A blogger mdsol (a viver aqui), comentadora habitual em vários blogs que costumo frequentar, deixou, aqui há dias, o seguinte comentário no Aspirina B (posteriormente promovido a post de pleno direito):

Os blogs são como uma praça de cidade pequena: onde todos se podem encontrar e onde todos se podem evitar. Há os gregários militantes (...); há os gregários soltos (...); há os institucionais (...); há os que (...) são mais desalinhados (...); há os errantes e sonhadores (...). E há, como em todas as praças, os loucos, fundamentais para a manutenção da sanidade mental dos restantes.

A comparação é bonita, lírica. E também demagógica, errada e fonte da maioria dos problemas dos blogs e foruns portugueses (nos estrangeiros, vê-se muito menos).

And yet again, é mais uma falha do e-book, ou dos comerciais, da EarthShine Electronics que me leva a escrever esta posta. Um dos tutoriais era sobre um sensor de temperatura, e a lista de componentes, o esquema e o código reportam-se ao sensor LM35DT. No entanto, o sensor que está a ser enviado nos kits é o LM335Z, que é diferente a vários níveis:

  1. Logo a começar pela calibragem, que é linearmente proporcional em graus Celsius no primeiro e em graus Kelvin no segundo;
  2. O primeiro trabalha a 5V e o segundo a 3V (ligeiramente menos, pela datasheet, mas não é por aí);
  3. O primeiro tem um pino com o sinal de saída, o segundo funciona mais como um divisor de voltagem, sendo o terceiro pino para calibragem.

Posto isto, e depois de ter estudado atentamente a datasheet do LM335Z, enjorquei o seguinte circuito:

Continuando as experiências básicas com o Arduino – e aproveitando para aprender como se coloca um vídeo no YouTube (sim, nunca tinha colocado um vídeo no YouTube, e quê?) – aqui fica um irritante tocador de música, ao nível daqueles que vêm nos (irritantes) postais musicais.

O que é um cristal piezo-eléctrico?

Um cristal piezo-eléctrico é um tipo de cristal, natural ou sintético, capaz de gerar electricidade a partir de uma força mecânica que o deforme e o inverso, isto é, deformar-se ao ser-lhe aplicado uma corrente eléctrica. No caso concreto, vamos aplicar corrente ao bicho, obrigando-o a deformar-se. Essa deformação gera um click muito rápido. Se o conseguirmos colocar a deformar-se várias vezes por segundo, conseguimos gerar um ruído numa dada frequência, fazendo as nossas notas musicais.

Quem me conhece sabe que tenho imensas áreas de interesse, desde a música até à fotografia, física e religião, ténis e aeronáutica, e por aí fora; um coca-bichinhos, portanto. Como consequência, não sou realmente bom em nenhuma delas, tirando duas ou três onde invisto mais tempo e esforço.

Uma das áreas onde sempre quis investir mais foi na electrónica digital, mas nunca tive tempo, nem do outro tempo (€€), que a coisa ainda sai ligeiramente dispendiosa. Só a dificuldade em encontrar quem vendesse circuitos de portas lógicas seria complicado.

Na sequência deste post, ainda não tinha ficado plenamente satisfeito com a tipografia do DreamsInCode — o tamanho da letra parecia-me exageradamente pequeno e as linhas demasiado compridas para a leitura ser confortável.

Este era, aliás, um dos meus maiores dilemas, e já não é de agora. Sempre fui um grande combatente da causa dos designs líquidos: parece-me extremamente ineficiente termos todo o espaço de um monitor de 19, 20 ou 22 polegadas, com até 1920 pixels, e aproveitar apenas uma magra fatia de cerca de 950... No entanto, o que parece ser uma boa ideia na generalidade — mais espaço para passar a mensagem — falha redondamente na prática; como tão bem sabem os tipógrafos, há um limite de conforto para os tamanhos das linhas, onde os olhos conseguem mudar de linha sem perder o fio à meada.

Posto isto, tinha mesmo de abandonar o meu adorado design líquido e passar para um design fixo, e aumentar de novo o tipo de letra. Já que estava com o malho quente, resolvi também redesenhar o site inteiro. Ainda há por aí um ou outro pormenor por afinar mas, de um modo geral, estou satisfeito com o resultado. O maior tamanho de letra deu mais ar ao design, o bokeh lateral e as datas bonitas (de que falarei qualquer dia) até pode levar a pensar que eu sou um designer razoável (coisa que qualquer pessoa que conheça minimamente o meu trabalho poderá desmentir) e até os separadores ficam mais leves com o abandono do pontilhado escuro.

Havia duas frameworks, uma de JavaScript e outra de CSS, que eu queria experimentar há muito, e que tinham vindo a ser adiadas porque não tinha tempo nem paciência para andar a trocar tudo; com a alteração no design, já que tinha que passar pelos templates quase todos,  atirei-me às duas ao mesmo tempo (o que, e vendo o tempo que demorei, na volta, foi idiota — ou então não, assim ficou já despachado).

Do lado do JavaScript, o jQuery (e o jQueryUI) andava-me a fazer água na boca há que tempos; o motor de selectores (o Sizzle) era bastante mais rápido do que o do Prototype (aparentemente, a próxima versão também irá usar o Sizzle), a forma como a execução inicial era deferida até a DOM estar completamente disponível (via ready), a integração com o jQueryUI mais suave do que a que o Prototype tem com o Scriptaculous, o ThemeRoller, que é fantástico para se mudar o design do pé para a mão, enfim, um monte de pormenores.

De entre as coisas que mais me impressionaram, destaca-se a forma como é possível criar botões a partir de qualquer tag HTML. Os botões na zona de login, ali em cima, foram feitos assim. Uma consulta à documentação oficial explica a facilidade da coisa, mas qualquer dia também coloco um post sobre isso.

