Pixels Camp Intro

Aconteceu novamente a peregrinação anual(-ish) de geeks a Lisboa. Como é habitual, foi “o melhor Pixels Camp de sempre”. Como é habitual, há ainda tanta margem para crescer e melhorar.

Topos

Pessoas

Sempre as pessoas. Pessoas de todas as formas e feitios. O melhor disto são sempre as pessoas. Normais, esquisitas e outras. Com conhecimentos específicos ou jacks-of-all-trades. Software developers ou makers. Engenheiros ou artistas. Tantas. Pessoas. Interessantes.

O regresso dos tacos

Digam o que disserem das bifanas ou das almôndegas, se são nucleares, são tacos. E se são tacos nucleares, são feitos segundo as especificações do Pedro Couto e Santos. E, oh céus, como foram.

A afirmação do novo Quizmaster

Havia sempre a dúvida se o Carlos Rodrigues tinha tido sorte de principiante na última edição (apesar duma celsada), ou se era mesmo digno do manto.

Yep, confirma-se: é mais que digno do manto.

Patrocinadores

Sejamos realistas: isto não se fazia sem os patrocinadores. Pelo menos, não desta forma. As várias empresas do grupo Sonae, a Microsoft, a Cisco, a Talkdesk, a Siemens, a Feedzai, a Beta-i, a Taikai, a UTRUST, até a muito séria e engravatada SIBS, e a ainda mais séria e engravatada Fundação Gulbenkian, e mais uns poucos que é uma injustiça estar aqui a esquecer-me.

E, claro, a Bright Pixel, que organiza esta coisa toda e consegue convencer estes patrocinadores todos.

E os patrocinadores começam a acreditar no evento a sério, e isso nota-se – de todos os sítios onde se podia notar – nos prémios. Com muita ginástica financeira por parte de organização, concerteza, mas o nível dos prémios subiu muitos furos desde a última edição.

Não é que alguém participe pelos prémios – é mais pelos bragging rights e pela eventual oportunidade de negócio – mas é bom notar que há um esforço nesse sentido. E isso só é possível graças aos patrocinadores.

TAIKAI

A TAIKAI tinha, provavelmente, muito a provar no Pixels Camp. Funcionaria, ou ia dar o berro a meio? A utilidade seria confirmada? Haveria adesão?

Funcionou. Foi útil. O pessoal aderiu.

É capaz de ter sido o sistema de voto mais simples desde as palmas do Codebits VII, mas muito mais transparente e verificável. Tinha – e tem – os seus quirks, o que é normal numa plataforma novinha em folha, mas cumpriu o serviço com distinção.

É para seguir com atenção o que é que esta gente vai fazer a seguir.

Fundos

Networking

O wireless ser uma miséria, sobretudo no primeiro dia, é já um clássico Pixels Camp (como era no Codebits).

Mas este ano foi absolutamente miserável, e não se restringiu ao wireless. A própria rede cablada vacilou forte e feio durante os três dias, com largas horas sem acesso.

É muito difícil fazer uma boa participação numa hackathon assim, sobretudo se estás a trabalhar com IoT, que foi um dos pratos fortes desta edição.

O meu cérebro derrete um bocadinho ao pensar em ligar ~1000 pessoas (cada uma com pelo menos dois dispositivos) à internet da mesma localização, e por isso condoo-me com quem tem que planear este bicho. Mas se há ponto a resolver com urgência para a próxima edição, é este.

Comida... outra vez

Eu sei, clássico.

A comida é meio fatela. Os noodles já são meme por esta altura. Na última edição tivémos umas cenas engraçadas da Bagga, mas nem vê-las este ano.

Não há opções vegetarianas, o que nestes tempos começa a ser bastante problemático. Não para mim, note-se.

Wrap up

Não há como negar o sucesso do Pixels Camp, sobretudo tendo os sapatos do velho Codebits para preencher. Se achei a primeira edição tremida, no mínimo, a segunda já deu passos na direcção correcta, e esta continua a expandir e a melhorar, não obstante parecer-me terem existido alguns pequenos passos atrás.

O orçamento de certeza que não é infinito (pelo menos não é PT-infinito), pelo que haverá sempre concessões a fazer aqui ou ali, mas tudo somado, será dos melhores eventos tecnológicos do país. Sim, incluíndo a treta da WebSummit, que não é um evento tecnológico, mas sim uma central de compras e promoção política.

E há ainda tanta coisa de que eu não falei (Code in the Dark, Security CTF, Presentation Karaoke, Chasing Ghosts, eu sei lá), e que é sempre vários graus de espectacular.

