Pixels Camp Intro

Aconteceu novamente a peregrinação anual(-ish) de geeks a Lisboa. Como é habitual, foi “o melhor Pixels Camp de sempre”. Como é habitual, há ainda tanta margem para crescer e melhorar.

Portanto, a hackathon do Pixels Camp funciona basicamente como o ecossistema das start-ups:

  1. Tens uma ideia;
  2. Implementas um proof-of-concept da ideia;
  3. Vendes a tua ideia ao mercado e a investidores;
  4. Recolhes a narta e, se for a suficiente, ganhas o jogo das start-ups.

Simples, certo? Como é que se implementa isso numa hackathon? Ora, com blockchain e tokens, como é lógico. Na última edição já tinha funcionado assim, com os EXP, mas este ano – reimplementando a ideia – foi a prova de fogo duma nova plataforma, a TAIKAI.

A TAIKAI tem grandes planos para o futuro, segundo a conversa que tive com os founders, e tenciono seguir de perto o que vão fazer a seguir; mas, para os efeitos do Pixels Camp, o conceito é simples: a TAIKAI permite criar um challenge, onde os innovators criam projects, que depois são financiados por backers (que incluem os próprios innovators).

A moeda chama-se KAI, e é distribuída pelo criador do challenge da forma que achar mais apropriada. No caso, o Pixels Camp atribuiu 25.000 KAI a 26 super-investidores, entre pessoal da organização e patrocinadores. Não esquecer que os patrocinadores lançaram desafios e têm interesse em ver esses desafios feitos.

Depois, qualquer participante pode obter KAI capturando badges na forma de códigos QR, participando em diversas actividades, falando com os patrocinadores, estando acordado às tantas da manhã e até mandando uma poia. Alguns badges são free-for-all, outros são limitados aos primeiros x a obtê-los. A maior parte dos badges dão 100 KAI, alguns 200 KAI, e dois em particular, dão 2000 KAI e 500 KAI. Mas já lá vamos.

O primeiro problema – que, meh, nem é grande problema – é que não há qualquer incentivo para gastar KAI em qualquer projecto que não seja o nosso. Na realidade, faz sentido: quantas start-ups têm sucesso, ou conseguem, pelo menos, arrancar, precisamente porque os seus founders têm os bolsos fundos? Faz algum sentido que invistas no teu próprio projecto, certo? Infelizmente, isto retira muito do voto público que as hackthon costumam ter.

Mas o principal problema é que os grandes caçadores de badges podem desbalancear bastante o resultado, para além dos primeiros 3 ou 4 lugares. Sobretudo porque muitos badges podem ser partilhados entre a equipa (isto não é batota, per se, bastava indicar onde é que o badge estava colado).

E, claro, existe o badge do desafio das t-shirts, no valor de 2000 KAI para o primeiro e 500 KAI para os próximos 10-ish. É previsível que os primeiros 4 ou 5 sejam da mesma equipa, o que quer dizer que a equipa que os encontrar obtém logo entre 3000 a 5000 KAI.

Isto dilui bastante a força dos super-investidores, sobretudo se estes dividirem os seus 26 × 25.000 = 650.000 KAI por vários projectos. Claro que os primeiros – sei lá, 4 ou 5 – lugares são consensuais entre os investidores, mas daí para baixo nota-se a influência dos caçadores de badges.

Este ano, fomos muito beneficiados por este sistema. O nosso investimento próprio representou 75% do investimento total no projecto.

Este sistema não me agrada. Parece-me injusto para quem se esforçou tanto ou mais que nós no projecto, que tinha projectos tão bons ou melhores que o nosso, mas que não conseguiu ou não quis caçar os badges.

Na realidade, fiz as contas, e se apenas contassem os super-investidores, tínhamos ficado em 24º. Yep, metade inferior da tabela classificativa.

No entanto, é evidente que vamos continuar a apostar neste sistema para o futuro, enquanto for possível. Eu não faço as regras, só jogo dentro delas.

Up next: topos e fundos

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