Já de volta a Trás-os-Montes, de dormir duas noites num colchão fofinho com lençóis, cobertores e tudo e de despachar a tralha pendurada pela gazeta ao trabalho, deixo as últimas impressões sobre o Codebits (mas ainda hei-de voltar a falar dele esta semana).

Ainda antes de me deitar no segundo dia, encontrei, finalmente, a bela da impressora 3D que procurava desde o primeiro dia… Como pensei que fosse uma coisa em destaque pela organização, nunca me tinha passado pela cabeça que estivesse numa das normalíssimas mesas redondas, mas sim numa zona mais distinta. Estava à conversa com o Cynary (do Portugal-a-Programar) e perguntei, como quem não quer a coisa, se sabia onde estava a dita cuja; a resposta foi… “ali”. Mesmo, mesmo, pitosga…

Uma coisa é certa, não vou vender a Wii tão cedo para a substituir por uma Xbox + Kinect, mas é sobretudo uma questão monetária, que a tecnologia está muito lá. Ainda não consegui brincar, mas estive a ver um casal em modo cooperativo em grande diversão. Infelizmente, o surface computer estava desligado.

Depois do almocinho, já fiquei com mais alguma boa disposição para ir assistir às apresentações com outra atitude. Apesar de ter quase adormecido algumas vezes, deveu-se apenas ao cansaço e nunca à falta de empenho dos speakers.

Em primeiro lugar, a manta da TMN não é grande coisa – não sei para quem é aquilo, mas para pessoas normais não é de certeza, acho que precisava de duas ou três para fazer uma manta normal. O comprimento até é razoável, mas a largura só dá para a Olívia Palito… Os puffs, em compensação, dão uma cama razoável, melhor que o chão.

Ter dormido apenas duas horas não está a contribuir para o meu bom humor, e o grau de exigência disparou em relação às palestras – não que estejam a ser piores, tenho é menos paciência.

Este ano, e pela primeira vez, vou participar no Sapo Codebits, que já vai na sua 4ª edição. No ano passado passou-me pela cabeça participar, mas só dei conta depois de acontecer. Este ano estava mais atento, e como a Jonasnuts é uma pessoa de palavra, cá estou eu a relatar os acontecimentos do primeiro dia, do meu ponto de vista.

Para outro ponto de vista, é ir ver o que tem a dizer o Marco Santos, do Bitaites.

Mas vamos a isto… Mal cheguei:

Reparei agora que é a segunda vez que publico uma posta em estereofonia num blog onde sou convidado, e nunca aqui falei sobre o mesmo.

A Pegada, a morar aqui, é um blog que começou com duas das minhas mais habituais leituras, que foi expandindo até ao actual colectivo pentagonal.

O Rogério da Costa Pereira é, ao que sei, advogado na zona da Covilhã, sportinguista convicto (e como todos os sportinguistas convictos, com a síndrome auto-destrutiva que os caracteriza, o que muito irrita os sportinguistas ferrenhos como eu – é diferente, meus amigos, é diferente), meu medicamento servido a tabefes no trombil para os finais de jornadas de trabalho que faço nas madrugadas dos fins-de-semana.

Isabel Moreira, também advogada (constitucionalista?), e, como tal, sempre bom para ler opiniões de quem tem, para variar, a bagagem necessária para a fundamentar convenientemente. E se também escrever coisas destas, é só a cobertura em cima do bolo.

Quanto aos três restantes, nunca tinha ouvido falar, mas lucy pepper é uma ilustradora do camandro (o catálogo dela sobre trolls devia ser de leitura obrigatória para quem tem acesso à internet – infelizmente para os nossos conblogosferistas que só falam a língua de Camões, só está disponível em Inglês), o besugo, quanto mais não fosse, é sportinguista, e dotado dum humor meio Gato Fedorento, meio Miguel Esteves Cardoso. Finalmente, e perdoe-me Luiz Antunes, como ex-músico-que-um-dia-teve-a-ilusão-de-ter-sucesso-no-panorama-musical-nacional, tenho toda a solidariedade para com a problemática da cultura em Portugal; simplesmente, a dança não é por aí além a minha praia (apesar da boa influência que sofri da minha esposa e de algumas amigas ao longo da juventude para a dança jazz, moderna e contemporânea – além do ballet da minha filha – mas não chegou).