Uma palavra para os voluntários, muitos não-geek, que aturam algumas das nossas idiossincrasias.

E a equipa da Bright Pixel que organiza isto tudo. Nem vou aqui nomear, porque seria uma injustiça das grandes esquecer-me de alguém, e de certeza que iria acontecer.

Até para o ano!

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »
Pixels Camp Intro

Aconteceu novamente a peregrinação anual(-ish) de geeks a Lisboa. Como é habitual, foi “o melhor Pixels Camp de sempre”. Como é habitual, há ainda tanta margem para crescer e melhorar.

Portanto, a hackathon do Pixels Camp funciona basicamente como o ecossistema das start-ups:

  1. Tens uma ideia;
  2. Implementas um proof-of-concept da ideia;
  3. Vendes a tua ideia ao mercado e a investidores;
  4. Recolhes a narta e, se for a suficiente, ganhas o jogo das start-ups.

Simples, certo? Como é que se implementa isso numa hackathon? Ora, com blockchain e tokens, como é lógico. Na última edição já tinha funcionado assim, com os EXP, mas este ano – reimplementando a ideia – foi a prova de fogo duma nova plataforma, a TAIKAI.

A TAIKAI tem grandes planos para o futuro, segundo a conversa que tive com os founders, e tenciono seguir de perto o que vão fazer a seguir; mas, para os efeitos do Pixels Camp, o conceito é simples: a TAIKAI permite criar um challenge, onde os innovators criam projects, que depois são financiados por backers (que incluem os próprios innovators).

A moeda chama-se KAI, e é distribuída pelo criador do challenge da forma que achar mais apropriada. No caso, o Pixels Camp atribuiu 25.000 KAI a 26 super-investidores, entre pessoal da organização e patrocinadores. Não esquecer que os patrocinadores lançaram desafios e têm interesse em ver esses desafios feitos.

Depois, qualquer participante pode obter KAI capturando badges na forma de códigos QR, participando em diversas actividades, falando com os patrocinadores, estando acordado às tantas da manhã e até mandando uma poia. Alguns badges são free-for-all, outros são limitados aos primeiros x a obtê-los. A maior parte dos badges dão 100 KAI, alguns 200 KAI, e dois em particular, dão 2000 KAI e 500 KAI. Mas já lá vamos.

O primeiro problema – que, meh, nem é grande problema – é que não há qualquer incentivo para gastar KAI em qualquer projecto que não seja o nosso. Na realidade, faz sentido: quantas start-ups têm sucesso, ou conseguem, pelo menos, arrancar, precisamente porque os seus founders têm os bolsos fundos? Faz algum sentido que invistas no teu próprio projecto, certo? Infelizmente, isto retira muito do voto público que as hackthon costumam ter.

Mas o principal problema é que os grandes caçadores de badges podem desbalancear bastante o resultado, para além dos primeiros 3 ou 4 lugares. Sobretudo porque muitos badges podem ser partilhados entre a equipa (isto não é batota, per se, bastava indicar onde é que o badge estava colado).

E, claro, existe o badge do desafio das t-shirts, no valor de 2000 KAI para o primeiro e 500 KAI para os próximos 10-ish. É previsível que os primeiros 4 ou 5 sejam da mesma equipa, o que quer dizer que a equipa que os encontrar obtém logo entre 3000 a 5000 KAI.

Isto dilui bastante a força dos super-investidores, sobretudo se estes dividirem os seus 26 × 25.000 = 650.000 KAI por vários projectos. Claro que os primeiros – sei lá, 4 ou 5 – lugares são consensuais entre os investidores, mas daí para baixo nota-se a influência dos caçadores de badges.

Este ano, fomos muito beneficiados por este sistema. O nosso investimento próprio representou 75% do investimento total no projecto.

Este sistema não me agrada. Parece-me injusto para quem se esforçou tanto ou mais que nós no projecto, que tinha projectos tão bons ou melhores que o nosso, mas que não conseguiu ou não quis caçar os badges.

Na realidade, fiz as contas, e se apenas contassem os super-investidores, tínhamos ficado em 24º. Yep, metade inferior da tabela classificativa.

No entanto, é evidente que vamos continuar a apostar neste sistema para o futuro, enquanto for possível. Eu não faço as regras, só jogo dentro delas.

Up next: topos e fundos

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »
Pixels Camp Intro

Aconteceu novamente a peregrinação anual(-ish) de geeks a Lisboa. Como é habitual, foi “o melhor Pixels Camp de sempre”. Como é habitual, há ainda tanta margem para crescer e melhorar.

