Pixels Camp Intro

Aconteceu novamente a peregrinação anual(-ish) de geeks a Lisboa. Como é habitual, foi “o melhor Pixels Camp de sempre”. Como é habitual, há ainda tanta margem para crescer e melhorar.

Os patrocinadores trouxeram-nos, novamente, um conjunto de desafios para mordermos. Já o tinha dito da última vez, os reverse pitches funcionam muito bem (alguns, pelo menos), e quanto mais os patrocinadores se empenharem em trazer desafios interessantes, melhor para todos os envolvidos. A publicação prévia dos desafios ajuda a arrumar as ideias com algum tempo de antecedência.

Claro que alguns dos desafios são absurdos. Os da NOS, por exemplo: algo semelhante ao Bandersnatch, mas ainda mais dinâmico, ou um AI director. Em 48 horas, a sério? O que é que andam a fumar?

Depois há os chamados soft targets. Não há como ter um mau desempenho com um destes, e, eventualmente, serem relativamente fáceis de ter qualquer coisa a funcionar no final. Os ligados ao retalho da Sonae costumam ser soft targets, e este ano havia também os da iniciativa Hack for Good da Fundação Gulbenkian. Emparelhar um destes com o último brinquedo da Microsoft era praticamente um no-brainer e fazia ainda um softer target.

Assim que saiu o da Hack for Good, fiquei logo de olho, e quando saiu o da Microsoft, vi logo o que tinha de ser feito. Falei com o meu habitual partner in crime, que também estava inclinado para o Hack for Good (soft targets, gotta love them), e acabei por escrever o pitch, a especificação de funcionalidades e o estudo da tech stack no Alfa a caminho de Lisboa.

Pitch

Summary

Implement a pair of device and application to help elders and informal caregivers with in-place ageing.

The IoT device will provide a simple two-button plus voice interface to the elders, complemented with sensor-based early warning system, while the (web) app will provide caregivers notifications, historical data and routines (medicines, meals, exercises).

Motivation

Informal caregivers – in the case of elders, mostly descendants – have most of their lives suspended. They can't be absent of the house for long, and in many cases just out of fear that something happens.

A simple smartphone, or even a dumb phone would solve some of the problems, but as anyone in contact with a 70+ person can tell you, teaching them – and convincing them – to use it can be a chore of it's own.

What our solution will try to solve is that conundrum of keeping caregivers in the loop without requiring a constant presence and avoiding the expected resistance an elder would have with a more complex device.

A seguir à keynote de abertura inseri logo o projecto no Taikai (lá irei), deixei a Joana e o Carlos a pensar na imagem e num nome, e fui fazer check-in no hotel. Quando voltei, já tinham imagem e acabámos por ficar com o nome YUP (de yet unnamed project, porque somos mesmo assim esquisitos).

MXChip

O MXChip é uma peninha de trabalhar, sobretudo para quem está habituado ao Arduino. Infelizmente, o wireless estava completamente nos porcos este ano (também lá irei), o que dificultou imensamente o desenvolvimento. A certa altura, já não sabes se não funciona porque a ligação está uma desgraça, ou se cometeste algum erro.

Rapidamente coloquei aquilo a fazer o mínimo dos mínimos (sinalização de emergência), mas depois, entre problemas de rede, problemas normais de desenvolvimento, e as vinte mil coisas que há sempre para fazer no Pixels Camp, acabou por fazer pouco mais que isso. A app (uma webapp, para atalhar caminho), devido ao tempo perdido, acabou por também fazer apenas o absolutamente mínimo (notificação de emergência), e mockups com força.

Entretanto, a equipa tinha sido realocada, por assim dizer, ao insano desafio das t-shirts. Hei-de falar mais sobre isto num post subsequente, mas, da forma como funciona o Pixels Camp, foi um risco calculado deixar-me a trabalhar sozinho no projecto e colocar a maioria das fichas no desafio. O Carlos escreveu um post sobre o processo, assim como o Márcio Martins, do ponto de vista dos criadores desta insanidade. E certifiquem-se que dão também uma vista de olhos em como o Celso escreveu um programa para o ZX Spectrum de propósito para o desafio.

Lost Pixels
by Miguel Duarte

De qualquer forma, o risco compensou. Estes malucos foram os primeiros a chegar ao final do desafio e ganharam uma boa batelada de KAIs (a moeda da hackathon). Depois ainda inventaram um esquema Ponzi (ou esquema em pirâmide), a que chamaram apropriada e descaradamente Pharaoh Ventures, usando os bónus de compra/venda da UTRUST em mais KAIs.

Entretanto, ainda fui entrevistado pelo Daniel Catalão (por volta do minuto 42), o que também gera algum interesse ali à volta. Vamos sempre falando com este e com aquele, com alguns sponsors, o costume.

No sábado de manhã já nem peguei no projecto. Não valia a pena estafar-me mais, ia ter que chegar. O Bellini gravou um vídeo rápido, a Joana ajudou o Carlos a enjorcar uma apresentação com os pontos essenciais, este ia tendo um colapso nervoso dez vezes antes de almoço, e o Tiago começou a colectar os KAIs todos na conta dele, pronto a despejar no YUP.

Chegou para o gasto. Um sétimo lugar, para juntar ao quinto da última edição, o que não é mau entre os 40-e-qualquer-coisa projectos que chegaram à apresentação final.

Up next: economia do Pixels Camp

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