Foi nesta ilustre companhia que me foi endereçado convite para escrever, o que fiz por duas vezes, com Todos os nomes e Limpar os pés antes de entrar.

Muito agradecido pelo convite, cá fica o singelo pagamento.

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A blogger mdsol (a viver aqui), comentadora habitual em vários blogs que costumo frequentar, deixou, aqui há dias, o seguinte comentário no Aspirina B (posteriormente promovido a post de pleno direito):

Os blogs são como uma praça de cidade pequena: onde todos se podem encontrar e onde todos se podem evitar. Há os gregários militantes (...); há os gregários soltos (...); há os institucionais (...); há os que (...) são mais desalinhados (...); há os errantes e sonhadores (...). E há, como em todas as praças, os loucos, fundamentais para a manutenção da sanidade mental dos restantes.

A comparação é bonita, lírica. E também demagógica, errada e fonte da maioria dos problemas dos blogs e foruns portugueses (nos estrangeiros, vê-se muito menos).

And yet again, é mais uma falha do e-book, ou dos comerciais, da EarthShine Electronics que me leva a escrever esta posta. Um dos tutoriais era sobre um sensor de temperatura, e a lista de componentes, o esquema e o código reportam-se ao sensor LM35DT. No entanto, o sensor que está a ser enviado nos kits é o LM335Z, que é diferente a vários níveis:

  1. Logo a começar pela calibragem, que é linearmente proporcional em graus Celsius no primeiro e em graus Kelvin no segundo;
  2. O primeiro trabalha a 5V e o segundo a 3V (ligeiramente menos, pela datasheet, mas não é por aí);
  3. O primeiro tem um pino com o sinal de saída, o segundo funciona mais como um divisor de voltagem, sendo o terceiro pino para calibragem.

Posto isto, e depois de ter estudado atentamente a datasheet do LM335Z, enjorquei o seguinte circuito:

Continuando as experiências básicas com o Arduino – e aproveitando para aprender como se coloca um vídeo no YouTube (sim, nunca tinha colocado um vídeo no YouTube, e quê?) – aqui fica um irritante tocador de música, ao nível daqueles que vêm nos (irritantes) postais musicais.

O que é um cristal piezo-eléctrico?

Um cristal piezo-eléctrico é um tipo de cristal, natural ou sintético, capaz de gerar electricidade a partir de uma força mecânica que o deforme e o inverso, isto é, deformar-se ao ser-lhe aplicado uma corrente eléctrica. No caso concreto, vamos aplicar corrente ao bicho, obrigando-o a deformar-se. Essa deformação gera um click muito rápido. Se o conseguirmos colocar a deformar-se várias vezes por segundo, conseguimos gerar um ruído numa dada frequência, fazendo as nossas notas musicais.

Quem me conhece sabe que tenho imensas áreas de interesse, desde a música até à fotografia, física e religião, ténis e aeronáutica, e por aí fora; um coca-bichinhos, portanto. Como consequência, não sou realmente bom em nenhuma delas, tirando duas ou três onde invisto mais tempo e esforço.

Uma das áreas onde sempre quis investir mais foi na electrónica digital, mas nunca tive tempo, nem do outro tempo (€€), que a coisa ainda sai ligeiramente dispendiosa. Só a dificuldade em encontrar quem vendesse circuitos de portas lógicas seria complicado.

Na sequência deste post, ainda não tinha ficado plenamente satisfeito com a tipografia do DreamsInCode — o tamanho da letra parecia-me exageradamente pequeno e as linhas demasiado compridas para a leitura ser confortável.

Este era, aliás, um dos meus maiores dilemas, e já não é de agora. Sempre fui um grande combatente da causa dos designs líquidos: parece-me extremamente ineficiente termos todo o espaço de um monitor de 19, 20 ou 22 polegadas, com até 1920 pixels, e aproveitar apenas uma magra fatia de cerca de 950... No entanto, o que parece ser uma boa ideia na generalidade — mais espaço para passar a mensagem — falha redondamente na prática; como tão bem sabem os tipógrafos, há um limite de conforto para os tamanhos das linhas, onde os olhos conseguem mudar de linha sem perder o fio à meada.