Os patrocinadores trouxeram-nos, novamente, um conjunto de desafios para mordermos. Já o tinha dito da última vez, os reverse pitches funcionam muito bem (alguns, pelo menos), e quanto mais os patrocinadores se empenharem em trazer desafios interessantes, melhor para todos os envolvidos. A publicação prévia dos desafios ajuda a arrumar as ideias com algum tempo de antecedência.

Claro que alguns dos desafios são absurdos. Os da NOS, por exemplo: algo semelhante ao Bandersnatch, mas ainda mais dinâmico, ou um AI director. Em 48 horas, a sério? O que é que andam a fumar?

Depois há os chamados soft targets. Não há como ter um mau desempenho com um destes, e, eventualmente, serem relativamente fáceis de ter qualquer coisa a funcionar no final. Os ligados ao retalho da Sonae costumam ser soft targets, e este ano havia também os da iniciativa Hack for Good da Fundação Gulbenkian. Emparelhar um destes com o último brinquedo da Microsoft era praticamente um no-brainer e fazia ainda um softer target.

Assim que saiu o da Hack for Good, fiquei logo de olho, e quando saiu o da Microsoft, vi logo o que tinha de ser feito. Falei com o meu habitual partner in crime, que também estava inclinado para o Hack for Good (soft targets, gotta love them), e acabei por escrever o pitch, a especificação de funcionalidades e o estudo da tech stack no Alfa a caminho de Lisboa.

Pitch

Summary

Implement a pair of device and application to help elders and informal caregivers with in-place ageing.

The IoT device will provide a simple two-button plus voice interface to the elders, complemented with sensor-based early warning system, while the (web) app will provide caregivers notifications, historical data and routines (medicines, meals, exercises).

Motivation

Informal caregivers – in the case of elders, mostly descendants – have most of their lives suspended. They can't be absent of the house for long, and in many cases just out of fear that something happens.

A simple smartphone, or even a dumb phone would solve some of the problems, but as anyone in contact with a 70+ person can tell you, teaching them – and convincing them – to use it can be a chore of it's own.

What our solution will try to solve is that conundrum of keeping caregivers in the loop without requiring a constant presence and avoiding the expected resistance an elder would have with a more complex device.

A seguir à keynote de abertura inseri logo o projecto no Taikai (lá irei), deixei a Joana e o Carlos a pensar na imagem e num nome, e fui fazer check-in no hotel. Quando voltei, já tinham imagem e acabámos por ficar com o nome YUP (de yet unnamed project, porque somos mesmo assim esquisitos).

MXChip

O MXChip é uma peninha de trabalhar, sobretudo para quem está habituado ao Arduino. Infelizmente, o wireless estava completamente nos porcos este ano (também lá irei), o que dificultou imensamente o desenvolvimento. A certa altura, já não sabes se não funciona porque a ligação está uma desgraça, ou se cometeste algum erro.

Rapidamente coloquei aquilo a fazer o mínimo dos mínimos (sinalização de emergência), mas depois, entre problemas de rede, problemas normais de desenvolvimento, e as vinte mil coisas que há sempre para fazer no Pixels Camp, acabou por fazer pouco mais que isso. A app (uma webapp, para atalhar caminho), devido ao tempo perdido, acabou por também fazer apenas o absolutamente mínimo (notificação de emergência), e mockups com força.

Entretanto, a equipa tinha sido realocada, por assim dizer, ao insano desafio das t-shirts. Hei-de falar mais sobre isto num post subsequente, mas, da forma como funciona o Pixels Camp, foi um risco calculado deixar-me a trabalhar sozinho no projecto e colocar a maioria das fichas no desafio. O Carlos escreveu um post sobre o processo, assim como o Márcio Martins, do ponto de vista dos criadores desta insanidade. E certifiquem-se que dão também uma vista de olhos em como o Celso escreveu um programa para o ZX Spectrum de propósito para o desafio.

Lost Pixels
by Miguel Duarte

De qualquer forma, o risco compensou. Estes malucos foram os primeiros a chegar ao final do desafio e ganharam uma boa batelada de KAIs (a moeda da hackathon). Depois ainda inventaram um esquema Ponzi (ou esquema em pirâmide), a que chamaram apropriada e descaradamente Pharaoh Ventures, usando os bónus de compra/venda da UTRUST em mais KAIs.

Entretanto, ainda fui entrevistado pelo Daniel Catalão (por volta do minuto 42), o que também gera algum interesse ali à volta. Vamos sempre falando com este e com aquele, com alguns sponsors, o costume.

