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Projectos em Destaque

Eleições e Número de Deputados

Aplicação desenvolvida para testar as propostas de dois dos candidatos às eleições legislativas de 2011 quanto ao número de deputados na Assembleia da República.

Outros Projectos @ 14-06-2011 às 23:48


Últimas postas no blog

As abordagens

Escola pública

Em preparação para a minha talk no Pixels Camp, e porque no Ministério da Educação estão todos muito ocupados para responder a e-mails de cidadãos comuns, contactei um professor de TIC que está a ministrar iniciação à programação no 1º ciclo. Isto é um projecto-piloto de dois anos, iniciado em 2015, cuja documentação, incluindo o conteúdo programático, podem encontrar aqui.

O professor Nuno Cunha, do Agrupamento de Escolas de Morgado de Mateus, Vila Real, teve a simpatia de me receber na escola e de trocar alguns e-mails sobre o assunto.

Voluntariado num colégio privado

Durante o Pixels Camp, tive o prazer de conhecer Gaspar D'Orey, que dispensa algum do seu tempo livre para ensinar iniciação à programação a crianças em final de pré-escolar, num colégio privado do Porto, em regime de voluntariado.

Foi uma proposta do próprio ao colégio que fosse iniciado o ensino da programação a crianças; vendo-se o colégio a braços com a escassez orçamental que é transversal no nosso país, propôs este regime de voluntariado.

CoderDojo

O CoderDojo é um movimento global de ensino de programação a crianças e jovens, gratuito, com mentores em regime de voluntariado. Em Portugal existem apenas 10: 3 em Lisboa, e depois em Lagoa (Açores), Beja, Abrantes, Santa Maria da Feira, Porto, Vila do Conde e Braga.

Este último é apoiado de forma mais ou menos oficiosa pelo Departamento de Informática da Universidade do Minho e pelo CeSIUM (Centro de Estudantes de Engenharia Informática), e os mentores são precisamente estudantes.

Já conhecia o Fernado Mendes de algumas edições do Codebits, mas só soube que ele era mentor do CoderDojo – ou que o CoderDojo existia – durante este Pixels Camp.

Irrita-me um bocadinho que uma coisa destas não exista em cidades e junto de universidades com tradição nas ciências da computação (looking at you, UA).

Para quem

Nas escolas, o programa incide sobre alunos dos 3º e 4º anos. Na área em questão (interior norte, crianças maioritariamente de contextos rurais), as crianças eram, no geral, oriundas de famílias de baixos rendimentos e de baixa literacia tecnológica.

No Porto, as crianças são do pré-escolar, entre os 3 e os 5 anos. Sendo um colégio privado numa grande zona metropolitana, as crianças são de famílias de classe média alta e superior, onde será expectável que a literacia tecnológica seja maior.

O CoderDojo de Braga abrange crianças e jovens entre os 7 e os 17, mas há uma maior incidência, embora ligeira, no segmento entre os 9 e os 12. Não há dados sobre o estrato social maioritário, mas o Fernando indica que todos trazem computador de casa, seja próprio, seja dos pais, pelo que deverá começar na classe média baixa. Também indica que a maior parte sente-se muito à vontade com um computador, donde podemos assumir que a literacia tecnológica deverá ser, pelo menos, média.

Uma constante das três abordagens é a completa ausência de distinção entre géneros. Em nenhum deles foi notado que as meninas fossem menos capazes, interessadas ou motivadas que os rapazes.

O interesse das crianças é bastante alto também nas três abordagens. Devido ao formato diferente do CoderDojo, o interesse descai ligeiramente ao longo do tempo, enquanto nos outros se mantém, graças ao seguimento encadeado de actividades e conteúdos.

Onde e como

Foi dado às escolas públicas alguma autonomia sobre como deveriam implementar o projecto-piloto. No Agrupamento Morgado de Mateus, optou-se por leccionar esta matéria como se fosse um actividade extra-curricular, isto é, depois das horas de aulas normais, tendo 90 minutos por semana.

Apesar de não ser obrigatório, todas as crianças quiseram comparecer. Optaram também por entregar esta função a um professor de TIC – o que me parece que faz todo o sentido.