Do lado das CSS, nunca tinha usado frameworks; a minha primeira experiência foi relativamente recente, com a YUI 3 CSS, e a maneira como estas frameworks ultrapassam as inconsistências inter-browser agarrou-me à primeira vista. No entanto, esta em particular, metia-me alguma confusão, com as suas classes com nomes bizarríssimos (o que é que faz a classe yui3-b?).

Outra que tinha andado a namorar tinha sido a Blueprint CSS, mas tinha abandonado a ideia porque, lá está, não suportava designs líquidos. Como a teoria tipográfica me veio dar dois milhos nas beiças, não havia nada que me impedisse de a usar. Com o seu sistema de grelha com nomes de gente, a facilidade com que se implementa um protótipo funcional é fantástica. Um design básico com cabeçalho, duas colunas e rodapé faz-se com cinco div e zero CSS costumizada. Os nomes intuitivos, como span-5, prepend-2 e por aí fora ajudam bastante.

Uma nota adicional sobre a Blueprint CSS: quando fui buscar o link para colocar aqui, dei conta que, desde que comecei o redesign do DreamsInCode, foi lançada uma nova versão. Eu até estava com algum receio que fosse abandonware, visto que a última versão estável tinha sido há mais de um ano... Como tal, por aqui ainda se usa a versão anterior, mas vou fazer uns testes para ver se não rebento com nada e hei-de actualizar.

Já agora, que falo de frameworks, eu uso um misto de framework/CMS PHP meu (da empresa, vá, embora esta versão do DreamsInCode já esteja bastante remexida — é onde normalmente faço testes antes de fazer alterações em sites críticos) com algumas coisas do PEAR, outras da ZF, para além do motor Wordpress que alimenta o blog. Até há bem pouco tempo, não me sentia confortável em usar outra framework, já para não falar noutra CMS. No entanto, experimentei recentemente a Yii Framework e fiquei muito fã. Embora continue a desaconselhar o uso de CMS pré-feitas (como a nódoa do Joomla), a minha posição em relação às frameworks, em particular esta Yii, está bastante mais suavizada, e é provável que haja mais novidades nos próximos tempos neste campo.

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Neste fim-de-semana fui a um casamento (e não há nada melhor que um casamento - ou as bebidas alcoólicas que por lá se servem gratuitamente - para desatar um bloqueio de escrita) de um amigo, companheiro de muitas aventuras durante os loucos anos do ensino superior.

No final da noite (ou ao início do dia, visto que já eram quatro da manhã), depois dos últimos copos e estórias, dei por mim a pensar numa historieta que tinha no principal papel, precisamente, o recém-casado...

Decorria o UEFA Euro 2000, e tínhamos improvisado um lounge no nosso apartamento de estudantes para assistir aos jogos, com sofá, uma televisão de tamanho razoável e cerveja sempre fresquinha. Muita cerveja. Nessa altura morávamos quatro lá em casa: eu e mais dois que já lá estávamos há uns anos, e um rapaz cabo-verdiano há cerca de duas semanas. O nosso amigo agora recém-casado não morava connosco, era do prédio ao lado, mas passava lá a vida. Era assim uma espécie de Kramer (quem se lembra do Seinfeld?) que comia as nossas batatas fritas, jogava nos nossos computadores e usava a nossa retrete. Um prato.

Aqui há tempos disse que “as minhas skills chegam aos três principais SO’s de desktop”. Quem conhece o meu percurso, as minhas linguagens de eleição, e aquilo que eu penso sobre soluções-fita-cola só pode ter estranhado. Apesar de estar arredado, profissionalmente, do desenvolvimento desktop, sempre foi onde voltei para resolver problemas rápidos, ferramentas que precisava do pé para a mão, e para projectos meus. Tenho as minhas reservas sobre a famigerada cloud, pelo que prefiro que aplicações, na acepção corrente do termo, corram (maioritariamente) nos clientes, e não em servidores algures na ‘Net.

Fui e vim de férias e… está tudo na mesma.

Fogo no Marão

P.S.: reparem como consigo colocar uma posta sobre um assunto que nos toca a todos e ao mesmo tempo justificar-me pelo tempo que estive sem actualizar o blog. Em 10 palavras. Amazing

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Espancá-los com um gato morto até este miar!

Conjunto de fotografias tiradas duma janela do meu apartamento há cerca de uma hora. Eu até já estava a estranhar, meio de Agosto e nem um incêndiozinho decente nas encostas do Marão. Uma ou outra fogueirita para os lados do Alvão, uma coisinha de nada no fim-de-semana lá para o Monte da Forca, e pouco mais.

O ar já estava pesado há que tempos, devido ao grande incêndio em S. Pedro do Sul e outros menores aqui à volta. Agora que esse e o do Gerês já estão mais ou menos controlados – que é uma maneira simpática de dizer que já ardeu tudo o que tinha que arder – eis que esses grandessíssimos filhos daquelas senhoras da rua, que deviam ir para onde o Queiroz mandou o outro, se viram para o Marão.

Porque, não me lixem, isto não é de “causas naturais”!

Quase desde o início do DreamsInCode que tenho tido uma luta com a tipografia do mesmo. Convém lembrar que eu sou mais programador do que designer, e que demoro eternidades até ficar satisfeito com cores, fontes, tamanhos, ícones…

A regra número um para fontes de leitura em monitores de computador é usar fontes sem serifas. As opções para a web ainda são algumas, como as mais clássicas Verdana (em uso neste momento) e Arial, assim como algumas mais específicas, como Tahoma (em uso anteriormente) ou Trebuchet MS. Estas três fontes comportam-se da seguinte maneira:

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