No sábado de manhã já nem peguei no projecto. Não valia a pena estafar-me mais, ia ter que chegar. O Bellini gravou um vídeo rápido, a Joana ajudou o Carlos a enjorcar uma apresentação com os pontos essenciais, este ia tendo um colapso nervoso dez vezes antes de almoço, e o Tiago começou a colectar os KAIs todos na conta dele, pronto a despejar no YUP.

Chegou para o gasto. Um sétimo lugar, para juntar ao quinto da última edição, o que não é mau entre os 40-e-qualquer-coisa projectos que chegaram à apresentação final.

Up next: economia do Pixels Camp

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »
Pixels Camp Into

Aconteceu novamente a peregrinação anual(-ish) de geeks a Lisboa. Como é habitual, foi “o melhor Pixels Camp de sempre”. Como é habitual, há ainda tanta margem para crescer e melhorar.

Preparação

Quando chegámos a meio de 2018, as hostes começaram a ficar nervosas com a falta de notícias. Afinal, o último Pixels Camp tinha sido em Outubro de 2017, e ainda não se notavam as habituais movimentações.

Em Junho, Celso Martinho traz-nos novidades: a data seria empurrada para Abril ou Março de 2019, com intenções de aí continuar.

Eu empurrei com a (minha muy proeminente) barriga a preparação de uma ou outra talk. Entretanto, com um mês de antecedência, começa a qualificação para o Amazing Quizshow, e entre o isso e o meu trabalho diurno, acabei mesmo por não ter tempo para mais nada.

A qualificação foi desafiante/frustrante/hilariante como sempre, e o Quizmaster Carlos Rodrigues prova este ano que não teve apenas sorte de principiante no ano passado - o novo Quizmaster é mesmo, e pelo menos, tão bom como o velho Carlos Morgado.

O Carlos fez um apanhado da qualificação, e o Fernando Mendes detalhou com muito humor a solução da caça ao tesouro do terceiro qualificador.

Viagem

Há duas coisas que me são lembradas de cada vez que tenho de ir a Lisboa, sobretudo de transportes públicos:

  1. Adoro viajar de comboio – pelo menos, adoro viajar com o pandeiro devidamente acomodado no Alfa;
  2. Ia detestar viver e trabalhar em Lisboa.

Viajar no Alfa – em vez de ir de carro, por exemplo – tem uma enorme vantagem: permite ir a trabalhar no caminho. Sobretudo se se conseguir marcar lugar nas mesas e junto a uma ficha eléctrica (para quem tem portáteis gulosos, como o meu). O wireless da CP é que, pronto, coise. É uma miséria, não há outra maneira de o dizer. Mas nada que um router 4G e alguma paciência não resolvam.

Claro que, em chegando ao Oriente, dá-me logo vontade de voltar ao aconchego do Alfa.

Eu consigo ir a Lisboa tão poucas vezes, e acontecer-me sempre alguma. Desta vez, a linha vermelha do Metro interrompida. Imensa gente a acotovelar-se nas catacumbas do Oriente.

Volto para cima, decidido a chamar um Uber, mas a distância até ao Pavilhão Carlos Lopes e o pico de procura tinham atirado os preços para níveis absurdos.

Volto para baixo e aguardo pacientemente. As cancelas abrem, e aquilo parece tudo menos uma sociedade evoluída. Em chegando lá abaixo, tenho que deixar passar umas três ou quatro composições, simplesmente porque a cena das cotoveladas e dos empurrões não é a minha praia.

Uma mudança de linha de metro e uma subida de 20 metros colocam-me, finalmente, estafado e a bufar, à porta do Carlos Lopes, onde o Carlos Martins and company já me esperavam com uma mesa para poisar o portátil e uma cadeira para poisar o coiro.

Pavilhão Carlos Lopes

Up next: Hackathon

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Dezoito meses. Ano e meio. Praticamente ao dia.

É esta a duração do abandono deste blog. Em parte falta de tempo, em parte preguiça de escrever, em parte um bocado de enfado do design estafado disto, que já devia ter sido mudado há anos – mas estou a trabalhar nisso (há anos, também).

Oh, well.

Vêm aí posts novos (sobre o tema do costume, mas não só).

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Pixels Camp 2017

A paparoca foi mais outro campo onde houve bastantes melhorias, mas infelizmente ainda estamos abaixo do expectável.

