, e esteve quase para não ser publicado. Como já estava quase pronto, cá está. So, back to the  point...

Quando acordei, já o recinto fervilhava com movimento, e as primeiras talks estavam a arrancar. Dei a primeira ronda como perdida e fui tentar tirar o aspecto de zombie mal nutrido – sem grande sucesso, diga-se de passagem.

Instalei-me (isto é, deixei-me cair em cima de um puff) para ver a Tools, tools, tools, de Paulo Gaspar. Tendo como tema as diferentes ferramentas necessárias à programação, com especial enfoque no webdev, Paulo Gaspar passou por quase tudo o que era humanamente possível; só fiquei ligeiramente desapontado com a não inclusão do Netbeans – posteriormente, foi-me justificado que nem sequer sabia que o Netbeans suportava outras coisas que não Java.

Esta talk foi interrompida, perto do final, por dois eventos mesmo à Codebits: primeiro, uma mais que merecida homenagem ao Celso Martinho, pai do Codebits, co-fundador do Sapo e all around geek. Tirando a imagem um bocadinho creepy de centenas de máscaras Celsianas ao som do por vezes hipnótico, mas sempre irritante, Nyan Cat, poucas pessoas em Portugal conseguiriam ter a admiração quase consensual duma comunidade da forma como Celso Martinho consegue.

Logo de seguida, no contexto da caça aos badges, o desafio I'll do anything for a badge, que consistia em tomar o palco principal e imitar a coreografia do Gangnam Style. Como a participação foi massiva (porquê , pergunto eu), foi necessário repetir o evento. Isto é, depois do Nyan Cat, duas vezes Gangnam Style. Às vezes ainda acordo com suores frios a pensar nisto...

Depois de Gangnam Style ter atingido mil milhões de visualizações no Youtube, passo a oportunidade de o linkar novamente.

A seguir ao almoço passei mais uma vez pelas equipas que vinha a acompanhar, dar aquele último impulso moral, e cirandei por várias outras equipas. Mais do que a inovação tecnológica, ou o brilhantismo das apresentações, há uma energia no ar, um misto impalpável de excitação, receio e alguma sobranceria fingida, protecção de última linha contra uma auto-estima destruída pelo cansaço e pelo génio que se encontra a cada metro percorrido.

As apresentações decorreram de forma fluida, o sistema de votação não deu o tilt como no ano passado, e até a collective intelligence do público se comportou bastante melhor, votando bastante em projectos com efectivo interesse prático. Por exemplo, o projecto mais votado pelo público, reconhecimento automático de linguagem gestual, é tudo o que um projecto Codebits (e, em última análise, qualquer projecto de startup) deve ser: aliar o poder da tecnologia à resolução de um problema real.

No final das apresentações, infelizmente, tive que iniciar a minha viagem de regresso. Parece que, a cada ano, conforme vou aumentando a hora de regresso, o evento arranja maneira de acabar mais tarde. Já não pude assistir à divulgação dos vencedores, entrega dos prémios e discurso de encerramento de Zeinal Brava.

Fica, como sempre, a sensação de maravilhamento com o que é possível atingir quando existe a motivação correcta – mesmo quando essa motivação está longe de ser monetária. Algo a aprender pelas empresas portuguesas (e pelos sindicatos, já agora).

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Codebits VI

Inexplicavelmente, ontem esqueci-me de assinalar a The Art of Readable Code, de Pedro Morais, uma talk que devia ser obrigatória em qualquer nível de ensino relacionado com a programação. Muito boa talk.

Depois de uma noite mal dormida (como sempre no Codebits), arranquei logo de manhã para Fast relational web site construction with PHP, de Nelson Gomes. As minhas aspirações foram ligeiramente defraudadas, em parte pelo cansaço, em parte por ter extrapolado mais da descrição do que o que lá estava. Como dizem os namorados americanos nos filmes, it's not you, it's me.

O foco da talk foi quase em exclusivo no motor ORM Doctrine e no motor de templating Smarty, quando eu tinha esperado que fosse mais sobre motores de ORM e templating em geral e depois algumas considerações sobre estas em particular. Não havia rigorosamente nada na descrição que levasse a esta minha conclusão (acabei de verificar novamente) e não sei de onde a fui tirar. Não tenho grande interesse no Doctrine (usamos a nossa própria framework no trabalho) e conheço Smarty de trás para a frente (este site, por exemplo, usa-o). A talk é boa para iniciantes, ou para quem esteja no processo de escolher motores, mas não é o meu caso. O cansaço também não ajudou – fechei os olhos várias vezes.