O programa curricular é sugerido na página do projecto, mas, sendo um projecto-piloto, as escolas têm alguma margem para implementação do mesmo, até para poder sugerir alterações no final do mesmo.

No colégio no Porto, o Gaspar passa algumas horas de almoço com as crianças. Habitualmente, seja em colégios, instituições ou na escola pública, as horas de almoço são bem maiores do que o necessário para as crianças almoçarem, pelo que este regime resulta em tempo suficiente para estas actividades.

Os professores e educadores gostam da iniciativa e têm ajudado bastante, revelando também curiosidade. Não existe um programa curricular formal, mas estão a ser seguidas as orientações do software usado (ver mais abaixo).

O CoderDojo tem um funcionamento mais aberto – como os eventos são, em teoria, numa base first-come, first-served, não é garantido que os ninjas (assim se chamam os “alunos”) dum evento sejam os mesmo de outro. Por esse motivo, não existe de todo um fio condutor programático, mas estão a estudar formas de introduzir uma forma dos ninjas que queiram vir de forma contínua possam ter uma noção de progresso.

Os eventos regulares têm duas horas, de três em três semanas, no Departamento de Informática da Universidade do Minho, ao sábado de manhã. De três em três meses, existem uns eventos especiais, para maior contacto com o público em geral, no edifício GNRation, em Braga.

O quê e com quê

O professor Nuno Cunha está a seguir – com algumas adaptações – o sugerido na página do projecto-piloto. No entanto, devido à baixa literacia tecnológica dos alunos, foi perdido (ou investido, talvez seja melhor o termo) algum tempo no início do ano lectivo para que os alunos compreendessem conceitos básicos, como guardar o trabalho para continuar na sessão seguinte.

Está a usar fundamentalmente o Scratch, e alguns conteúdos do Code.org, quando possível. A ambientação ao Windows e a ferramentas do Office faz parte do currículo e também foi abordada.

A escola tinha alguns equipamentos remanescentes do programa Magalhães, e foi esse o hardware usado, depois de formatados e instalado o software necessário. O Ministério da Educação não se ofereceu para renovar o parque informático desta escola em particular, ignoro se o fez para outras escolas que quiseram participar.

O Gaspar está a usar o Scratch Jr, o que é apropriado para crianças tão novas. Como funciona como app completamente isolada, e como as crianças ainda tão novas não precisam propriamente de ter cada uma o seu tablet e de gravar o seu progresso individual, é muito fácil levar o tablet dele e mais dois ou três que pede emprestados no próprio dia.

O facto de ser necessário um tablet (iOS ou Android) poderá impedir algumas classes mais baixas de usufruir desta ferramenta extraordinária, mas num colégio privado não será um problema se as crianças quiserem continuar a explorar em casa.

Está a seguir as actividades propostas no próprio site do Scratch Jr.

O CoderDojo navega mais ao sabor daquilo que os participantes procuram. Habitualmente é usado o Scratch para iniciação, depois alguns jogos lógicos, como o Lightbot e o CodeCombat, mas também já se passou por HTML e CSS, Python e até Bash; também há sempre alguém que quer experimentar a brincadeira dos pop-ups infinitos em VB.

Os ninjas trazem as suas máquinas, mas o CeSIUM tem sido uma ajuda preciosa com Raspberry Pi, Arduinos, um eventual monitor e teclado que falta. Também estas múltiplas valências de plataformas, nomeadamente ao nível da computação física ajudam a manter o interesse alto.

Em conclusão

Que o ensino de programação a crianças é fundamental para hoje e para o futuro parece-me indiscutível e já aceite pelos governantes.

Um tema desta natureza tem que ser abordado ao nível do Estado. Não podemos deixar isto apenas nas mãos da boa vontade da sociedade, apesar de parecer que estão a fazer um melhor trabalho. Parece-me que o Estado, por bem intencionado que tenha sido este projecto-piloto, deixou as (poucas) escolas aderentes um bocado ao abandono, nem sequer dando feedback apropriado dos resultados obtidos ao fim do primeiro ano.