Vou já começar por um ponto que a mim, particularmente, nem me afecta, mas que imagino que tenha sido difícil para algumas pessoas: continuam a faltar opções vegetarianas. Eu sei, eu sei, é quase impossível cobrir todas as opções alimentares que por aí andam hoje em dia, mas vegetarianismo é praticamente mínimo olímpico.

A opção por refeições quentes (quase escrevia saudáveis, mas só na medida em que não são hamburguers, pizzas e quantidades maciças de noodles) foi boa jogada, e eram bem boas, embora arriscadas. A feijoada, então, tinha um potencial... erm... gasoso... bastante perigoso.

Mas o melhor de tudo foi o stand da EatTasty. Eu comi uma bifana com carne slow cooked que era uma maravilha, e um wrap de frango com pimentos que foi dos melhores que alguma vez comi. Já quanto à almôndega nuclear (nível 2 - sobrou do concurso, que eu não sou psicopata), apesar da quantidade absurda de picante, era também incrivelmente saborosa.

Já disse que se pagava neste stand? Pagava-se neste stand. Parece que me estou a queixar disso? Não estou.

Caramba, se o pessoal se queixa que não gosta da comida oferecida, ou que a comida oferecida é pouca (e, para mim, é claramente para o curto, mas isso sou eu que sou badocha), é meter mais barraquinhas. A pagar. Sério, a malta não se importa e paga.

Bem sei que a EatTasty é especial, porque foi incubada - ou acelerada, ou lá que termo é que se usa hoje em dia para as startups - na Bright Pixel, e é parceira do Continente e sei lá mais o quê. Mas não deve ser difícil convencer mais umas barracas de street food a participar. Montam a barraca, ficam com os lucros. Simples.

snacksGeez, como fazem falta. Uma maçã às três da manhã é de estalo. Uma barrita de cereais lá para as 17 também.

Vejam lá isso.

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Pixels Camp 2017

O novo espaço abriu algumas oportunidades para que, por exemplo, este ano houvessem duches. O que é óptimo. Mas a comunicação foi, no mínimo, confusa. Foi-nos dito que havia novidades no alojamento. Há duches? Sim. Não. É capaz de haver. Semanas nesta indecisão.

Eu hesitei a marcar alojamento baseado nisto. Quando fiquei demasiado desconfortável com a proximidade temporal, já não encontrei Airbnb a preços decentes, e acabei por ficar num hotel que eu gostava de saber a quem é que roubou as duas estrelas, porque ali não pertenciam de certeza. Felizmente fiquei lá pouco tempo.

O comboio foi a mesma coisa. Malta do norte, não marquem já transporte. Porquê? Cenas. É o desconto do costume? É que se for, mais vale comprar com antecedência, que o desconto da CP é maior. Não, é outra coisa. Qual coisa? Cenas.

Era portanto um comboio, sim, mas à borla, cortesia da Siemens. Parecia-me ser uma composição habitual de Intercidades, mas não sou especialmente conhecedor de comboios para ter a certeza. A única coisa que posso garantir é que não era um pendular. E que era à borla.

O problema foi o prazo de comunicação, que foi muito curto. Muita gente já tinha adquirido bilhetes, impossíveis de devolver. Os horários também não foram os melhores e foram comunicados tardiamente e ainda sujeitos a alteração.

Até o Chasing Ghosts foi marcado praticamente no dia antes. Eu mal tive oportunidade para me qualificar, visto que já estava on the move.

É perfeitamente compreensível que muitas destas coisas tenham que ser negociadas com parceiros, as condições têm que ser devidamente avaliadas, os espaços convenientemente adaptados. Mas pareceu-me que, na tentativa de fazer mais e melhores coisas – que foram feitas! – incorreu-se numa pitada de precipitação e comunicação confusa que gerou alguma frustração desnecessária.

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Pixels Camp 2017

Depois de ver as reverse pitchs dos sponsors, houve três que retive: as duas da Siemens, de partilha de bicicletas e monitorização de qualidade do ar nas cidades, e a da Mercedes, a API do smart.

Como disse anteriormente, eu ia mais ou menos decidido a não participar em nenhum projecto este ano, devido à terrível experiência que tive no ano passado. Eu sabia que me tinha atirado completamente para fora de pé – hey, mas se resultou para aprender a nadar, também podia ter resultado neste contexto – mas também tinha o receio que, na volta, estava a ficar demasiado velho para este tipo de loucura.

Portanto, foi mais por curiosidade que fui dar uma vista de olhos nos stands da Siemens e da Mercedes, ver o que eles tinham como base para trabalhar. Na Siemens tinham pouco mais que conceitos e mock data; na Mercedes, tinham mesmo lá um smart prontinho a ser conectado e testado, para além de uma API que pareceu mais sólida e documentada.