À tarde, a Move fast & break things, do inenarrável Miguel Gonçalves, era imperdível. Como sempre, o dinanismo é esfuziantemente contagiante, o discurso motivacional é o correcto mas... a crowd é errada. Ele apanhou algum calor na parte de perguntas e respostas, porque esta rapaziada já é a que tem o mindset correcto (não estaríamos cá se não fosse esse o caso). Algumas pessoas levaram a mal o trabalhar mais, trabalhar melhor, o que é compreensível quando estamos a falar de pessoas que já estão em frente a um computador mais de 12 horas por dia. A esmagadora maioria percebeu que o problema não está em nós, e que o principal nem é a quantidade do trabalho, mas sim a motivação com que o fazes; não obstante, o discurso poderia ter sido ligeiramente adaptado, tendo em atenção as características muito específicas da audiência. No entanto, não deixa de ser sempre uma talk imperdível. E foi.

Depois de uma talk menos conseguida no ano passado, Diogo Antunes volta a estar em grande forma com It works on your computer but does it render fast enough. Como alguém que passou as últimas duas semanas a optimizar o rendering de um projecto profissional, estava especialmente ansioso por mais um truque ou outro que pudesse aplicar. Infelizmente, acabei por aprender que já estou a usar todos os truques aplicáveis, mas foi muito interessante ver explicado decentemente aquilo que tive que aprender, às vezes de forma incompleta, nas últimas semanas.

Com especial destaque para as operações de reflow e redraw dos motores de rendering dos browsers, esta talk é especialmente informativa e dada de forma quase irrepreensível (nota-se que o inglês não é a língua nativa).

No final desta talk ainda tive a oportunidade de debater os meus dilemas com o tal projecto profissional com o Diogo e com o sempre disponível André Luís, que só confirmaram o que eu já temia: há um limite para a optimização que um webdev pode fazer; há certos dispositivos que não estão preparados para certas cargas, ponto.

A fechar a tarde, The Yin-Yang of web authentication, de Nuno Loureiro, parte da equipa de segurança do Sapo, e João Poupino, da nova CloudPT. Alguns dos vectores de ataque foram novos para mim (os baseados em timings são especialmente assustadores) e alguns dos métodos de defesa também. Sem dúvida uma das talks com melhor taxa de material aprendido por minuto... ;)

Por exemplo, ao fim destes anos todos, aprendi que CAPTCHA, na realidade, é um acrónimo para Completely Automated Public Turing testes to tell Computers and Humans Apart. Wow.

O plano nocturno foi o sempre hilariante The Amazing Codebits Quiz Show. Eu não sei onde raio o Quiz Master vai buscar certas perguntas (e certas respostas) que não lembram ao demónio. Quanto é um ångström? A sério? Qual é o país com a maior bebida standard? Os países têm uma bebida standard?

Durante grande parte do dia e da noite, fui seguindo alguns projectos de malta conhecida e ajudando no que podia.

Um grupo de estudantes do Técnico resolveram fazer uma aplicação Android que funcionasse como um shout georeferenciado, o que é uma ideia interessante. Pormenor: nenhum deles sabia programar Android. Fui passando várias vezes por lá, a orientá-los pelos vários pitfalls que o Android SDK tem (a última foi aquele problema irritante de não se poder instalar a mesma app quando se muda o namespace).

O KTachyon, que é um programador competentíssimo e de certeza que não precisa da minha ajuda, está com uns colegas a fazer uma aplicação que junte os vários serviços de alojamento de ficheiros, Dropbox, Google Drive e agora o CloudPT. A meio da madrugada, a API do CloudPT estava a dar-lhe um bocado de luta e estivemos a debater durante um bocado o que poderia estar a correr mal. Eu fiquei sem saber muito bem, mas aparentemente ele conseguiu desbloquear a coisa.

O Killercode, que tem sempre ideias muito maradas envolvendo hardware (no ano passado era controlar a MeoBox com o Kinect) anda ali de volta de um Arduino controlado via bluetooth por um Android. Eu disse que era marado.

Passei algumas horas da madrugada com o KTachyon e alguns amigos a discutir um monte de coisas, desde o ainda aftershock da talk do Miguel Gonçalves, o estado do nosso país, o estado da nossa educação (entre os participantes, um professor de biologia, que, a meio da carreira, decide que afinal quer ser é programador - awsome!), dificuldades e oportunidades na nossa área, old school gaming e se os porcos têm ou não asas.

Estamos no último dia. Hoje é que é a doer para muitos participantes. Boa sorte a todos!

Comentários 2 comentários Continuar a ler Continuar a ler »
 Categorias
 Arquivo
 Projectos em Destaque
 Últimas Postas no Blog
 Últimos Comentários do Blog