Não dotando as escolas dos meios necessários, este projecto ficaria sempre restrito às escolas que já tivessem a capacidade instalada, tanto ao nível dos meios físicos como humanos. Foi uma sorte este agrupamento que abordei ter um professor de TIC disponível e – o que será talvez mais importante – com o que me pareceu ser a motivação e entusiasmo necessário para levar as crianças à descoberta com ele.

Quando – e se – o Estado optar por tornar esta matéria obrigatória universalmente no primeiro ciclo, o trabalho da sociedade não poderá parar. Projectos de voluntariado como o do Gaspar D'Orey continuarão a ser necessários onde o Estado não obrigar, ao nível do pré-escolar e nos primeiros dois anos do primeiro ciclo. Eventos como os do CoderDojo poderão expandir para abordar temáticas não exploradas no ensino formal, como a computação física e a robótica, mantendo o entusiasmo de crianças e jovens para lá do que é obrigatório.

Neste momento, e ainda sem se saber o que vai ser decidido no Ministério da Educação no final deste projecto-piloto, em Junho, estas duas abordagens da sociedade são de enorme importância que continuem a acontecer e a desenvolver-se.

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Já é quase uma tradição que o sistema de votação, pelo menos, soluce durante a apresentação dos projectos. Este ano, estava mesmo engatada, e passou-se rapidamente para um plano B, que consistiu em votar através do Slack, que já estava a ser usado por grande maioria dos participantes (mas não todos).

Isto permitiu que a votação fosse mais transparente este ano. Em anos anteriores, não se tinha acesso às quantidades exactas de votos, apenas a um gráfico, e apenas durante a votação. O Slack permitiu esse acesso este ano.

No entanto, e ao contrário do vocês-sabem-o-quê, este ano os prémios do público e do júri estavam misturados. Não existia um conjunto de prémios do júri, completamente separados dos prémios do público. Pior, não houve, e continua sem haver, qualquer indicação de quais são quais, embora uma análise da votação, que é pública, e dos prémios atribuídos, faça concluir facilmente a maioria dos atribuídos pelo júri.

Mais, o método segundo o qual foram seriados os projectos não foi divulgado, senão pós-facto. Como a solução foi de recurso, até se podia admitir que não fosse possível divulgar – mas como tanto o plano A como o B se baseavam em votos positivos e negativos, o método teria de ser o mesmo.

Acabou por ser divulgado que a seriação foi por (positivos – negativos), o que me parece injusto. Em teoria, para mim, devia ter sido usado um rácio, ((positivos – negativos) / (positivos + negativos)), o que levaria em conta que as pessoas não votam pelas mais variadas razões – por exemplo, enquanto estive na fila para apresentar o nosso, deixei de votar numa carrada de projectos, simplesmente porque tinha as mãos ocupadas.

Não é que os resultados da competição sejam por aí além importantes; afinal, os prémios (sobretudo este ano) não são qualquer coisa de extraordinário.

Mas é o princípio da transparência. Basta que indiquem à priori quais os prémios do júri e do público e qual a fórmula de cálculo para a seriação dos votos do público.

Podemos discutir os méritos desta ou daquela forma de votação, se uma fórmula é mais ou menos justa que outra, mas se as regras estiverem definidas à partida, estas discussões são meramente académicas e até saudáveis. Assim, ao suscitar este tipo de discussão, a organização tornou-se desnecessariamente defensiva, quando ninguém estava a acusar de nada – estávamos a discutir metodologias, que é uma coisa que os developers fazem amiúde, por nenhuma razão em particular.

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O Bruno Barão é um habitué destas andanças e, nos últimos anos, tem pertencido à organização. Tendo passado para a Bright Pixel, também este ano estava na organização, devidamente identificado com uma camisola amarela específica, como muitos outros.

O Bruno Barão é um tipo porreiro como, aliás, a esmagadora maioria do pessoal que organiza estas coisas. Pela minha experiência, são mesmo todos.