Com o que eu não contava era com a insistência e entusiasmo contagioso do Carlos. Mal acabou a keynote de abertura, já estava a perguntar “e então, o que é que vamos fazer?” Eu ri-me e encolhi os ombros: “para já, vou dar uma vista de olhos à Siemens e almoçar”.

Eu mantinha a Rosana debaixo de olho porque, em caso de projecto, ela é, mas assim de longe, uma das melhores designers e ilustradoras que eu conheço.

Portanto, quando a insistência do Carlos levou a melhor sobre mim (inclusivamente já tinha ido buscar a documentação da Mercedes e inscrito o projecto), perguntei-lhe como era com designer. Ele estava acompanhado pela Joana Rijo, que é precisamente designer, e eu não estava em posição de argumentar a favor da Rosana. Afinal, o meu plano até era não participar…

Não quero com isto menorizar a Joana. Como explicarei a seguir, ela foi competentíssima e fiável durante todo o projecto. Só que aconteceu uma coisa inacreditável: uma designer incrível como a Rosana ficou sem projecto. E, caramba, se alguns projectos, como se viu na apresentação final, tinham lucrado bastante com o trabalho dela.

Durante a tarde do primeiro dia, entre várias apresentações que todos queríamos ver, fomos conversando ao de leve sobre que conceito queríamos. Ao mesmo tempo, entretivemos a ideia de fazer um smart contract de roleta na blockchain, para ir buscar mais uns EXP para investir no projecto.

Depois de jantar – e ao jantar não se fala de trabalho, fala-se de séries de televisão, de música, da qualidade da comida (lá irei, lá irei), mas de trabalho não – alinhavámos finalmente a ideia: visto que a API era para o smart, e sendo o smart um carro da iGeneration, malta nova e altamente conectada, queríamos uma app que nos desse o estado do carro, seja o nível do combustível, o estado da bateria, se as portas estavam fechadas e trancadas, e que desse para o localizar (via GPS para localização geral, e ligando os piscas para o localizar num parque, por exemplo).mysmart logo

Quando estava para atacar a construção da app, ao final da noite, a API da Mercedes deu o badagaio. Os engenheiros já tinham desaparecido, e eu decidi fazer o mesmo. Despedi-me da rapaziada, e recolhi ao hotel a horas ainda bastante decentes (por padrões Pixels Camp – era para aí uma da manhã), porque já sabia que isto na segunda noite ia ser a doer.

Já tínhamos conversado sobre o design e decidido que tudo seria em SVG, para garantir a responsiveness com qualidade em qualquer ecrã. Isto colocou um peso incrível em cima da Joana, que basicamente teve que desenhar um smart de raiz, incluindo portas e bagageira em separado (eu queria aquilo a mexer quando se abrisse a porta fisicamente); tirando todo o resto do trabalho de design, desde cores, logótipo, botões da interface…

No segundo dia, mal cheguei, fui falar com os engenheiros da Mercedes, que já tinham identificado e corrigido o problema. Mostraram-nos os logs da API para demonstrar a carga a que tinha estado sujeita e que levou ao crash, numa demonstração de transparência e disponibilidade que caiu muito bem não só connosco, mas com outros grupos com projectos relacionados.

Durante o dia ainda alinhavei toda a ligação à API, entre todas as coisas que há para fazer, incluindo uma apresentação que tinha para dar, e as minhas participações no Chasing Ghosts (onde consegui uma pontuação mais alta na qualificação, que me tinha apurado para a final, do que na semifinal em si) e no QuizShow (onde acho que eu e o Carlos conseguimos menos pontos do que no ano passado).

mysmart app

Por volta da meia-noite, estava pronto a atacar o frontend da app. A Joana tinha concluído todo o design e estava completamente esgotada. Disse-lhe para dormir um bocado e ela, que já estava embrulhada numa manta, literalmente rolou da cadeira para o chão e acho que adormeceu antes de lá chegar. O Carlos, que tinha andado o dia todo a azucrinar todos os angels que lhe aparecessem à frente, para além de andar envolvido na caça ao tesouro das camisolas (dava 50.000 EXP, era uma ajuda valente para o nosso projecto), não estava em muito melhor estado. Ainda tentou resistir ao cansaço, mas estar sem fazer nada a olhar para mim também não ajuda, e acabou também por colapsar ali ao lado.