Posto isto, tinha mesmo de abandonar o meu adorado design líquido e passar para um design fixo, e aumentar de novo o tipo de letra. Já que estava com o malho quente, resolvi também redesenhar o site inteiro. Ainda há por aí um ou outro pormenor por afinar mas, de um modo geral, estou satisfeito com o resultado. O maior tamanho de letra deu mais ar ao design, o bokeh lateral e as datas bonitas (de que falarei qualquer dia) até pode levar a pensar que eu sou um designer razoável (coisa que qualquer pessoa que conheça minimamente o meu trabalho poderá desmentir) e até os separadores ficam mais leves com o abandono do pontilhado escuro.

Havia duas frameworks, uma de JavaScript e outra de CSS, que eu queria experimentar há muito, e que tinham vindo a ser adiadas porque não tinha tempo nem paciência para andar a trocar tudo; com a alteração no design, já que tinha que passar pelos templates quase todos,  atirei-me às duas ao mesmo tempo (o que, e vendo o tempo que demorei, na volta, foi idiota — ou então não, assim ficou já despachado).

Do lado do JavaScript, o jQuery (e o jQueryUI) andava-me a fazer água na boca há que tempos; o motor de selectores (o Sizzle) era bastante mais rápido do que o do Prototype (aparentemente, a próxima versão também irá usar o Sizzle), a forma como a execução inicial era deferida até a DOM estar completamente disponível (via ready), a integração com o jQueryUI mais suave do que a que o Prototype tem com o Scriptaculous, o ThemeRoller, que é fantástico para se mudar o design do pé para a mão, enfim, um monte de pormenores.

De entre as coisas que mais me impressionaram, destaca-se a forma como é possível criar botões a partir de qualquer tag HTML. Os botões na zona de login, ali em cima, foram feitos assim. Uma consulta à documentação oficial explica a facilidade da coisa, mas qualquer dia também coloco um post sobre isso.

Do lado das CSS, nunca tinha usado frameworks; a minha primeira experiência foi relativamente recente, com a YUI 3 CSS, e a maneira como estas frameworks ultrapassam as inconsistências inter-browser agarrou-me à primeira vista. No entanto, esta em particular, metia-me alguma confusão, com as suas classes com nomes bizarríssimos (o que é que faz a classe yui3-b?).

Outra que tinha andado a namorar tinha sido a Blueprint CSS, mas tinha abandonado a ideia porque, lá está, não suportava designs líquidos. Como a teoria tipográfica me veio dar dois milhos nas beiças, não havia nada que me impedisse de a usar. Com o seu sistema de grelha com nomes de gente, a facilidade com que se implementa um protótipo funcional é fantástica. Um design básico com cabeçalho, duas colunas e rodapé faz-se com cinco div e zero CSS costumizada. Os nomes intuitivos, como span-5, prepend-2 e por aí fora ajudam bastante.

Uma nota adicional sobre a Blueprint CSS: quando fui buscar o link para colocar aqui, dei conta que, desde que comecei o redesign do DreamsInCode, foi lançada uma nova versão. Eu até estava com algum receio que fosse abandonware, visto que a última versão estável tinha sido há mais de um ano... Como tal, por aqui ainda se usa a versão anterior, mas vou fazer uns testes para ver se não rebento com nada e hei-de actualizar.

Já agora, que falo de frameworks, eu uso um misto de framework/CMS PHP meu (da empresa, vá, embora esta versão do DreamsInCode já esteja bastante remexida — é onde normalmente faço testes antes de fazer alterações em sites críticos) com algumas coisas do PEAR, outras da ZF, para além do motor Wordpress que alimenta o blog. Até há bem pouco tempo, não me sentia confortável em usar outra framework, já para não falar noutra CMS. No entanto, experimentei recentemente a Yii Framework e fiquei muito fã. Embora continue a desaconselhar o uso de CMS pré-feitas (como a nódoa do Joomla), a minha posição em relação às frameworks, em particular esta Yii, está bastante mais suavizada, e é provável que haja mais novidades nos próximos tempos neste campo.

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