O Bruno Barão tinha um projecto para apresentar no final do Pixels Camp. Legitimamente. Não há nada que impeça um organizador de também participar na competição. E nunca deverá haver. Não faz sentido. Isto não é um sorteio, é uma competição baseada no mérito da ideia e da implementação, e não tem jeito nenhum tentar impedir uma pessoa, que por acaso está na organização, de ter boas ideias.

O Bruno Barão achou por bem trocar de camisola, para uma genérica, durante a apresentação dos projectos. Para evitar comentários.

O problema não é dele. Algo está errado na nossa comunidade, tão ligada ao movimento open-source, tão assente no cooperativismo, que força uma pessoa como o Bruno a sentir que deve demarcar-se da organização para participar na competição.

Não é ele; somos nós. E devíamos reflectir sobre isso.

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A comida era uma queixa habitual em vocês-sabem-o-quê e, nesta nova iteração, não foi excepção. Imensa gente a queixar-se da comida, e a senha e contra-senha “o que é a comida? noodles” tornou-se uma espécie de inside joke.

Habitualmente não me queixo da comida. Primeiro, porque é à borla, e to horse given, one doesn't look at the teeth. Segundo, porque normalmente é hambúrgueres e pizza, que eu como com afinco. Em terceiro porque, não sendo muito, também nunca passei fome.

Até este ano.

Reparem, foi inteiramente culpa minha com, talvez, um cheirinho de sub-dimensionamento por parte da organização e alguma imposição por parte de um parceiro em particular.

Eu nunca tinha comido noodles, mas a Rosana tinha-me garantido que a coisa era boa, pelo que avancei confiante ao almoço do primeiro dia e, efectivamente, a coisa até é jeitosa. Agora… para um almoço, parece-me que não puxa grande carroça. Afinal, aquilo é praticamente só massa (ah, e tal, hidratos de carbono – screw you, quero carne!). Mas pronto, experimentou-se, é porreiro. Fixe para ter em casa e comer no sofá durante maratonas de Mr. Robot. Ok, no sofá não, que aquilo respinga por todos os lados. Mas em casa, ao fim da noite, enrolado numa manta.

No segundo dia, e por força de ter a minha talk às 14, optei por almoçar só depois. Só que o “depois”, com a talk e as pessoas que quiseram ficar a conversar comigo, foi só já depois das 16. Quando cheguei lá acima, onde imaginei alguns hambúrgueres à minha espera… já só havia noodles. Passei a coisa e comi umas bolachas que tinham sobrado do pequeno-almoço. No último dia ao almoço, noodles outra vez. Voltei a passar e comi mais bolachas.

Outras coisas que costumavam haver com abundância no vocês-sabem-o-quê eram barras de cereais e fruta, em especial maçãs – que é substituto muito competente para o café e Red Bull. Este ano, nada.

A malta compreende que o investidor é novo nestas andanças, e que se calhar não está disposto a enterrar já uma pipa de massa sem perceber como é que isto funciona e que vantagens é que tem um evento destes. Mas a paparoca… é preciso rever.

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O melhor de eventos deste tipo é falar com pessoas. As mais variadas pessoas.

Nesse aspecto, até sinto que este Pixels Camp foi melhor do que eventos anteriores. Falei com imensa gente, de vários backgrounds. Tenho pena de não ter falado com ainda mais. Dos mais importantes ao participante anónimo, há sempre ideias para trocar e coisas para aprender. A malta é, no geral, genial.

Desde a rapaziada brilhante da UMinho, com o Fernando Mendes à cabeça, passando pelo tech-evangelist e mágico José de Castro (se não sabem o que é que estas duas coisas têm em comum, há-de aparecer uma keynote dele no YouTube), a doutoranda em bioengenharia Cátia Bandeiras, para já nem falar da malta da organização e dos lagostas (sabes que isto é um ícone do evento quando as localizações dentro do espaço têm como referencial as mesas deles), e imensas outras pessoas que de certeza me estou a esquecer.

Coloca a visão que tens de ti e do teu trabalho um bocado em perspectiva. Saio sempre de lá com um bocado de impostor syndrome e este ano não foi excepção. Não é uma coisa má: é uma motivação extra para te manteres actualizado e informado.

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