E aconteceu uma coisa que já não me acontecia há muito tempo. Por volta das 4 da manhã – depois de ter ido fumar um cigarro onde demorei meia-hora porque um casal holandês estava particularmente interessado em saber o que se estava a passar ali – entrei in the zone; mesmo, mesmo in the zone. Estava completamente alheado do que se passava à minha volta. Às 8 a app estava completa. Ainda antes de acordar os meus parceiros, fui apanhar um bocadinho de ar, e quando voltei, o Carlos já tinha ido para a fila da banhoca e a Joana estava com ar de zombie sentada no chão.

“A app está pronta. Vou ao hotel tomar banho e trocar de roupa. Está tudo controlado. Volto daqui a uma horita.”

O resto da manhã foi mais soft. O Carlos tratou da apresentação, eu gravei um vídeo com a Joana a abrir as portas do smart para colocar lado a lado com a app a funcionar, conversámos com os angels que passaram pelo nosso estaminé para se inteirarem do progresso. Tínhamos tudo controlado.

Mas eu não estava muito confiante. Já levo anos suficientes disto para perceber que faltava wow factor ao nosso projecto. Não era sexy que chegue. Tinha repetido isto várias vezes nos dois dias antes à equipa, juntamente com “isto este ano tinha de ser uma app com blockchainaugmented realitymachine learning” (nem de propósito, o projecto que ganhou tinha AR e ML). A seguir ao almoço, perguntei, meio a brincar, se conseguíamos chegar ao top 10. O Carlos, com o entusiasmo que lhe é característico, respondeu de calcanhar que era 5.º lugar, no mínimo.

E foi.

Pixels Camp 2017 Trophy

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Pixels Camp 2017

Uma das maiores inovações foi, portanto, uma cripto moeda baseada na rede Ethereum chamada Exposure. O nome em si é uma piada baseada neste comic do fenomenal The Oatmeal, e acaba por ser um bocado meta, visto que exposure é basicamente o que se ganha na hackathon do Pixels Camp.

Basear o resultado de uma hackathon num sistema de mercado – ainda para mais usando blockchain – deve ser das ideias mais loucas da história das hackathons. Tinha todo o potencial para ser espectacular, como acabou por ser, como um desastre: bastava que a comunidade simplesmente não aderisse ao conceito.

As cripto moedas ainda têm um longo caminho a percorrer em termos de usabilidade. Criar uma carteira virtual, guardar uma chave privada ou uma frase mnemónica que é preciso usar a cada transacção, inserir longos identificadores alfanuméricos para onde queremos fazer as transacções – uff, que trabalheira.

De qualquer forma, correu optimamente. A malta criou carteiras, andou à caça dos badges para obter mais EXP, investiu nos projectos, e até comprou e vendeu serviços. A Rosana ainda fez umas lecas a vender designs e tatuagens (yep, tatuagens), e houve pelo menos dois projectos cujo conceito era precisamente a venda de serviços usando os smart contracts da blockchainBoothchain, uma cabine fotográfica com impressão térmica, e If Pay Then Play, do inefável Luís Correia e demais Lobsters, uma máquina de arcade. Estes projectos tinham a particularidade de se auto-financiarem: aquilo que as pessoas pagavam – e ainda pagaram algumas – era directamente investido no projecto.

A nossa equipa pensou no mesmo, mas ao invés de fazermos disso o nosso projecto principal (já estávamos mais ou menos decididos pelo que veio a ser o mysmart), seria um meio de financiamento. Brincámos com o conceito de um smart contract emulando uma roleta de casino durante a tarde de quinta-feira, mas depois acabámos por nos focar apenas no projecto.

O único problema que detectei em todo o conceito, e que nem sequer está relacionado com o facto da moeda ser baseada em blockchain, é que não há qualquer incentivo para investir noutros projectos que não o nosso. Inclusivamente, fiz notar isso mesmo ao Celso durante a apresentação mais aprofundada que fez do conceito.

Pode alegar-se que há sempre gente que não participa em projectos, e há, embora o foco na hackathon seja tão grande que nem deveria contar. Há, na realidade, um microincentivo, que é o facto do investidor que obtiver maior retorno ganhar um prémio, mas a proporção da distribuição é tão desbalanceada, que esse investidor vai acabar por ser um membro do projecto que efectivamente ganhou a competição.

Poderia haver incentivos maiores; por exemplo, as carteiras e o seu valor depois da redistribuição podiam transferir-se para eventos subsequentes, embora isso levantasse novas classes de problemas: qualquer membro dos primeiros três ou quatro projectos ficariam automaticamente a ser super-investidores, o que levaria a que os projectos deles ganhassem novamente no ano a seguir, independentemente do mérito. As soluções para isto seriam cada vez mais complexas e confusas (um membro não podia investir no seu próprio projecto, tendo que existir uma CMVM específica para o evento).

Basicamente, temos aqui uma situação em que não gosto nada de me encontrar: identifiquei um problema para o qual não tenho solução (ou as que tenho são foleiras).

O capitalismo é complicado.

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »

Agora sim, melhor Pixels Camp de sempre. Também ainda é só o segundo.

Pixels Camp 2017

Que evolução. É que se sente em primeiro lugar, no final de tudo.

O novo espaço, no Pavilhão Carlos Lopes, é não só melhor que o LX Factory do ano passado, como arrisco dizer que é também melhor que os últimos do Codebits, a Sala Tejo – a todos os níveis. O edifício em si é regalo para os olhos, com a sua traça de revivalismo barroco e os painéis de azulejo com cenas da História de Portugal. A localização, no Parque Eduardo VII é óptima e lindíssima (embora a Sala Tejo tivesse uma vista impecável para a Ponte Vasco da Gama). As acessibilidades, com o metro ali ao lado, são excelentes, as várias salas separadas para as apresentações e workshops resolvem finalmente o problema do som e os vários corredores largos e átrios foram usados para espalhar os sponsors de forma acessível e sem perturbar a circulação.

keynote de abertura trouxe várias surpresas, sendo que a maior delas todas – que já tinha sido apresentada de véspera, mas nem toda a gente segue o blog do Pixels Camp – foi o uso de uma cripto-moeda baseada na blockchain Ethereum chamada Exposure (ou EXP, for short), que substituiria a habitual dupla júri/público que atribui os prémios da hackathon. O projectos que cheguem ao fim com maior investimento – maior quantidade de EXP na conta – ganham. Para evitar distorções (a comunidade às vezes passa-se *ahem* Sensor Helmet), existiam 22 angel investors: pessoas ligadas aos sponsors ou à organização que começavam com uma quantidade muito maior de EXP, e, portanto, com o poder de influenciar grandemente o resultado.

A outra novidade, que eu tenho a sensação de já ter sido tentada antes mas com menor efeito, foi o pitch invertido dos sponsors. Os vários sponsors presentes tinham um tempo limitado para apresentarem que ferramentas e desafios tinham trazido, numa tentativa de levar a comunidade a fazer soluções para os mesmos. Com maior ou menor sucesso, houve vários sponsors com desafios e ferramentas interessantes. O que me saltou mais à vista foram as soluções de mobilidade e smart city da Siemens e a API da Mercedes.

Eu tinha ido mais ou menos convicto a não participar em nenhum projecto este ano. No ano passado quase tive um esgotamento, e não estava disposto a passar pelo mesmo. No entanto, o Carlos – meu parceiro pelo segundo ano no QuizShow e que é uma pessoa entusiástica, no mínimo – lá me convenceu a participar nalguma coisa. Acabámos por nos decidir pela API da Mercedes, e acabou por render um 5.º lugar.

Acabei por, mais uma vez, assistir apenas a meia dúzia de apresentações das imensas que queria ver; notavelmente, e tive imensa pena, o painel sobre diversidade, que foi à mesma hora da minha apresentação. Agora, é esperar pacientemente que apareçam no YouTube…

Depois, imensas coisas para fazer (e que também não fiz nem metade): tiro com arco, cortesia da Siemens, para ganhar jantares de sushi, bilhetes para o Web Summit e mini-gadgets variados; pesar a mochila, cortesia da Cisco, para ganhar access points Meraki; competição de segurança; Code in the Dark, cortesia da OLX, onde era preciso implementar uma série de designs apenas com HTML e CSS, sem acesso a mais nada a não ser ser um editor muito simples; Dragon's Breath, o habitual desafio da comida picante; Chasing Ghosts, competição de retro gaming; o sempre hilariante e concorrido Quiz Show; e ainda uma caça ao tesouro (quase literalmente: valia 50.000 EXP) envolvendo as camisolas oferecidas.

No global, foi dos melhores eventos que já fui. Ainda está longe da organização do antigo Codebits, mas está a dar grandes passos na direcção correcta e, ao mesmo tempo, a corrigir alguns vícios que aquele tinha.

Tenho mais coisas para escrever, mas vêm aí a seguir como notas isoladas.

Comentários Nenhum comentário Continuar a ler Continuar a ler »
 Categorias
 Arquivo
 Projectos em Destaque
 Últimas Postas no Blog
 Últimos Comentários do Blog